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A homenagem a Jorge Jesus no Brasil acompanhada ao minuto em Portugal, só vem reforçar o quanto os portugueses estão condenados à sua taquenha insegurança. Somos os mesmo que o Eça caricaturava nos seus romances no século XIX.

Desde que o treinador português, que foi do Benfica e depois do Sporting, pôs o clube do Rio de Janeiro, o Flamengo, a sagrar-se campeão do Brasil quando festejava a conquista da Taça Libertadores, que em Portugal se excedem em elogios rasgados a Jorge Jesus. São horas de diretos televisivos, páginas dos jornais, elogios nas redes sociais, exaltações de toda a ordem, comentários nas notícias online. Nem parecem os mesmos que quase o escorraçaram do Sporting, nem os mesmos que o criticavam no Benfica. 

Ainda me lembro de eu (sportinguista) ter ficado sozinha numa sala onde homens sportinguistas criticavam fortemente o então recém contratado treinador do Sporting. Não conseguia perceber, eu estava contente com a contração e fiquei mesmo com pena quando o Sporting perdeu Jorge Jesus. Mas os sportinguistas, cegos como sempre, criticaram-no à entrada e à saída. Ainda que os benfiquistas o criticassem eu percebo, foi sentido como uma traição o treinador trocar o Benfica pelo Sporting. 

Antes disso, quando se destaca enquanto treinador do Benfica, nem por isso os elogios abundavam. Nessa altura os portugueses nas redes sociais, os humoristas, os jornais, os opinion makers troçavam dos seus pontapés na gramática, do seu inglês de ZéZé Camarinha, da sua vaidade atabalhoada, do seu pensamento genuinamente pouco elaborado, da sua pastilha mascada violenta e grosseiramente. 

Quando Jorge Jesus foi para o Sporting, passei a reparar nele, e quando ouvia os seus discursos atabalhoados nas conferências de imprensa pensei, este homem é muito inteligente, e mesmo na sua forma rústica de falar, há ali alguma encenação estratégica. 

Jorge Jesus foi rei noutro país, e zás... Portugal passa a estender o tapete encarnado ao treinador. De autor do "peaners" passa a génio, a herói, a orgulho nacional. 

Os portugueses vêem mal ao perto e só enxergam bem ao longe.

Assim, ainda bem que alguém reconheceu Jorge Jesus. O técnico português, treinador do Flamengo, foi condecorado esta segunda-feira com o título de cidadão honorário da cidade brasileira do Rio de Janeiro. Jesus tornou-se o primeiro português a vencer um campeonato nacional na América do Sul, ao arrebatar, sem jogar, o título brasileiro pelo Flamengo.

Mas mais uma vez foi preciso o estrangeiro dar o certificado de qualidade para que os portugueses reconheçam o mérito no seu conterrâneo e isso não abona nada em favor do país. Portugal é um país que tem falta de auto-estima e por isso não consegue ser o primeiro a reconhecer o mérito. Os portugueses, como têm medo de arriscar e se comprometerem com um elogio, preferem a crítica e a sátira fáceis. Assim não se comprometem e (pior) não se sentem diminuídos. 

Este episódio só reforça a tese que se alguém tenta fazer alguma coisa melhor em Portugal, só encontra críticas, obstáculos, alianças negativas, invejas, adversidades. 

Portugueses, libertem-se dessas amarras antigas e não tenham medo de reconhecer genuinamente o mérito no vizinho ou, caso contrário, estarão sempre condenados a chegar sempre tarde aos acontecimentos, tarde à inovação, ao progresso e à mudança. 



12 comentários

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De Aurélio Buarcos a 25.11.2019 às 22:07

Cara Maria Teixeira Alves,
Antes de Jorge Jesus existiram outros treinadores que venceram no estrangeiro.
O maior de todos  Manuel José (o dos 7-1).
Venceu quatro campeonatos egípcios, quatro ligas dos campeões africanos para além de duas supertaças de África.
Não me lembro deste histerismo noticioso nessa altura.
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De JOTAPA a 26.11.2019 às 18:25

Não comparemos o Flamengo (Maior país de Língua Oficial Portuguesa, América do Sul), com o Al Hilal (País Árabe, África)!


É a mesma coisa que comparar 4 campeonatos da Liga Pro, com 1 campeonato da 1ª Liga!
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De Aurélio Buarcos a 26.11.2019 às 20:36

Cara pessoa JOTAPA,
Primeiro felicitá-la pelo seu lindo nome de baptismo.
Depois as considerações seguintes o Flamengo não é um país, o Al-Hilal, também, não.
O Egipto e o Brasil são países.
Qual será dos dois o mais importante do ponto de vista histórico?
O Brasil de Garrincha ou o Egipto de Ramsés II?
Leia (se calhar já existia Egipto antes de Moamé, digo eu, mas confirme, posso estar errado)
(para quem aprova estes comentários, às vezes é bom tomarmos partido, não faz sentido escondermo-nos sob o teclado, assumimos uma posição, temos de a defender, acompanhar o debate, ou os vários debates, Jorge Jesus tem mais títulos internacionais que Manuel José, sim ou não? O Egipto é, culturalmente, mais importante que o Brasil, sim ou não, e as pirâmides do Egipto são anteriores ao Corcovado ou mais recentes?)
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De JOTAPA a 26.11.2019 às 22:51

