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Porque sobem os preços das casas?

por henrique pereira dos santos, em 01.07.25

Genericamente, os preços sobem porque a procura cresce mais depressa que a oferta.

A oferta cresce devagar porque o licenciamento é lento e incerto, porque a regulamentação de construção encarece as casas e porque o negócio de construção de casas a baixo custo é deficitário (entre outras razões, porque a regulamentação obriga a construir caro e a fazer desaparecer os terrenos que podem ser urbanizados).

A procura cresce porque há aumento da procura de novas habitações, incluindo a imigração de todo o tipo e porque as pessoas querem morar em circunstâncias melhores que os seus pais, para além do afunilamento do emprego em poucas cidades.

A que se soma uma indução da procura por parte de um sector do turismo pujante.

É muito frequente ler-se que os preços estão tão altos, que ninguém consegue comprar ou arrendar casas, um disparate monumental, porque para os preços subirem é preciso que haja compradores e inquilinos.

Talvez valha a pena, por isso, perder algum tempo a discutir esta procura, pondo de lado a tolice de que os preços sobem porque os donos das casas fazem o que querem (outro disparate, o dono de uma empresa é um escravo do mercado, não consegue fazer nada que implique não ter clientes).

Um dos problemas centrais na escassez de oferta e, sobretudo, numa oferta muito pouco transparente, é o problema da confiança: se eu não tiver a certeza de que ponho o inquilino fora se precisar da casa e que ele vai cumprir o contrato, perfiro não correr esse risco e mantenho a casa fora do mercado.

Ou, o que é mais vulgar, procuro um inquilino que me dê garantias que o Estado e o sistema de justiça não consegue dar.

Se tenho uma extensa lista de contactos e conhecimentos em meios com algum poder de compra e, frequentemente, com algumas casas, pode ser que esse conhecimento pessoal resolva o assunto, criando uma gritante diferença em relação aos mais pobres e, sobretudo, aos estrangeiros mais pobres, sem redes sociais de apoio (ou eventualmente, cujas redes de sociais de apoio são as máfias que os trouxeram e exploram).

Se sou muito rico, posso dar garantias materiais, mesmo que sejam informais por não cumprir a lei, e pagar rendas mais altas, criando uma gritante diferença para os que não são ricos.

Portanto, em primeiro lugar, um sistema opaco, com justiça lenta e poucas garantias para o dono da casa, tem como  consequência partir o mercado entre os segmentos altos e baixos, pressionando os preços para cima e levando ao desinteresse pelo mercado de segmentos mais baixos.

Do lado da aquisição, e passando por cima do problema dos terrenos em que se pode construir, a regulamentação de áreas, isolamento, infraestruturação, materiais e etc., que existe, tende a fazer com que as casas sejam caras, razão pela qual, se eu tiver os trocos para investir em construção de casas, vou apontar para os segmentos altos, esquecendo os outros segmentos do mercado.

Por fim, e não menos relevante, razão pela qual há muitos anos eu defendo a transferência da capital de Portugal para Castelo Branco, a macrocefalia do país, com forte concentração económica em Lisboa, Porto e Algarve, cria uma pressão desmesurada nessas áreas, porque as pessoas estão onde está o emprego (e investir em transportes, casas de renda acessível, serviços públicos, etc., para resolver esta questão, acentua o problema, não o resolve).

Mesmo situações relativamente simples (sublinho o relativamente) de pessoas que se reformam, poderiam vender a sua casa em zonas pressionadas e ir viver para zonas com melhor qualidade de vida, beneficiando da diferença de preço das casas (o que permitia a disponibilidade de um pé de meia muito catita), acabam por ter uma expressão mínima, dada a rigidez do mercado (os exemplos que conheço são de pessoas que sempre se sentiram exiladas nas grandes cidades ou pessoas que, perante a dificuldade dos filhos arranjarem uma casa, acabam por levar a sério a hipótese de ir viver para uma casa secundária, entregando a casa principal à família).

Uma das principais razões para não se controlarem preços de casas nas grandes cidades é mesmo pressionar as empresas a investir em escritórios e fábricas noutras zonas do país, o que lhes permite ter trabalhadores com muito melhor qualidade de vida com os mesmos ordenados, já que o preço das casas é substancialmente mais baixo.

O preço das casas tem subido muito, isso é bom porque nos torna, à maioria, muito mais ricos, mas tem um problema sério para o acesso à primeira habitação, só que impedir administrativamente a subida das rendas e das casas é a pior maneira de lidar com o problema.

