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Uma das diferenças fundamentais entre a esquerda e o conservadorismo reside na forma como encaram a natureza humana. A esquerda tende a adoptar uma visão rousseauniana, otimista, que acredita na bondade intrínseca do homem. O conservador, mais cético ou prudente, aproxima-se antes de uma leitura hobbesiana: reconhece que o egoísmo é um traço estrutural e que a generosidade é, muitas vezes, exceção e não regra.
É natural que, com o tempo, se percam algumas ilusões. Aos vinte, a paixão empurra-nos para a esquerda; com a vida, os seus choques e as suas lições, a razão costuma conduzir-nos a outras paragens.
Na visão idealista da esquerda, o ser humano trabalharia com igual afinco tanto para o bem comum como para benefício próprio. Um conservador sabe que isso não é verdade. Por isso não se surpreende com o fracasso reiterado dos regimes comunistas.
O mesmo se aplica ao multiculturalismo. Para a esquerda, as diferentes culturas coabitam em harmonia. O conservador, ou simplesmente alguém que tenha lido Samuel Huntington (O Choque das Civilizações), sabe que a realidade é menos idílica.
Isto significa que sou contra a imigração? Não, de forma alguma. Acredito, sim, que devemos receber os migrantes ao ritmo que a sociedade consiga integrá-los de forma digna e eficaz — e que, sempre que possível, se devem privilegiar culturas com um elevado grau de compatibilidade com a nossa, como as dos países africanos de expressão portuguesa ou o Brasil.
Uma das maiores perplexidades que o pensamento de esquerda me suscita é a incapacidade de confrontar os dogmas com os factos. No campo económico, por exemplo, o comunismo falha sistematicamente — mas há sempre alguém disposto a tentar mais uma vez.
Com o multiculturalismo passa-se o mesmo. A experiência da Suécia, da Holanda ou de França revela dificuldades sérias de integração e coesão social. Mas há sempre quem insista que "desta vez será diferente". Como aquele que, depois de levar um choque, volta a pôr os dedos na tomada, convencido de que, agora sim, nada se passará.
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Nada se salva, mas Corina ao menos, sabe o que faz...
A Máquina do PS tem sem dúvida, uma força tremenda...
Aplaudo e subscrevo integralmente, tudo o expresso...
diplomata ou ''o que vai só até 1/2 da ponte'' tem...
gostava de saber o que acontece às ''merdalhas'' a...