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Porquê? Para quê

por henrique pereira dos santos, em 21.05.20

"O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou esta quarta-feira que há ainda um “longo caminho pela frente” em relação à Covid-19, afirmando que só nas últimas 24 horas foram reportados 106 mil novos casos. “É o maior número num único dia desde o início do surto. E quase dois terços desses casos foram relatados em apenas quatro países”, disse o responsável numa conferência de imprensa"

Vamos admitir que os números citados são mesmo estes (não é o que diz o gráfico abaixo mas são pequenas diferenças irrelevantes), o que resta é perguntar: por que raio continua este senhor a insistir na tese "the worst is yet to come"?

casos.jpg

Olhando para o gráfico do número de casos diários, é evidente que não está em crescimento e, muito menos, em crescimento relevante.

O número de casos é fortemente dependente do número de testes, portanto, para ver a evolução global da epidemia, o melhor é olhar para a mortalidade.

mortos.jpg

Como é evidente no gráfico da mortalidade, a epidemia não está em crescimento, pelo contrário, está num evidente abrandamento (se amanhã acelera outra vez não sabemos, a mim não me parece provável, mas não passa de achismo, o certo é que não sabemos).

O que estranho é que é evidente que o Secretário-Geral da Organização Mundial de Saúde sabe isto perfeitamente. É verdade que alguém que acha boa ideia nomear Robert Mugabe como embaixador da boa vontade da organização tem com certeza um défice de compreensão do mundo mas, mesmo assim, eu não entendo a vantagem procurar apresentar como ainda mais difícil uma situação que é, forçosamente, complicada, como qualquer epidemia é.

"We have seen the infection grow, turn around and go away almost like clockwork. Different countries had different policies and yet what we have observed is a uniform pattern of behaviour. The driving force was the build up of imunity. That is a much simpler explanation than the ones that need a varying lockdown in every country to have the same effect."

Sunetra Gupta, desde muito cedo, contestou de forma muito fundamentada o modelo do Imperial College e a ideia dominante de que é possível, e mesmo que o seja, desejável, controlar com uma epidemia através de medidas não farmacêuticas profundamente disruptivas para o funcionamento da sociedade.

Neste parágrafo sintetiza bem o essencial da discussão teórica: para quê procurar explicações complicadas que precisam de ser adaptadas situação a situação quando existe uma explicação clássica para interpretar os dados que se verificam em todo o lado?

Claro que os gráficos do post não mostram a descrição do parágrafo citado porque essa explicação aplica-se localmente a cada surto, o que é disfarçado nos números globais que juntam diferentes surtos, em diferentes localizações e em diferentes tempos.

Também não explica a intensidade do ataque da infecção em cada ponto.

Mas que é a explicação mais simples para o conjunto da epidemia, isso é.

Qual é então a utilidade de continuar a vender a ideia de que o apocalipse é amanhã?



11 comentários

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De Eremita a 21.05.2020 às 20:14

Não comento o catastrofismo, mas convém lembrar que a sua explicação simples é aquela que o levou a prever o fim da epidemia nos EUA para 21 de Abril. Noto que continua com a bazófia intacta, o que não deixa de ser admirável. 
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De Anónimo a 22.05.2020 às 10:56

Ao catastrofista residente se calhar far-lhe-ia bem sair da concha onde se enfiou e assistir à excelente entrevista da Sunetra Gupta
https://www.youtube.com/watch?v=DKh6kJ-RSMI&feature=youtu.be&fbclid=IwAR2fuM4ZlDRmkXqrPurwbbwVppcIl-hbkhetlI90TSHGW0sVkI2NZn0THCY (https://www.youtube.com/watch?v=DKh6kJ-RSMI&feature=youtu.be&fbclid=IwAR2fuM4ZlDRmkXqrPurwbbwVppcIl-hbkhetlI90TSHGW0sVkI2NZn0THCY)

Ou também nesse mesmo site a entrevista feita ao Michael Levitt
https://www.youtube.com/watch?v=DKh6kJ-RSMI&feature=youtu.be&fbclid=IwAR2fuM4ZlDRmkXqrPurwbbwVppcIl-hbkhetlI90TSHGW0sVkI2NZn0THCY (https://www.youtube.com/watch?v=DKh6kJ-RSMI&feature=youtu.be&fbclid=IwAR2fuM4ZlDRmkXqrPurwbbwVppcIl-hbkhetlI90TSHGW0sVkI2NZn0THCY)



