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Portaram-se todos bem ontem?

por João-Afonso Machado, em 16.11.20

Já lá vai o primeiro fim de semana de castigo. Não sendo frequentador de cafés nem turista de montras e lojinhas, o efeito foi-me o mesmo, salvo quanto ao deprimente silêncio, e vazio, das ruas, na realidade quase apocalíptico.

Seguir-se-ão muitos mais similares castigos. Costa, que gosta de surpresas, só as irá anunciando às pingas, não vá o eleitorado enfurecer-se.

Depois foram as manifs dos lesados da restauração/bares: será que a sua ocorrência não anula os efeitos pretendidos com o dito castigo?

Provavelmente sim. O castigo não adianta - talvez até induza o agravamento da situação. Sucede - apenas... - o Governo perdeu o controle da pandemia. E entre deixar correr o marfim e mostrar trabalho, optou por desenhos caricatos.

A República habituou os portugueses a um País decidido e posto em marcha por decreto - algo de tentadora e deliciosamente servindo para desrespeitar. A classe política baniu do nosso Povo - pelo seu exemplo - a consciência cívica. E é sobretudo com este poder sobre nós próprios que se combatem pandemias e males quejandos.

O mais são miúdos, rapazolas,  fumando às escondidas.



7 comentários

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De Carlos Sousa a 16.11.2020 às 14:51

E até quando vamos permitir que o governo nos trate como miúdos, rapazolas fumando às escondidas?
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De João-Afonso Machado a 16.11.2020 às 14:55

Exactamente o que eu digo é que isso não depende do Governo, mas de nós próprios.
O Governo nunca nos conseguirá impedir, na totalidade, de fumarmos às escondidas.
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De JPT a 16.11.2020 às 17:08

O nosso tradicional engenho e arte (e o facto de sermos mais mulas que ovelhas) reflectiu-se nos almoços prestados (e consumidos) às 11h30 (hora à qual o vírus está, consabidamente, incapaz de contagiar quem quer que seja). Quem sabe se, depois de dois fins-de-semana assim, não vem aí um regresso aos bons hábitos madrugadores que se perderam com o fim da vida rural?
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De Vasco Silveira a 16.11.2020 às 18:13

"A classe política baniu do nosso Povo - pelo seu exemplo - a consciência cívica"...



Caro João


Esta frase não podia ser mais verdadeira.
Apenas receio que o mau exemplo venha mais de trás: desde 1580 possivelmente, ou,  mais cedo ainda, desde o reinado do Príncipe Perfeito.
A história acaba sempre por ter um tremendo rastro; só os inocentes é que acreditam que o mundo começou com eles.


Um abraço


Vasco
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De João-Afonso Machado a 16.11.2020 às 18:17

Meu caro Vasco:


Por acaso, estou em desacordo contigo. situo a coisa mais perto no tempo. Talvez desde o tempo do Sinédrio (1820) e daquela malta a quem Pulido Valente chamou, em título de obra piblicada, "Os Devoristas".


Grande abraço.
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De Anónimo a 19.11.2020 às 11:19


Caro João


Como calculas, não justificava a república, nas minhas cáusticas linhas: apenas receio que o espírito de "funcionário público", em contraponto ao de Serviço, seja muito mais antigo.
O excelente estudo do nosso conterrâneo de Vila do Conde, o Gonçalo Monteiro, "O Crepúsculo dos Grandes" reforçou-me um pouco essa opinião.


Fico à espera que me apites quando passares por Lisboa, e também do livro "minhotos, diplomatas e amigos" de autor que não precisa de referências.


Um abraço


Vasco
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De João-Afonso Machado a 19.11.2020 às 12:14

Caro Vasco:
Li e tenho esse bom livro, porque marca mesmo o declinio dos ditos grandes. Coisas que já vinham dos Descobrimentos, quanto a mim... e a Antero de Quental.


O dito livro... se ainda houver, ouemPonte de Lima ou aqui em Famalicão.
Vou saber, depois falamos
Grande abraço.

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