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Nos últimos dias, e ao sabor dos prenúncios, o Banif tem sido notícia de que estará em marcha a venda da participação que o Estado tem no capital do banco, quando, ao abrigo das leis europeias, o intervencionou. 

Diz-se, aqui e ali, que o banco vai procurar sinalizar a compra de pelo menos uma parte da posição do Estado até ao fim do ano, antes que entrem em vigor as novas regras de resolução bancárias. 

Não sei que tipo de heróis andam por aí a fazer compras de racionalidade duvidosa, mas que os há, há. Talvez haja um activo intangível que nos escapa. (Talvez comprem o Banif, o Novo Banco e empresas de comunicação social que precisam urgentemente de capital, de atacado numa qualquer black friday).

Humor à parte. Mas porque carga de água há-de alguém comprar um banco que vale em bolsa 60 milhões de euros e tem de reforçar o capital em 275 milhões de euros? Porquê 275 milhões? Perguntam vocês. Ora porque o Banif já admitiu que tem um défice de capital face ao exigido pelas novas regras do BCE, de 150 milhões e a isto acresce que tem de pagar ao Estado a última tranche do empréstimo em CoCo´s de 125 milhões.

Dir-me-ão que vai vender activos, como o Banco em Malta (qual obras de Santa Engrácia que começam e nunca mais acabam, assim está a venda do banco em Malta, há largos meses "praticamente vendido"), ou que vão vender a sua Açoreana, onde o banco tem uma parte do capital. No entanto a venda da seguradora irá gerar uma perda face ao valor contabilizado no banco e só isso implica mais um rombo no rácio de capital.

Está visto que os activos para venda não resolvem. 

O que poderá acontecer?

O Banif acabará por criar um bad bank para os créditos maus, nomeadamente no sector imobiliário (está na moda) para libertar capital. Tudo em nome de salvar os contribuintes e os clientes bancários que passarão a contribuir para a recapitalização do banco em caso de necessidade, com os seus depósitos acima dos 100 mil euros e com as suas obrigações (não apenas as subordinadas, mas todas as que forem títulos de dívida do banco) a partir do próximo ano.

A carteira de imobiliário do Banif é uma das suas maiores dificuldades operacionais actuais, com um valor que ascenderá a 700 milhões e uma mais-valia potencial de 100 milhões, dizem os analistas ao Dinheiro Vivo.

Dúvidas houvesse e o Banif confirmou ontem, a pedido da Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários (CMVM), que “tem em curso um processo de venda estruturada” de activos do sector imobiliário e de créditos malparados, numa das medidas do plano de reestruturação do Banco Internacional do Funchal.

A administração do banco fez saber no mesmo comunicado, sem se comprometer com os factos que os jornais avançam, e perante as notícias da venda da fatia de 60% do Banif detida pelo Estado, que está “envolvido num processo formal e estruturado tendente à selecção de um investidor estratégico”.

Os esclarecimentos que constam do comunicado do Banif foram exigidos pela CMVM tendo em conta a elevada volatilidade de que as acções da instituição têm sido alvo nas últimas semanas (chegaram a valer 0,0009 euros). Essa volatilidade deve-se ao “elevado número de notícias (…) sem referência concreta às respectivas fontes” (claro, a culpa é dos jornalistas, assim como nos livros policiais a culpa é sempre do mordomo).

Com a notícia sobre o arranque da venda do Jornal de Negócios, as acções dispararam 55,6%, ali é noticiado que o Banif está em contactos com investidores norte-americanos e europeus para tomarem a participação de 60% detida pelo Estado no banco. Estes investidores potenciais já terão tido acesso às informações financeiras detalhadas relativas à instituição e também reuniões com membros da equipa do Banif.

Começo a questionar que investidores serão esses interessados num banco que tem responsabilidades muito acima do seu valor e da sua dimensão (cada vez mais encolhida)?

Basta olhar para o Novo Banco e a dificuldade que tem de se vender um banco que supostamente ficou apenas com os activos bons do BES, para ver que o Banif só se venderá a algum investidor exótico e a um preço muito simbólico. Bom mas se até o Efisa se vendeu, tudo é possível, pensarão vocês.

O Estado ajudou o Banif recapitalizando-o (para salvar os depositantes) no fim de 2012, tendo essa ajuda sido feita com 1.100 milhões de euros do dinheiro que a troika destinou para ajudar os bancos – 700 milhões de euros através de um aumento de capital e 400 milhões em capital contingente (CoCos), tendo já reembolsado 275 milhões destes instrumentos -, o que motivou uma investigação que está em curso na Comissão Europeia (noticiada por mim no Económico) para verificar se a ajuda ao banco cumpriu as regras sobre auxílios estatais.

Ora a venda a desconto é uma perda para o Estado, no que aos 700 milhões de euros em capital se refere. Um bico de obra por resolver.

Eu, pela minha parte, duvido que o banco (tal como está) se venda. Vai ser alvo de uma Resolução, é o que me parece. Há uns meses que alerto para o problema que o banco de cor roxa ia ser em 2016. Os jornalistas são uns videntes. 

 

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