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Porque é que eu não abandono o CDS

por João Távora, em 27.01.22

CDS.jpg

Se a liderança do Francisco Rodrigues dos Santos cometeu erros e falhou a missão impossível de atrair para a sua roda as figuras gradas que desde há quinze anos com a ascensão de Paulo Portas incorporaram o CDS (que desde o congresso de Aveiro lhe deram luta sem quartel, e algumas das quais por quem nutro franca simpatia), estou convicto que o seu maior sucesso foi ter recentrado o discurso do partido na sua matriz democrata-cristã e conservadora, o meu sonho antigo. Quem me conhece sabe quanto eu há muito batalhava lá dentro pelo reforço e prevalência destes valores identitários que tinham sido aqueles que ainda adolescente me tinham atraído ao Largo do Caldas. Isso tudo e uma firme orientação para o reformismo, um liberalismo económico mesmo que mitigado (sempre achei que a discussão sobre a gradação do mesmo não passa de uma discussão pueril tendo em conta a realidade cultural dos portugueses vergados ao paternalismo estatista desde tempos imemoriais). Refiro-me a uma direita civilizada e humanista que mesmo minoritária se assuma contracorrente num país tendencialmente conformado com a pobreza, desconfiado da liberdade e ressabiado com a felicidade. Um partido sem vergonha do legado histórico cristão que nos enformou civilizacionalmente. Um partido de diálogo e tolerância (sou monárquico e as monarquias só prosperam em sociedades de grande consenso - evoluídas).

Julgo que o CDS paga actualmente o preço de ter cedido à tentação generalista, de querer apanhar tudo disputando o espaço eleitoral do PSD. Como resultado, em vez de termos eleito uma primeira-ministra ficámos reduzidos a 5 deputados. Pela minha parte prefiro um partido pequeno mas sólido na sua doutrina e com um discurso firme para o seu nicho de eleitorado. Sei que talvez seja tarde para retomar o bom caminho, agora que se constituíram outros dois partidos identitários que nos esmagam de um lado e do outro. Em política não há vazios, dizem, e quer-me parecer que o CDS esteve demasiado tempo a querer ser muita coisa ao mesmo tempo.

De uma coisa estou certo: o espaço que o CDS ocupar no parlamento será directamente proporcional ao desenvolvimento civilizacional que atingimos. Não sendo altíssimo será certamente o suficiente para surpreender muita gente na noite de dia 30.  



8 comentários

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De Pedro Barros Ferreira a 27.01.2022 às 18:12

Bom texto. No entanto, não foi FRS que falhou em atrair (não vejo pq razão se tem de atrair alguém para a sua própria casa, mas enfim) que até tentou. Alguns, que se vê agora estarem já atraídos por outras latitudes, recusaram toda e qq "atracção". Abraço 
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De Anónimo a 27.01.2022 às 19:49

"que desde o congresso de Aveiro lhe deram luta sem quartel, e algumas das quais por quem nutro franca simpatia". Estou farto de ouvir esta acusação, mas até hoje nunca vi um único facto que a corroborasse. Está na altura desses factos aparecerem, se não o discurso continua o mesmo vazio de sempre.  já enjoa.


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De Anónimo a 27.01.2022 às 20:05

Dias do congresso, João Gonçalves Pereira escreve no Expresso que não se revê no FRS. Chega?  Após 1 ano de presidência,  em pandemia, e com um partido falido, Mesquita Nunes avança para derrubar. No intermezzo não faltam artigos, declarações, etc etc. Dizer que faltam factos que comprovem o afastamento - para ser simpático  - dos derrotados do congresso, só dá razão ao aforismo: "É mais cego o que não quer ver...."
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De Anónimo a 27.01.2022 às 20:16

isso não são evidências nenhumas, além de que ocorreram todas mais do que um ano depois da direcção tomar posse. Porque é que não houve colaboração entre a direcção e o grupo parlamentar? isso é que é importante perceber, porque esta falta de coordenação pode custar muito caro ao CDS.
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De Anónimo a 27.01.2022 às 19:49

Ricardo Pinheiro Alves (não pus o meu nome)
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De Alberto Mendes a 27.01.2022 às 20:06

Votarei pela terceira vez na vida no CDS. Mas a primeira com convicção de que serei fielmente representado. 


Abraço
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De balio a 28.01.2022 às 10:03

Concordo, grosso modo, com o João Távora. Dá-me mais gosto ver o CDS de agora, focado numa ideologia concreta, defendendo valores concretos, do que ver o CDS antigo, que era uma salganhada ideológica. O CDS terá poucos votos, mas ao menos saber-se-á que esses votos correspondem a preferências claras dos que os depositaram.
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De Anónimo a 28.01.2022 às 12:06


Nunca votei no CDS, mas vou fazê-lo desta vez. Por várias razões, entre as quais a "revelação" das qualidades do seu líder, que confirmei ter sido juntamente com o partido, tremendamente injustiçados se não ignorados ostensivamente. Como diz a MªJoão  Avillez o actual CDS é o "parente pobre" dos mídia, e só os "ressentidos internos" do partido têm tido microfone e palco nas TV's. O que não deixa de ser uma forma, no mínimo estranha, de "desvio" das boas práticas do jornalismo isento e imparcial. 

A Imprensa, com a sua "agenda", excluiu sempre uma das partes, (a "outra" raramente convidada a comparecer) e este tratamento desigual e desequilibrado, porventura terá contribuído para criar mal-estar dentro do partido e para semear a discórdia e a divisão entre todos. 


Desta feita, a CS não esteve inocente neste processo, continuamente induzindo no eleitorado a percepção do declínio do partido.


Claramente uma armadilha montada pela própria CS, onde os próprios opositores internos foram os primeiros a cair. 

Não era inocente este seu contínuo incensar "matreiro" como raposa. Foi um incentivo, para aqueles a quem  o CDS já ficava curto nas mangas. Depois foi o que se viu...
Claramente a Imprensa empenhou-se em reduzir o CDS a zero.


Foi a isso que assistimos, ao longo do tempo, o elogio fácil dos detractores internos do partido,semprelevados "em ombros" pelos mídia. Em contraste, sobredimensionava-se e amplificavam-se factos, questões e questiúnculas perfeitamente sanáveis. 





P.S. Não posso deixar de lamentar a ausência da Cecília Meireles, não só pela falta que faz ao CDS, mas sobretudo porque é uma GRANDE, ENORME mais valia para o país. Espero que em breve tome o lugar que lhe é devido. O país não pode dar-se ao luxo de dispensar estas "cabeças"(passe o termo) tão brilhantes e tão competentes. 
AFP

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