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Quando o Estado perde a voz

por Jose Miguel Roque Martins, em 03.03.21

A entrevista que Susana Peralta deu, em que advogou um Imposto extraordinário a quem não perdeu rendimentos com a pandemia, criou uma onda de choque e até revolta.

Olhemos um pouco para os factos. A pandemia e as suas consequências económicas , foram muito mal distribuídas pela sociedade. Por sectores e pessoas.

A maioria dos indivíduos, felizmente, não sofreu com a pandemia. Mas muitos perderam rendimento e o seu trabalho. E parte deles, os precários, nem recebem prestações sociais de apoio, nem podem trabalhar.

Assim acontece porque o Estado, mais do que por não querer, foi impotente para responder a essa catástrofe. Numa sociedade que se pretenda mais equilibrada, a proposta de Susana Peralta faz sentido: tirar um pouco a quem não sofreu, para compensar parte das perdas dos atingidos pela crise.

Mas não é só nesse aspecto que um imposto deste tipo faz sentido. A coesão social e a resposta à pandemia seria seguramente diferente se todos enfrentassem a mesma realidade. 

Se todos fossem afectados pelo combate à pandemia, seguramente não haveria dois grupos tão distantes nos seus protestos. Necessariamente afectados e extremados, pelos que  sofrem e por quem não sofre economicamente com a pandemia. Ficar encerrado no Palácio de Belém é diferente do que ficar preso num barraco. Deixar de comer, é pior do que adiar uma férias.

Mas no final, para diferentes realidades correspondem escolhas  diferentes. Para no final, termos a exploração das minorias pelas maiorias.

Um dos pressupostos do funcionamento da economia de mercado, a de que as pessoas agem racionalmente no seu interesse egoísta, é uma realidade que se manifesta nesta situação. Cada um, em função das suas circunstancias, tem um incentivo em preferir mais ou menos confinamento. Mais ou menos risco. Tal como acontece numa  economia de mercado ( não a nossa....),  ocasionalmente,  há a necessidade de regulação por parte do Estado, de forma a evitar abusos e desvios.  Tal como na Economia, o Estado na pandemia, impõe tudo e mais alguma coisa a todos.  Mas perde a voz quando estamos a falar do mais poderoso dos grupos , a maioria dos votantes.

 

 

 



15 comentários

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De Carlos Sousa a 03.03.2021 às 15:25

Falar desse imposto agora, não faz sentido nenhum. Fazia sentido no início quando houve a necessidade de lay-off, descontaram 1/3 a uns descontavam 1/3 aos outros.
Se todos tivessem menos 1/3 de rendimentos provavelmente não teria havido tanto estado de emergência e não haveria agora tantas assimetrias.
Fazer novo imposto, agora que passou a tempestade só vai criar uma nova tormenta.
Já está na altura de acabar com a palhaçada e deixar as pessoas viver, a não ser que o governo queira ficar para a história como o responsável por um aumento substancial de suicídios e criar uma nova geração cheia de problemas psicológicos. 
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De Anónimo a 03.03.2021 às 17:52

concordo ( ou espero) que vai tarde, como pensa que concorda com o post.  Mas o principio de alinhar interesses é fundamental
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De Carlos Sousa a 03.03.2021 às 20:19

Se o princípio de alinhar interesses é fundamental, então acabem com a palhaçada e deixem as pessoas ganhar o seu sustento. Não é com proibições parvas e sem fundamento que o país sairá da crise em que foi mergulhado.
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De balio a 03.03.2021 às 16:02


Como muito bem escreve o autor deste post, esta epidemia e a reação a ela da sociedade e do governo lançam as pessoas umas contra as outras. Há interesses díspares entre aqueles (predominantemente velhos) que se sentem ameaçados pela doença e aqueles (predominantemente jovens) que não a temem, e interesses díspares entre aqueles que são prejudicados pelas medidas governamentais e aqueles que não são prejudicados (ou, nalguns casos, até são beneficiados) por elas. Temos portanto quatro grupos de pessoas, e todos eles tendem a ser egoístas e a acusar os outros três grupos de o serem.
Eu diria que, de facto, no momento atual aquilo que mais separa politicamente a sociedade portuguesa não é o ser-se de direita ou esquerda, é sim o estar-se de acordo ou contra as limitações impostas pelo governo.
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De Anónimo a 03.03.2021 às 18:24


Exacto, "Assim acontece porque o Estado, mais do que por não querer, foi impotente para responder a essa catástrofe".
E porque é que o Estado foi e é impotente para responder a catástrofes?. Porque o Estado (o partido socialista) interfere continuamente -com resultados negativos- na economia, tipicamente tributa demais desmobilizando a actividade privada criadora de riqueza e despende bem à sua maneira: com os seus interesses eleitorais.
O Estado sobreviveu calmamente à catástrofe.
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De Anónimo a 03.03.2021 às 18:55

pe·ral·ta


nome de dois géneros

Pessoa afectada na maneira de trajarde andar e de se comportar. = CASQUILHOJANOTA


"peralta", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/peralta (https://dicionario.priberam.org/peralta) [consultado em 03-03-2021].
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De Anónimo a 03.03.2021 às 20:00

Haver ou não haver coesão social é fruto das opções  e das prioridades políticas   -  é opção de governos;    criar condições sociais e económicas para combater a pobreza ou preferir aumentar o número de funcionários públicos e seus salários   -   é opção de governos;     acudir atempadamente a quem perdeu rendimentos como resultado de confinamentos tão radicais quanto irracionais ou preferir cativar despesa e poupar em período de emergência nacional,  provocando desequilíbrios e injustiças sociais    -  é opção de governos;   haver um país onde cidadãos vivem a velocidades
 diferentes em que uns são violentamente afectados pela pandemia e outros não o são, é resultado de políticas de fundo, estruturantes e cimentadas ao longo de anos   -  é opção de governos;  

É disparate e dos grande os "burgueses do teletrabalho" virem corrigir os fiascos permanentes deste governo. E a seguir vão pedir  "um dia de trabalho do nosso salário para o Estado" como já se fez nos idos do início da democracia?