Levar empregos para fora das zonas mais pressionadas, aumentar a oferta, diminuir a regulamentação que encarece as casas (incluindo a fiscalidade associada, mas não é esse o problema central) é incomparavelmente melhor como resposta ao problema que se pretende resolver.


48 comentários

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De antonio sergio a 01.07.2025 às 10:56

Boa análise. O problema da habitação começa por ser um problema de ordenamento do território. Fora do litoral e 3 ou 4 cidades mais interiores, Portugal é como um grande deserto, abandonado, sem gente. Em muitas dessas zonas ainda existem casas "baratas", sobretudo para compra/remodelação, mas falta emprego, educação, boas vias de comunicação, acesso a cuidados médicos. Mas a resolução necessita medidas estruturais, não compatíveis com calendários eleitorais. E assim andamos nisto, em medidas de cuidados paliativos. 


 
 
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De Anónimo a 01.07.2025 às 12:06


Fora do litoral e 3 ou 4 cidades mais interiores, Portugal é como um grande deserto, abandonado, sem gente.


Não é só Portugal, Espanha é a mesma coisa.


Em Espanha há um movimento político, España vaciada, que protesta contra este estado de coisas.


Das 10 maiores cidades de Espanha, 8 ficam no litoral (incluindo uma, Sevilha, que não é bem no litoral mas a 50 km por barco dele). Uma das que não ficam no litoral é Madrid, que no entanto é uma cidade com uma localização artificial.
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De Anónimo a 01.07.2025 às 11:21


Concordo totalmente com o post.
A razão porque nos últimos anos o preço das casas tem subido muito rapidamente é que a "imigração de todo o tipo" também subiu muito rapidamente (as outras razões para a subida do preço mantiveram-se mais ou menos invariantes), fazendo aumentar a população total. Realço que a "imigração de todo o tipo" abrange tanto pessoas vindas de países pobres (tipo Bangladeche) como pessoas vindas de países ricos (tipo França), e abrange tanto pessoas sem nacionalidade portuguesa como também pessoas com nacionalidade portuguesa mas que até agora viviam no estrangeiro.
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De Ricardo Abreu a 01.07.2025 às 11:39

Com a crise financeira de 2010-2014 perdemos uma série de pequenos promotores imobiliários que construíam, essencialmente na periferia de Lisboa, vendendo a preços competitivos porque havia oferta e o credito era acessível. Juntou-se ainda a entrada em vigor a regulamentação sobre a certificação energética de edifícios que trouxe um aumento dos custos de construção.
Presentemente quem constrói habitação são grandes empresas de construção, DST, Casais e por aí adiante... mesmo a habitação pública a "custos controlados" é adjudicada a estes empreiteiros. 
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De Anónimo a 02.07.2025 às 09:14


O problema não será a perda de promotores imobiliários. O problema será mais a perda de trabalhadores.
Com menos promotores imobiliários não se constrói necessariamente menos prédios, mas com menos trabalhadores certamente que sim.
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De cela.e.sela a 01.07.2025 às 11:42

F. A. HAYEK in LA FATAL ARROGANCIA Los errores del socialismo
nuestra civilizacion depende, tanto en sus origenes como en su mantenimiento, de la existencia de lo que solo con relativa precision puede dcscribirse como «un amplio orden do cooperacion humana», mas conocido por el poco afortunado termino «capitalismo». Para captar adecuadamente el intimo contenido del orden que caracteriza a la sociedad civilizada, conviene advertir que este orden, lejos de ser fruto de designio o intencion, deriva de la incidencia de ciertos procesos de caracter espontaneo. Vivimos en una sociedad civilizada porque hemos llegado a asumir, de forma no deliberada, determinados habitus heredados de caracter fundamentalmonte moral, muchos de los euales han resultado siempre poco gratos al ser humano —y sobre cuya validcz e intrinseca eficacia nada sabia
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De Anonimo a 01.07.2025 às 11:59


