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Que ferro, os factos

por henrique pereira dos santos, em 06.12.19

Uma das coisas que me separam dos meus amigos que se enternecem com uma rapariga de 16 anos que move o mundo é o facto de achar profundamente negativa, para o que temos de fazer seriamente, a visão catastrofista da forma como têm evoluído as questões ambientais e relacionadas com as alterações climáticas.

É falso que não se esteja a fazer nada. É perfeitamente razoável discutir se o que se tem feito é suficiente, discutir o que se pode fazer para responder à urgência em andar mais depressa, mas é absolutamente falsa a alegação de que ninguém faz nada e que os políticos são todos uns hipócritas vendidos aos interesses, uma alegação central para tudo o que vem por arrasto.

E quando tento demonstrar que esta alegação é falsa, uso essencialmente a informação destes dois gráficos.

emissões china.jpg

 

EsEsemissões USA.jpg

Estes gráficos, e bastante mais informação objectiva (por exemplo, os mesmos gráficos podem ser apresentados por capita, em vez de emissões totais) podem ser vistos aqui, para quem tiver dúvidas sobre eles.

O que é claro, a partir destes gráficos, é que as emissões estão a baixar nos Estados Unidos (o mesmo se passa na Europa). Não está nestes gráficos, mas é fácil verificar que esta diminuição de emissões não decorre de se produzir menos (o PIB tem crescido), mas sim de se ser mais eficiente no uso dos recursos.

O argumento habitual dos que acham que os problemas todos do mundo são da responsabilidade dos americanos, é que as emissões diminuem nos Estados Unidos e Europa porque exportámos a produção e a poluição para os países que exploramos.

Ora os gráficos têm duas linhas, uma com a medição das emissões na óptica da produção, e outra na óptica do consumo, sendo evidente que a linha do consumo tem valores um pouco mais altos que a da produção nos Estados Unidos e um pouco mais baixos na China, mas a tendência global não é determinada pela deslocalização da produção, é mesmo pelo aumento brutal do nível de vida em muitos dos países mais pobres, em especial China e Índia.

Greta Thundberg bem pode dizer que a minha geração lhe roubou a infância, que haverá milhões de outras crianças e adolescentes no mundo que, mesmo que o não saibam, beneficiaram muitíssimo do facto da percentagem da população mundial a viver em pobreza extrema ter diminuído de 42% em 1981 para menos de 10% em 2015.

Se não se tivesse feito mais nada, a minha geração, e as que as precederam, mereciam pelo menos o respeito por esta evolução extraordinária.

É verdade que isto foi conseguido à custa de pressões enormes sobre os valores naturais, que estamos perante um gravíssimo problema de perda de biodiversidade e perante um dramático desafio na gestão das alterações climáticas.

E é exactamente por isso, porque a situação é tão complexa e difícil, que não embarco facilmente em discursos de treta que nos desviam dos factos essenciais: é no mundo desenvolvido que estão a ocorrer as maiores transformações no sentido certo, feitas pelas pessoas, pelas empresas e, complementarmente, pelos Estados, como os gráficos acima demonstram claramente.



1 comentário

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De Anónimo a 08.12.2019 às 01:28

Ela é nova. Dê-lhe mais uns anos e fundará uma Igreja. Os fiéis já existem, apresentou-se o Messias, é tão certo como 2+2 serem 4.

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