A existência de abordagens e conclusões muito díspares entre cientistas de topo não é de surpreender nem sequer é questionável, faz parte do processo natural da procura do conhecimento. O que é verdadeiramente chocante é o facto dos órgãos de comunicação social e instituições públicas ou pseudo-independentes um pouco por todo o mundo, terem embarcado numa campanha em que apenas é aceite e retransmitido, ad nauseam, uma visão estreita e catastrofista. E que, curiosamente, cada vez mais parece emergir como errada!
Como disse o Levitt, citando Sócrates (o de Atenas, não o da Covilhã!) "usem o voss senso comum em vez de seguirem cegamente a retórica dos líderes"
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De Eremita a 22.05.2020 às 13:40

Estou fascinado com a atenção que agora dão a Sunetra Gupta. Muito cuidado, porque a senhora faz modelos e o Henrique diz que os modelos são coisas demoníacas, apesar de usar abundante e criativamente os números de mortes devido à gripe, que resultam de modelos. Muito cuidado mesmo, porque para quem gosta de criticar as previsões falhadas dos epidemiologistas, relembro que uma das simulações de Sunetra Gupta dizia que 68% da população do RU seria seropositiva em meados de Março, ainda antes de as infecções terem disparado. Mas com cherry-picking consegue-se ir compondo uma realidade à nossa maneira. 
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De Anónimo a 22.05.2020 às 14:23

O meu amigo não me parece que se tenha dado à maçada de assistir às entrevistas, mas também não esperava que o fizesse considerando as suas ideias preconcebidas e tão solidamente cristalizadas.
Não discordo da falibilidade dos modelos, muito pelo contrário. Não resistindo a recorrer a um famoso aforismo, os modelos estão sempre errados mas às vezes são úteis. Nem sequer daria à partida mais crédito à Sunetra Gupta do que ao Prof. Neil "Lockdown" Ferguson. São ambos epidemiologistas a trabalhar em instituições de investigação de topo no UK.
É perfeitamente possível, e eu não vejo nenhum problema nisso, que a Gupta e os seus modelos estejam bastante errados. Agora o que não podemos ignorar é que o modelo "Ferguson" cada vez mais parece estar não apenas errado mas estratosféricamente errado, e foi usado com interpretação à letra para a tomada das medidas que todos conhecemos.
Mas aquilo que eu acho verdadeiramente chocante nem sequer é isso, erros todos cometem... mas antes a "panelinha" generalizada orquestrada por políticos e meios de comunicação-social "mainstream" no sentido de silenciar o debate, isso sim acho vergonhoso. E assustador.
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De Eremita a 22.05.2020 às 19:31

Não sei de onde tirou a ideia de que defendo o modelo do Ferguson. Uma coisa é certa: o Ferguson é criticado por ter previsto um número de mortes (exagerado, admito) que não se verificou, mas as pessoas esquecem que geralmente se referem ao pior cenário (o "do nothing"), que também não se verificou (porque foram tomadas medidas). Se em vez das 500 000 mortes o modelo tivesse naquela altura previsto 50 000 mortes, provavelmente teria sido igualmente influente. Quanto ao modelo da sua querida Gupta, não é "perfeitamente possível" que esteja bastante errado, é hoje claro que não havia 65% de seropositivos em meados de Março e que o modelo estava erradíssimo (usando os critérios da imprensa e redes sociais, que passam por dar apenas atenção aos casos extremos dos modelos), caso contrário não teria depois havido uma expansão da epidemia. Aliás, em países europeus que tiveram um número de mortes da mesma ordem de grandeza do RU, a percentagem de seropositivos em meados de Abril não chegava aos 5%, o que sugere que em meados de Março a % no RU seria bem inferior. E assim se demonstra que o erro da querida Gupta foi de pelo menos uma ordem de magnitude. Será um erro estratosférico? Troposférico? Exosférico?  Ora, tendo em conta que mesmo com lockdown o RU já conta mais de 36 mil mortes oficiais (as reais serão mais), não custa acreditar que sem lockdown estaríamos já acima dos 50 000. Por outras palavras, a Gupta errou mais do que o Ferguson mas está obcecado com o Ferguson porque querem fazer do homem o bode expiatório de decisões que pertencem a políticos. 