Foram as políticas deste governo-estatista que, ao longo de anos a fio, nos conduziram à pobreza e às desigualdades. A pobreza é sempre, sempre o resultado do socialismo.  Mantê-lo  -  é opção dos cidadãos.






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De Anónimo a 03.03.2021 às 20:50

"como burguês do teletrabalho estou absolutamente sossegado que o Dr. Costa não lançará qualquer tipo de imposto extraordinário sobre os nossos rendimentos (...)

 As elites Socialistas sabem que a clientela fiel entre os funcionários públicos e reformados, que seriam maioritariamente atingidos pelo dito imposto extraordinário, é indispensável para manter o partido no poder".  -  Jorge Fernandes
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De Susana V a 03.03.2021 às 21:43

E os burgueses que além de fazerem o seu teletrabalho têm de acumular a profissão de professores e educadores de infância? Recebem 2/3 de cada emprego? Não esquecer que continuam a pagar as creches e as escolas... Não há forma de fazer justiça neste jogo de confinar. 
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De Anónimo a 03.03.2021 às 22:04

Portanto  se é para "ir buscar dinheiro onde o há",  talvez a SPeralta exorbitasse nos seus devaneios, uma vez que se esqueceu das empresas rentistas da órbita do Estado e doutras inviáveis e em pré-falência para onde se têm canalizado as quantias pantagruélicas que estão a fazer falta ao "sector social", por ex. Podia igualmente ter mencionado a falta de transparência do governo em relação à gestão do erário público, aos gastos dos impostos de todos nós,  (como, onde , em quê e porquê) uma das queixas do Tribunal de Contas.  A mesma SPeralta aproveitava o embalo e podia também questionar sobre os ajustes directos em marcha...
Entretanto, quem não quer viver na dependência do Estado tem a vida ensarilhada, porque o "Monstro" criado por este "Partido do Estado" tem como missão exactamente criar obstáculos e toda a sorte de entraves e dificuldades ao sector privado que podia gerar riqueza.
Mais  uma vez, infelizmente, vamos ter ocasião de confirmar que ter um governo socialista significa, mais uma vez , hecatombe pela certa. E enquanto os portugueses não interiorizarem isto...   Não vale a pena esperarmos por "bazucas", elas já têm destino. Continuaremos pobres cada vez mais pobres...
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De Anónimo a 04.03.2021 às 11:57

É imoral a sugestão da SP de se repartir a crise pelos burgueses do teletrabalho (a menos que se voluntariem para o fazer, e têm esse direito)  perante o escândalo de se  saber que o governo de um país em emergência nacional  fez por "arrecadar" uns milhões poupando em ajudas e nos apoios sociais previstos, que não fez chegar às pessoas.


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De Anónimo a 04.03.2021 às 12:08


Muito bem, é tudo verdade. Mas a pandemia não justifica tudo o que aqui se está a passar, pois ela aconteceu no mundo inteiro e com efeitos bem diferentes!  As opções políticas que se escavaram ao longo de anos e o conjunto de medidas que não se tomaram a tempo para fazer face à pandemia  « é que »  provocaram um desastre maior no nosso país, e causaram as situações de desequilíbrios sociais e económicos. Há muito que era um desastre anunciado, a pandemia só o precipitou.  Adivinhava-se, mas agora tornou-se mais difícil de ocultar.  É este e não outro, o enquadramento  e o contexto que conduziu o país ao desastre. 

 
 A gestão da pandemia feita pelo governo, ao longo do ano, tem sido aos ziguezagues, ao sabor das sondagens e influenciada pelas "tendências" e pela pressão social. Nem vale a pena insistir nisto, pois todas as contradições, erros e impreparação estão mais que registados e documentados.  
Um governo desnorteado e desorientado, evidentemente perdeu toda a  capacidade de tomar decisões com um mínimo de razoabilidade nos critérios, por isso optou pelo caminho fácil da medida «única» que se sabe: o confinamento puro e duro. Por conseguinte, o combate à pandemia  traduziu-se apenas em confinamentos de uma intransigência tão violenta como irracional.  


Conclusão, o resultado desta  "gestão" drástica não podia ser outro:  um arraso total na vida das pessoas e empresas, desapossadas de bens, dos empregos, dos rendimentos. E este é o ponto mais importante da questão:


 Pessoas  impedidas de trabalhar e sem apoio de prestações sociais, devido a medidas extremas da exclusiva responsabilidade do governo.


 Perante isto, não vejo qualquer sentido de justiça, porque não têm o dever de emendar os erros cometidos por outrem  _ sendo esbulhados do rendimento do seu trabalho _  os "burgueses" referidos pela economista Peralta e assacar-lhes as responsabilidades de corrigir os desequilíbrios que devem ser imputadas unicamente ao governo pela forma como "concebeu" o combate à crise.

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De Anónimo a 04.03.2021 às 13:14

Portugal está entre os 5 países mais confinados do mundo. 
 A saber os restantes : Peru, Mongólia, Barbados e Ruanda.
É o único país da Europa que tem a totalidade das escolas fechadas, sem horizonte à vista.


Está tudo dito. O país explica-se por si.

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