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Porcos e fogos

por henrique pereira dos santos, em 26.06.18

Ao que parece, acaba hoje mais um período de candidatura aos apoios para a suinicultura.

5 milhões de euros neste concurso que acaba hoje, abrindo um segundo período de candidatura logo, logo a seguir, ou seja, no dia seguinte.

5 milhões de euros para reduzir os impactes ambientais das suiniculturas, alavancando um investimento de 12 a 14 milhões em melhoria das instalações nas explorações suínas (redução dos cheiros, diminuição do consumo de água e melhora da eficiência energética).

O lombo de porco, hoje, no Pingo Doce, anda pelos três euros e meio.

Qual é a razão para todos os contribuintes financiarem a produção de carne de porco para que tenha preços desta ordem?

Por que razão a redução de cheiros, a diminuição do consumo de água (que beneficia o produtor) e a melhoria da eficiência energética (que beneficia o produtor), devem ser pagas pelos contribuintes e não pelo mercado, isto é, pelos consumidores de carne de porco (em que me incluo).

Qual é o bem colectivo que está implicado neste financiamento dos contribuintes a uma fileira produtiva com ampla presença no mercado?

Eu não vejo nenhuma razão para que estes produtores, que essencialmente têm fábricas de carne em que entra ração de um lado e sai porco do outro, sejam financiados pelo contribuinte.

E por isso a minha posição é simples: pegue-se nesses cinco milhões de euros e pague-se um prémio à produção extensiva de cabra, isto é, aos rebanhos que nos prestam o serviço de gestão de combustíveis que nos permitem ganhar controlo sobre o fogo.

A mim parece-me de uma sociedade doente andar a financiar produtores que têm um impacto negativo nos bens colectivos, permitindo um preço artificialmente baixo de um produto que vai competir com outros produtos cuja produção tem um impacto positivo nos bens colectivos difusos dificilmente apreensíveis pelo mercado.

Que o Estado contribua para resolver falhas de mercado, nada contra, que o Estado contribua para distorcer os mercados a favor dos produtos que têm impactos negativos nos bens comuns, isso é que não entendo de todo.

Deixem lá de falar do interior, deixem lá de fazer missões para o interior, estratégias para o interior e coisas dessas e paguem os serviços prestados que o mercado não remunera, seja quem for que os preste, isso sim, era de valor.



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