Se reparou na maneira como escrevi:

"Flamengo (Maior país de Língua Oficial Portuguesa, América do Sul), com o Al Hilal (País Árabe, África)", utilizei os parêntesis para salientar que, enquanto o Flamengo se encontra no Maior país de Língua Oficial Portuguesa (logo adquire essa importância acrescida, para os Portugueses) e a competição em causa joga-se na América do Sul (que tem um futebol ao mais alto nível - ver os Campeonatos do Mundo ganhos por países Sul-Americanos), por outro lado, temos Al- Ahly(e não Al Hilal), que milita no Egipto, (sem muitos pergaminhos, no que ao futebol diz respeito), assim como a competição Africana também não tem a mesma importância (ver os Campeonatos do Mundo ganhos por países Africanos).

Para bom entendedor…

Chamo também a atenção para o facto de estarmos a falar de futebol…

Peço desculpa por anteriormente não ter sido mais explícito.

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De Anónimo a 26.11.2019 às 10:56

s Portugueses têm o complexo de inferioridade relativamente ao estrangeiro.Concordo inteiramente com este magistral artigo.
Gonçalo sequeira Braga
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De Luís Lavoura a 26.11.2019 às 11:38

A Maria T.A. tem parcialmente razão neste post, mas só parcialmente. A razão pela qual Jorge Jesus não foi celebrado enquanto trabalhou em Portugal foi que uma vez trabalhou para o Sporting - e então os benfiquistas e os portistas não gostavam dele - e outra trabalhou para o Benfica - e então era detestado por sportinguistas e portistas. Ou seja, os seus triunfos nunca podiam ser universalmente aplaudidos, porque havia sempre clubes que os detestavam.
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De Anónimo a 26.11.2019 às 13:26

nunca foi contratado para Prof de Português


'por engano nasceu um país num local destinado a uma pastagem'
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De Jose Azevedo a 26.11.2019 às 20:01

Pois Maria, eis um artigo pobrezinho, mas "prontos". Cada um escreve como pode e sabe. Já por isso não escrevo (mas comento).


O JJ, se estivesse em Portugal, só se vencesse pelo meu clube é  que eu lhe dava valor, mas não tanto como essas duas vitórias num país gigante e principalmente do futebol, como se diz ou dizia.
É que o Brasil nunca aceitou jogadores ou treinadores estrangeiros pois pensava-se o maior.


Lembro-me qu há cerca de 40, 50 anos eles diziam: Portugal é um país simpático mas lá joga-se de tamancos e a bola é quadrada.  E de então para cá  nenhum treinador estrangeiro brilhou, longe disso.


Então, ele chegou lá e limpou aquilo tudo e revolucionou totalmente o futebol lá do sítio como ninguém de lá ou de fora tinha feito alguma vez.


Agora, espera-se que, depois o que conseguiu, venha para um clube que achar que dá, saindo de lá como herói.


Vivi e mais alguns milhares de portugueses, intensamente a sua (curta  mas fantástica) carreira naquele país. Se você não liga a estas coisas paciência.
Eu até, diga-se, nem ligo quase nada a futebol, nem lá vou, mas isto mexe com a gente.


Cumprimentos a todos.
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De Anónimo a 26.11.2019 às 20:17

Sem comentários. Depois de 16 finais, ganhou 7 e perdeu 10. Por favor, se o River Plate não tivesse confiado na vitória aos 87’ e o Palmeiras tivesse ganho, o jj nem era lembrado. Já chega.
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De Jose Azevedo a 26.11.2019 às 23:17

E viva o SLB !!!!!
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De Anónimo a 28.11.2019 às 12:37

Este sóbrio e eloquente texto parece-me elaborado na sua justíssima medida.
Lá está- os portugueses deveriam ler e apreender com mais atenção, mais pausadamente . Leem tudo de "fugida"; leem só porque sim...
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De Anónimo a 04.12.2019 às 11:09

Cara Maria Teixeira Alves


Este seu "post" não é mais que a confirmação do seu título:
Porquê esse seu elogio, agora e não antes,  a um treinador, que mais do que "ganhar camponeatos" na melhor equipa à época, que perdeu outros, que fala como um troglodita, e como resultado da sua qualidade de treinador, se viu uma equipa ( o flamengo) que durante oitenta minutos não conseguiu fazer uma jogada com princípio meio e fim.
Desculpe, mas nada mudou: o senhor continua a ser um belo espécimen dos trogloditas em que o futebol é rico.


Cumprimentos


Vasco Silveira


Melhores cumprimentos

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