Um dos problemas portugueses é o da dispers~ao demográfica, a que se junta uma rede de transportes sofrível. Há pouco tempo andei pela Alemanha e fiquei abismado como qualquer buraco tinha uma Autoestrada (grátis) a meia dúzia de metros. Mesmo os centros urbanos, com excepção de Braga, têm perdido população. Um passo poderia ser descentralizar os serviços, mas é relembrar o que disseram quando o Santana o propôs (ou quando se teve a ideia de pôr o Constitucional em Coimbra).
Faz-me impressão como por exemplo o Algarve não é um centro industrial. Milhares de camones nórdicos matavam-se para vir trabalhar para a borda da praia, com bom tempo o ano todo. Infelizmente o lobbying empresarial resume-se a Lisboa e Porto.
Quanto a preços não sei causas certas. Materiais mais caros, inflação, mas não explica tudo. Procura?  Quiçá em Lisboa (que leva com imigrantes, migrantes, estudantes, turistas, e pessoas sem residência no concelho mas que trabalham lá), mas e em Coimbra, Leiria ou Viseu? As pessoas saem, e mesmo assim os preços sobem. Comprei nos arrabaldes de Coimbra (que já há 15 anos no centro ou parecido nem cheirava), hoje valeria nova o dobro... posso entretanto vender por 50% ou 50% mais, faço lucro... mas também fico sem onde morar. A não ser que vá para uma das terreolas bem longe.
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De lucklucky a 01.07.2025 às 18:00

Não esquecer a inflação. 4% de inflação durante 10 anos é mais 50% no preço.
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De Anonimo a 01.07.2025 às 22:15

Quanto a preços não sei causas certas. Materiais mais caros, inflação, mas não explica tudo.
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De Dário Pimpão a 01.07.2025 às 14:03

Excelente análise! limpinha...
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De Carlos barradas a 01.07.2025 às 17:29

Analise fraca e errada aqui do corta xuxas.
Na merdosa zona arrebaldes Lx onde moro e nas proximidades há cerca de 7 anos uma moradia em mau estado custava cerca de 130 mil euros , agora pedem 650 mil . isto nem sequer é especulação imobiliaria , é  palhaçada gananciosa asquerosa ! Quem arruinou a terreola foram os migrantes , antes deles a terreola lá ia funcionando...curiosamente,muitos dos agentes imobiliarios são imigrantes brasileiros e africanos e nao se importam de alinhar neste absurdo. Tambem,grande parte dos agentes imobiliarios são mulheres , os seus maridos sustentam a casa e elas andam nisto porque o investimento è zero , umas fotos nuns sites imobiliarios de listagem gratis e um deposito de gasoleo por mês e tá feito...dá cá 650 mil marmitas.
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De henrique pereira dos santos a 01.07.2025 às 20:58

Se uma casa custa isso, é porque alguém está disposto a pagar esse valor pela casa.
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De Anonimo a 01.07.2025 às 22:16

Alguém pagará. Eventualmente. 
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De henrique pereira dos santos a 02.07.2025 às 08:31

Se ninguém pagar, para a vender, o preço tem de baixar.
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De Anonimo a 02.07.2025 às 12:19

Ou esperar que o mercado ajuste.
Decerto conhece, como todos, imóveis "parados" há anos.
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De henrique pereira dos santos a 02.07.2025 às 13:49

Vender a preços mais baixos é a forma de ajustamento do mercado.
Esperar para ver se a coisa melhora só faz sentido quando o rendimento que se consegue obter no mercado de arrendamento é mais baixo que a valorização da habitação, o que acontece em Portugal, frequentemente, porque o mercado de arrendamento é uma treta e os riscos associados são muito altos porque para tirar uma pessoa de casa é o cabo dos trabalhos (e só funciona se a pessoa não for velhinha ou outra coisa qualquer que o Estado decida).
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De Anonimo a 03.07.2025 às 17:31

Pois, não sei se faz sentido ou não. 
Vejo imóveis com preço X por vender. O preço não baixa. Tenho de avisar os promotores que não faz sentido.
No bairro em que comprei casa, no meu prédio andava 120-150k, uns blocos abaixo a mesma tipologia era 180k. O empreiteiro disse que não contava vender logo, mas podia esperar...
(e teve propostas)
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De lucklucky a 01.07.2025 às 18:01

Um problema de que não se fala na construção é o aumento do custo do trabalho e a disponibilidade de trabalhadores, junto com a sua regulação.
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De Filipe Costa a 01.07.2025 às 18:37

Comprei casa há 20 anos, agora vale o triplo, é normal, a inflação em 20 anos assim oblige.


A casa é grande, vivo sozinho, mas a casa é minha. Há tempos um comuna queria meter-me em tribunal porque eu não precisava de uma casa tão grande. Maldita esquerda, só cobiçam o alheio.
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De Anónimo a 02.07.2025 às 11:08


A casa é grande, vivo sozinho, mas a casa é minha.


Pode rentabilizar a casa arrendando partes dela (quartos). Procura não falta...


Também a pode rentabilizar vendendo-a e comprando outra mais pequena.