Quando a essa novela da "panelinha", etc., não tenho nada a acrescentar porque nem sequer discordo do que escreve.  
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De Anónimo a 23.05.2020 às 10:38

Atribui-lhe o epíteto de catastrofista simplesmente por ser um acérrimo defensor da estratégia de confinamento que foi adoptada. Uma vez que estas medidas foram tomadas em resposta a um conjunto de previsões (largamente baseadas no tal modelo Ferguson) que eram catastrofistas, logo a associação surgiu de forma lógica, mesmo admitindo que possa achar injusta ou exagerada a carapuça.
Que o Ferguson estava não apenas muitíssimo errado, acho que já ninguém tem dúvidas, aliás o modelo baseou-se numa taxa de mortalidade fixa de 15%! Não me parece um detalhe de somenos que afinal no UK em vez de morrerem 500,000 só vão morrer 50,000... é muito diferente e justificaria medidas proporcionalmente diferentes. Sim são muitas, mas são "apenas" pouco mais do dobro das que morrem anualmente de gripe. Com pormenor de que a gripe mata 3 vezes mais abaixo dos 65 anos! Não estou a menosprezar vidas nem idosos, mas faz algum sentido que morrerem 20 ou 30 mil é uma coisa perfeitamente normal e a que ninguém liga, mas morrerem 50 mil já é um cataclismo que obriga a parar o mundo e em consequência empurrar milhões para desemprego, miséria, fome e números enormíssimos de mortes indirectas? Só pode estar tudo doido?! Não, estas medidas só faziam sentido porque se acreditou piamente no modelo inicial que previa as tais 500,000 mortes no UK e distribuídas por todos os estratos etários da população. Isto foi uma fraude!


É possível que a Gupta tenha também cometido erros garrafais e previsões absurdas que não se confirmaram. Contudo, foi no modelo Ferguson que muitos Governos se basearam.
A Gupta nesta entrevista levanta algumas questões e possibilidades que me parecem muito interessantes, e que serão brevemente postas à prova. Ela sugere que muitos de nós tenhamos sido expostos ao vírus antes e durante as várias fases do Lockdown, e que possa existir uma resistência natural ao vírus em muita gente, que não irá necessariamente desenvolver anticorpos mas dificilmente serão infectados - ou seja nem sequer serão seropsitivos. Isto faria com que a infecciosidade do vírus estivesse a cair a pique, qualquer que fosse o nosso comportamento. Por outras palavras, será a tal heteregeneidade da transmissão que não exigiria uma imunidade de grupo na ordem dos 60% nem nada que se pareça. Nesta ordem de ideias o lockdown chegou tarde e foi inútil.


Será um disparate o que ela diz, tão errado como a previsão do Ferguson? Se calhar é asneira, eu não sou especialista da matéria e ambos são epidemiologistas, em Oxford e no Imperial College. Julgo que nenhum de nós tem argumentos para esgrimir com qualquer deles em pé de igualdade.
Contudo, somos espectadores atentos e é fascinante o facto de que em breve poderemos assistir a alguma testagem empírica destes dois modelos extremos:
1) Se os proponentes dos confinamentos estiverem certos, nós vamos agora assistir à chegada da segunda vaga em todo o mundo, e que esta será proporcionalmente mais intensa e mortal consoante o grau de desconfiinamento nos vários países e regiões.
2) Se a teoria da Gupta estiver correcta, iremos antes assistir a uma continuação praticamente inalterada da situação, com diminuição sustentada dos casos até ao desaparecimento da epidemia, e sem correlação com o grau de desconfinamento, apenas com a fase de evolução natural em cada local.


É até possível que a realidade se venha a revelar algo híbrida, veremos.
Eu por mim estou inclinado a acreditar que a Gupta está mais próxima do prognóstico certo. Acredito muito numa certa resistência natural de determinadas pessoas e populações a agentes patogénicos que incidem nas vias respiratórias, muito influenciado por hábitos e exposição a poluição atmsférica etc. Mas admito que estou a especular e a atirar postas de pescadas para o ar - às vezes não resisto a ser treinador de bancada, espero que me perdoe.


Enfim, vamos ver como isto evolui, e se são os catastrofistas ou os relaxados quem tinha razão?!
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De Eremita a 24.05.2020 às 08:16

"1) Se os proponentes dos confinamentos estiverem certos, nós vamos agora assistir à chegada da segunda vaga em todo o mundo, e que esta será proporcionalmente mais intensa e mortal consoante o grau de desconfiinamento nos vários países e regiões."


