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Quem queira recordar pormenorizadamente em que consiste a «dinamização da economia através do investimento público» que António Costa e os socialistas se propõem reinstaurar, deve ler com atenção e detença o relatório do Tribunal de Contas sobre o aeroporto de Beja.
Em resumo, é assim:
- advoga-se a construção de um aeroporto em lado nenhum; invocam-se como fundamentos a necessidade de revitalizar o lado nenhum, combater a desertificação do interior, dinamizar a economia, e criar postos de trabalho; promete-se que o empreendimento não custará mais de 35 milhões de euros e que será pago pelas avultadas receitas da operação aeronáutica e serviços relativos, da restauração e hotelaria, do incremento turístico, e pela criação de 300 postos de trabalho permanentes.
- gastam-se 35 milhões de euros e o aeroporto não fica pronto; após atrasos, erros, correcções ao projecto, novas contratações e novos ajustes directos, gastam-se mais 40 milhões de euros;
- inaugura-se o aeroporto com pompa, e, perante o tráfego aéreo de 1 avião por semana em vez dos 20 voos diários anunciados, inventam-se futuras parcerias para construção ou descontrução aeronáutica, contactos com chineses, e outras rentabilíssimas quimeras.
- para dinamizar o aeroporto, que afinal não emprega nem 10 pessoas das 300 originalmente previstas, e que não recebe mais que 1,6 passageiros por dia, gastam-se 157 milhões na construção de uma auto-estrada que não chega a ser construída.
- após cancelamento do único voo regular, esquece-se o assunto, porque o dinheiro já foi distribuído.
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