Em qualquer dos casos, além de encher a sua carteira, ajudaria a sociedade, disponibilizando a quem dele precisa o excesso de espaço da sua casa.
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De Anónimo a 01.07.2025 às 19:56

"porque para os preços subirem é preciso que haja compradores e inquilinos", estrangeiros e investidores, sendo que para os ultimos as casas são um produto financeiro.
Aumentar a oferta? Sim, mas até onde é preciso a oferta crescer para os preços estabilizarem e até baixarem.  Portugal neste momento é um centro de investimento imobiliário à escala  mundial, a que se alia o "turismo pujante", o que está a deixar os indigenas em maus lençois por os mesmos não terem a capacidade financeira dos investidores e restantes cidadãos europeus, asiaticos e americanos, para os quais os preços até são acessíveis.
É óbvio que quem aluga ou vende o tente fazer pelo melhor preço, é legitimo, é lógico, qualquer um faria o mesmo. A consequência é que cada vez mais portugueses estão fora do mercado da habitação.
Num prédio cuja situação conheço, de 15 apartamentos, 3 estão às moscas na mão de estrangeiros. Outros dois arrendados a organizações estrangeiras que operam em Portugal e servem de alojamento a funcionários quando precisam de estar em Portugal. Nem vale a pena falar de preços.
Portanto a oferta se aumentar vai continuar por muito tempo a alimentar situações deste tipo. E os portugueses ... enfim, andam por aí.
"Levar empregos para fora das zonas mais pressionadas,", sim é boa ideia, e a par dos empregos, as infraestruturas de suporte à vida das pessoas, e já agora, melhores salários.
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De henrique pereira dos santos a 01.07.2025 às 21:00

O mercado de estrangeiros e fundos não representa 5% das transações, logo, o seu argumento não tem base na realidade.
Mas mais extraordinário é dizer que o aumento da oferta faz subir os preços, se conseguir demonstrar, ganha o Nobel da economia (que, aliás, nem existe).
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De Anónimo a 01.07.2025 às 21:52

Enquanto a oferta não equilibrar a procura, mesmo que aumente, os preços vão continuar a subir. Obviamente que não é o aumento da oferta que faz subir os preços e sim continuar abaixo da procura. É o que está escrito, lamento que não tenha conseguido perceber.
 "(que, aliás, nem existe).", mas há algo que existe e é factual, é a impossibilidade da maioria da população portuguesa não conseguir ter acesso ao mercado da habitação. Os que tem casa, já a tem há muitos anos porque agora com os rendimentos actuais estariam fora do mercado como os que estão a tentar obter o seu primeiro lugar para viver, seja arrendado ou comprado.
Lamento se não compro as suas teorias faceis de que sem impostos e melhoria dos processos para construção à farta tudo se resolvia.
É como numa guerra uns combaterem com espingardas e outros com fisgas.
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De henrique pereira dos santos a 02.07.2025 às 08:33

70% dos portugueses são donos da sua própria casa, e 87% das transações de casas, actualmente, têm como compradores famílias portuguesas.
O seu problema é não concordar com a realidade, não é nada comigo.
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De Anónimo a 02.07.2025 às 11:52

A realidade é que eu tive como herança a possibilidade de me formar. Eu e penso que uma boa parte dos que se formaram.
Seguindo a via standard continuei a trabalhar após a formação, uma vez que trabalhei enquanto estudei, e adquiri habitação.
Os meus filhos também fizeram percurso semelhante ... no estrangeiro, cá não foi possível.
Olhando para o meu passado e para a actualidade do mercado imobiliário, eu também não teria conseguido.
Infelizmente esta é que a realidade que assola boa parte da população.
Não vou contrapor numeros porque para o fazer teria de perceber como são obtidos por um lado e perceber porque de certa forma chocam com a realidade.
A sua realidade são os numeros sem perceber como são obtidos, a minha é a constatação do dia a dia da vida de muitas pessaoas a começar pelo meu exemplo.
Nada tenho contra o liberalismo e auto regulação do mercado, mas a realidade mostra que por si só não está a resolver, bem como faltam os requisitos para que tal sistema vingue. E não, não são o agilizar os processos e eliminação de impostos.
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De henrique pereira dos santos a 02.07.2025 às 13:51

Como já tem filhos que se formaram, é bastante seguro afirmar que se vive hoje muito melhor que na altura em que se formou.
Agora, quando alguém acha que tem de ir discutir com o Instituto Nacional de Estatística como são obtidos os números (coisa que está sempre, sempre explicada), não vale a pena continuar a conversa porque jamais conseguirei fazer com que os factos influenciem as suas ideias.
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De Anónimo a 02.07.2025 às 15:18