Não leve a mal, mas perdi a paciência para discussões em que se questiona o efeito o confinamento. As evidências são tantas, antes da COVID-19 e durante esta epidemia, que me parece francamente absurdo continuar a alimentar esta discussão. Qualquer dia estamos a pôr em causa os benefícios de uma quarentena. Já perdi muito tempo a discutir com o HPS este tema e se quiser saber o que penso pode ir ler o que escrevi nos comentários aos posts do Henrique. De caminho, pergunte ao Henrique ou diga-me como foi que a epidemia desapareceu na China em pouco mais de um mês desde o momento em que começou a subir a sério, tendo causado menos de 5 mil mortos, enquanto nos EUA já está perto dos 100 mil e número de mortos cresce há pelo menos dois meses desde que começou a crescer a sério. É porque a poluição na China torna os chineses menos vulneráveis ou foi porque a China pôs em prática um esquema de confinamento sem precedentes? Não estou a defender o que os chineses fizeram e seria impensável aplicar o mesmo modelo em países democrático, mas dizer que o plano dos chineses foi irrelevante é das coisas mais alucinadas que tenho lido. 

2) Se a teoria da Gupta estiver correcta, iremos antes assistir a uma continuação praticamente inalterada da situação, com diminuição sustentada dos casos até ao desaparecimento da epidemia, e sem correlação com o grau de desconfinamento, apenas com a fase de evolução natural em cada local.



A previsão dos 60% de seropositivos em meados de Março estava errada e o erro foi da mesma ordem de grandeza da previsão do Ferguson ou até maior. Não precisamos de esperar nem mais um dia para retirar esta conclusão. A tese de que houve pessoas infectadas mas que não desenvolveram anticorpos é a típica hipótese para "salvar a face" agora que começamos a ter dados serológicos ao nível das populações, se me permite usar uma expressão do Henrique. Mas não há fuga possível para a Gupta. Porque os números no RU subiram rapidamente entre 15 de  Março e 7 de Abril. É difícil imaginar dados mais incompatíveis com a tese da Gupta. E é extraordinário que seja tão crítico em relação a um modelo que partia de pressupostos que hoje sabemos estarem errados mas que, em rigor, não passou por um teste empírico real (o cenário "do nothing" não se verificou em nenhum país, nem sequer na Suécia), e tenha tanta simpatia por um modelo que a realidade já atirou para o caixote do lixo. 


Quanto à possibilidade de uma segunda vaga, só não existirá se se criar entretanto imunidade de grupo (há modelos que indicam que não precisamos de 60%, bastando uma percentagem bem mais baixa, mas não sabemos qual é a heterogeneidade à infecção nas populações que estes modelos assumem e, em todo o caso, ainda não estamos nos valores previstos na maior parte das regiões) ou forem mantidas algumas medidas não-farmacológicas (etiqueta respiratória, máscaras, testes e isolamento dos infectados, etc.). 


E quanto ao modelo de Ferguson, pode dizer-me quantos países influenciou? Que eu saiba, influenciou o RU. Os EUA basearam-se sobretudo no modelo do INHE (também muito criticado) e na maior parte dos países ocidentais o que realmente contou foi a tragédia na Itália e não as contas dos epidemiologistas. 
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De Eremita a 22.05.2020 às 14:35

De resto, se descobrir uma frase minha catastrofista sobre este assunto, recebe um prémio.
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De Vasco Silveira a 21.05.2020 às 22:07

o director da OMS é um , duplamente racista burocrata :
Porque a epidemia ( se a Espanhola o foi, porque é que esta é pandemia? Novilíngua?), apesar de originada na China comunista se encontra mais activa ( oficialmente) no ocidente branco.
Porque é o ocidente capitalista ( ele é marxista de formação) que virá a sofrer mais com o brutal lock down.
Como dizia a anedota sobre o Samora, " quem é que deixou o raio do preto ir no comando do avião!..."
Vamos ( o ocidente, branco, capitalista) pagar muito caro por causa desses gestos políticamente correctos de aceitar a direção de organizações com esta responsabilidade por ind´víduos sem gabarito para os mesmos ( intelectual, e moral).


Mas enfim , está lá a nulidade chamada Guterres a representar-nos 8 caso contrário não arranjava emprego sem ajuda do Durão Barroso).


Cumprimentos
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De Daiane a 23.05.2020 às 01:29


Interessante seu post, muito bem explicado. Parecido um pouco com um artigo do Mega Sorte (https://www.noticiasdaweb.com.br/mega-sorte-resultados/)que lir recentemente na Internet.
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De Anónimo a 25.05.2020 às 13:38


O óbvio: o eremita é um psicopata; não vale duas letras de resposta.
Ninguém pode dar importância a um criminoso chamado Tedros — é assim que ele disse que gostava de ser chamado, se bem que haja outros nomes.
Juntem-se os dois à esquina a tocar a concertina e a dançar o sólidó.
PQP = para quando preciso
ao

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