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Política na era do ressentimento

por Maria Teixeira Alves, em 01.11.19

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Vou confessar que a ideia, que subscrevo completamente, não é minha, é do Carlos Guimarães Pinto, o líder do novo partido Iniciativa Liberal, que recentemente acabou de dar por cumprida a sua missão e abandonou a liderança do partido (pensei que a missão dele era mudar o país, mas isso são outros 500) .

Carlos Guimarães Pinto diz (num artigo de opinião do Público) que o país está estagnado há 20 anos e que se o país tivesse crescido economicamente havia empreendedorismo e meritocracia e que isso teria posto fim à inveja que tanto nos paralisa.

O Carlos diz que como o país estagnou, o bolo não chega para todos e por isso reina a inveja. O sucesso dos outros incomoda, pois como o crescimento "parco" da economia não beneficia todos, «as pessoas começam a desenvolver o sentimento oposto ao da cooperação: a inveja», diz o ex-líder da IL. Concordo.

Aí começa a saga, «os pobres culpam os mais ricos, as minorias culpam as maiorias, a que acusam de discriminação. Instala-se a política do ressentimento, do foco nas lutas pela redistribuição em vez da produção, abrindo a mais socialismo e a mais identitarismo. O socialismo cria a miséria que depois alimenta ainda mais socialismo num ciclo vicioso difícil de romper. A cultura do mérito é ultrapassada pela cultura da inveja. O foco no crescimento é substituído pelo foco no ressentimento». 

«Os socialistas nunca esconderam a sua aposta política no ressentimento. A luta de classes é isso mesmo: a aposta no ressentimento de uma classe contra a outra», escreveu o fundador da IL.

Ao longo do tempo, defende, às classes juntaram-se subgrupos: raças, etnias, sexo, situação profissional, que seguem a mesma cartilha do ressentimento em relação à "maioria".

Logo, esta coisa das minorias (sexuais e outras que tais) não passa de uma extensão da política de ressentimento tão cara à esquerda (digo eu, não o Carlos, cujo partido defende as questões fracturantes em nome da liberdade individual).

Diz ainda o Carlos que vinte anos de estagnação tornaram o país susceptível à política do ressentimento.

Por fim Carlos Guimarães Pinto diz que o Chega e o Livre, em pólos opostos, são partidos que apostaram no ressentimento como arma eleitoral.

Tudo isto para dizer que a alternativa à política do ressentimento é a política do crescimento. É a valorização do trabalho, do mérito, do risco e da iniciativa privada. 

Não posso concordar mais com a IL na parte que se refere à economia e ao liberalismo económico. Concordo 100% com a ideia que o socialismo se suporta da política do ressentimento. 

O problema é saber como que se quebra este circulo vicioso, quando a política do ressentimento das minorias afectou todo o mundo ocidental, mesmo os países ricos, e aí a tese de Carlos está incompleta. O que é o ódio ao Trump e o rótulo de racismo e outros ismos que se lhe colam senão a expressão máxima dessa política do ressentimento? (só para dar um exemplo).

Estou absolutamente de acordo que a aposta no ressentimento é um dos maiores vírus do fim do século XX e do início do século XXI. Mas será que se consegue travar esta praga? Como? É que ela alastrou aos países ricos, aos povos aburguesados e como tal culpados pelos dados lhes serem favoráveis.

Na minha modesta opinião o longo período de bem-estar da Europa e dos Estados Unidos criou um sentido de culpa que alimenta esta política do ressentimento. 

A culpa, sempre a culpa, esse motor da história. Não nos podemos esquecer que a culpa dos homens imortalizou (e bem) Jesus Cristo. 

Aproveito para dizer que o Parlamento precisa de partidos novos com pessoas novas e o Iniciativa Liberal, o Chega e o Livre são bem vindos, ainda que para já sejam apenas partidos de protesto. 

By the way, André Ventura mostrou ser um bom parlamentar. A tropa do politicamente correcto ainda vai ter de engolir um grande sapo no futuro. Veremos.



5 comentários

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De Anónimo a 02.11.2019 às 10:16

Ventura tinha motivos para ser um socialista ressentido
porque cresceu num bairro pobre
o egoismo está na base da inveja que existe na minha escassa família
em alentejano no 'tempo do fato roto, vida alegre'  dizia-se «inveja a camisa lavada dum pobre»
dizia Mariano de Carvalho 'a agricultura é a arte de empobrecer alegremente'
no momento actual empobrece-se tristemente
o meu cumpadre de etnia Rom diria 'hay mierda' e da grossa
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De Maria Teixeira Alves a 03.11.2019 às 20:20

Too much information. Ninguém quer saber onde cresceu, viveu, etc André Ventura. O que toda a gente quer saber (penso eu) é para onde vai André Ventura. :)
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De António a 02.11.2019 às 13:48

É pena Carlos Guimarães Pinto ter abandonado o cargo de presidente do IL. É pior ainda ter explicado que não deviam esperar que dedicasse a vida à política. Sério? Então porque se meteu nela até ao lugar de presidente do partido? Se tivesse sido eleito - e esteve quase - também renunciava ao lugar de deputado? E há quanto tempo está activamente na política?
Fica-me a percepção de que tudo foi uma aventura inconsequente, e sem dúvida acabou de prestar um péssimo serviço ao partido e à causa liberal. Pode ser que me engane, mas duvido que o IL torne a eleger um deputado, exclusivamente por este acto. E pode ser que me engane, mas creio que o André Ventura agradece.
Dizem alguns que foi sincero, e que um homem não é o partido. Será assim, mas se o apego do presidente ao seu próprio partido é isto, a mancha da suspeição alastra aos outros. Péssima, péssima idéia.
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De Anónimo a 06.11.2019 às 19:36


Maria Teixeira Alves,
sempre muito bem nos seus escritos.
Felicito-a novamente.
ao

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