Sim, ficamos por aqui. Quanto aos numeros, ou eu expliquei-me mal ou então  não percebeu.
Só um exemplo: 70% vivem em casa própria, pergunto qual a percentagem dessas casas tem jovens a viver com 25 ou mais anos, ou familiares / outros que "normalmente" teriam o seu prório alojamento.
Percebeu agora que os numeros devem ser analisados?
Obrigado pela troca de ideias.
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De henrique pereira dos santos a 02.07.2025 às 15:48

Mas sobre isso o texto é claro: há um problema sério de acesso à primeira habitação, não percebo a sua questão.
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De Anónimo a 02.07.2025 às 22:04

A minha questão é o problema vai para além de acesso à primeira habitação. Muitas pessoas que em tempos compraram casa, eu por exemplo, se hipoteticamente hoje quisessem comprar casa não conseguiriam. Para que tal acontecesse os preços teriam de baixar bastante ou os rendimentos teriam de aumentar bastante.
Não sei, e tenho algumas duvidas, que o aumento da oferta só por si, resolva a situação que descrevi. Razão pela qual as pessoas emigram, conseguem no estrangeiro fazer o que cá não conseguem, porque os rendimentos são comportáveis, por exemplo, com o preço da habitação.
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De henrique pereira dos santos a 03.07.2025 às 09:08

Está totalmente enganado, não há problema para além do acesso à primeira habitação, uma pessoa como a que descreve tinha, naquela altura, muito maior dificuldades em comprar uma casa (o mercado de arrendamento nem sequer existia, estava totalmente bloqueado).
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De Anónimo a 03.07.2025 às 09:48

Leu "Muitas pessoas que em tempos compraram casa, eu por exemplo, se hipoteticamente hoje quisessem comprar casa não conseguiriam"?


"naquela altura", conseguiram, agora não conseguem. Se não quer acreditar, está no seu direito. Achar que os preços praticados na atualidade  em Portugal estão compativeis com os rendimentos, e que outrora é que não estavam é não querer ver a realidade.
É muito simples, houve perda de rendimento por parte de uma faixa significativa da população . A expressão "a classe média está a desaparecer", é por si conhecida?
"o mercado de arrendamento nem sequer existia", sim é verdade, e o preço de uma renda rondava o de uma prestação ao banco, pelo que a maioria comprava, daí os tais 87% em casa própria, cuja grande maioria das compras ocorreu há mais de 10 anos. . Hoje nem compra, nem arrendamento, porque não há capacidade financeira.
Mas venha a oferta, duvido que os preços baixem, talvez estabilizem, e ao ritmo a que os rendimentos em Portugal evoluem, não me atrevo a prever uma data a que o mercado volte a 15 anos atrás.
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De henrique pereira dos santos a 03.07.2025 às 11:17

Está a ver por que razão deito tantos comentários para o lixo (ainda agora deitei uns quantos que se limitam a repetir, vezes sem conta, que o que é preciso é acabar com serviços públicos, sem qualquer argumento relevante)?
A alternativa é isto, é entrar em discussões intermináveis com quem não está interessado nos factos e faz afirmações só para contrariar: os 87% de transações de compra e venda de habitação feita por famílias portuguesas é das transacções mais recentes (a percentagem aumentou, embora pouco, provavelmente por causa das medidas do governo que facilitam a compra por jovens, diria eu, mas faltam-me dados para ter a certeza), não é dos últimos dez anos.
O mercado da habitação tem dados pormenorizados desde há muito, portanto, quando digo que hoje a situação da habitação é muitíssimo melhor do que era há vinte ou trinta anos, não é uma questão de opinião, é um facto comprovado pelos dados disponíveis, embora seja verdade que o preço da habitação subiu o dobro dos ordenados nos últimos sete ou oito anos, criando um problema sério de acesso à primeira habitação, porque a alternativa, que é o mercado do arrendamento, é completamente disfuncional e gerador de desconfiança por parte dos proprietários.
E eu não estou mesmo interessado nestas discussões infindáveis com quem se recusa a começar por aceitar a realidade, escondendo-se atrás de argumentos sobre a falta de qualidade dos dados, que se recusa a ir estudar.
Eu nunca falei em baixar o preço das casas, mas sim em diminuir o desequilíbrio actual entre oferta e procura, resolvendo parte dos constrangimentos ao crescimento da oferta.
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De Anonimo a 01.07.2025 às 22:21

Claro que é extraordinário, tudo o que contradiga os seus preconceitos é extraordinário. O nobel não existe porque o Alfredo era um socialista anti lucros. 

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