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Plágio

por henrique pereira dos santos, em 31.01.22

Este post é só mesmo uma reprodução, que deveria servir de prefácio a qualquer texto sobre a gestão da função pública em Portugal:

"Função Pública
BENEDITO ANTUNES JANUARY 31, 2022
Muitos anos de ver os melhores serem sempre quebrados, pouco a pouco, com o peso das disfuncionalidades, os obstáculos lançados no seu caminho, com todo o seu esforço ser emperrado e a recompensa zero

Estou cansado. Tão cansado! Farto talvez seja o termo.

A princípio (há tantos anos!), eu ainda acreditava, tinha uma espécie de crença optimisticamente inabalável. Mas agora já não.

Acreditava que as coisas iriam melhorar. Só podiam. Como não podiam?

E a observação diária das disfunções provocava em mim pensamentos automáticos de como as melhorar, resolver. “Se fosse assim”, “mudava-se isto”, “devia ser daquele modo”.

Só que fazer essa mudança nunca dependia de mim. Mas dependia de mim fazer aquilo que eu fazia. E então fazia o meu melhor.

Parvo. O meu melhor!

Sentia que eu fazia algo de diferente, de melhor, acima da média e da mediania. E que isso fazia a diferença e que faria a diferença. E acreditava que cada pequeno problema que o meu fazer melhor solucionava, ultrapassando e derrubando cada disfuncionalidade, alheia e do todo, valia a pena e mudava qualquer coisa, a caminho da tal melhoria que havia de vir.

E encontrava motivação em cada pessoa que ficava mais feliz, satisfeita, melhorada graças ao meu melhor.

Mas agora já não. São já muitos anos de ver que nada muda, tudo permanece na mesma. Ou então pior.

Perdi a crença. A crença no melhor que ainda está para vir. Não há nenhum melhor para vir. É o que é. E o que é é isto.

Para os menos capazes ou incapazes, que fazem pouco, mal, e tarde, não há consequências nem represálias. Somente menos lhes é dado para fazer. Cada vez menos.

Os mais capazes, que fazem mais, bem feito e a tempo, esses têm sempre a recompensa: mais ainda para fazerem. Sempre mais. Com uma pancadinha nas costas. Good boy!

Nenhuma boa acção permanece sem castigo. É mesmo verdade.

Eu sempre recusei, neguei com todas as minhas forças essa verdade e esse caminho. Não seria essa a minha realidade. Continuaria a fazer a minha diferença, pequenina, isolada, mas o meu melhor, e tudo aquilo que posso.

Acreditava que essa minha diferença viesse a ser inspiração, que constituísse exemplo e motivação para outros como eu, e que todos juntos, sendo cada vez em maior número, finalmente operássemos a mudança necessária para que o todo se alterasse.

Eu era novo e não sabia. Que o todo nunca se altera. Que o seu peso é excessivo. E que não há qualquer mecanismo de retorno virtuoso. E que o todo mastiga e tritura o mérito e promove a mediocridade.

Eu realmente via-os, os mais velhos que eram capazes. De olhos baços e sem energia. Eram eles os que mais me espantavam.

Não me surpreendiam os incapazes, aqueles que já eram incapazes quando novos, tinham evoluído incapazes e estavam agora no topo com a mesma incapacidade de sempre.

Eram os outros. Aqueles em que eu reconhecia a capacidade de fazer melhor, em que eu via o saber, e em que havia registos amplos e reconhecidos da sua capacidade e dos seus feitos prévios. Mas que agora já não tinham energia, vitalidade, vontade. O que faziam era ainda relativamente bem feito, mas pareciam procurar não ver o que havia a fazer, e apenas fazer o mínimo. Não tinham brilho nos olhos. Parecia que tinham desistido. Eram capazes, mas não faziam a diferença. Faziam o mínimo.

E agora sou eu. São já muitos anos disto.

Muitos anos de ver os melhores serem sempre quebrados, pouco a pouco, com o peso das disfuncionalidades, com os obstáculos lançados no seu caminho, com todo o seu esforço ser emperrado, com a recompensa zero e o castigo constante de mais trabalho ainda.

E quebrados ainda mais por verem os incapazes caminhando calmamente ao seu lado, os que mais se queixam e menos fazem. E cada vez menos fazem. E mais se queixam. Sem qualquer consequência, e com uma recompensa idêntica. Ou recebendo mais ainda.

Aos incapazes ninguém pede mais nada. Nem mais uma hora, nem mais um dia, nem mais um processo. São incapazes.

E os melhores foram quebrando um a um, ao longo dos anos, sob os meus olhos. A maioria partiu, foi-se embora para onde a sua capacidade fosse reconhecida e recompensada e o seu melhor pudesse dar frutos e ser impulsionado em vez de ser abafado. Os outros, os capazes que ficaram, foram desistindo.

Em terra de cegos, quem tem olho… é cegado pelos outros.

Eu achei que comigo não seria assim. Nem partiria (este sentido de missão será a minha ruína), nem desistiria. A minha motivação seria o trabalho bem feito e as pequenas diferenças que obteria a cada dia. Parvo.

Agora estou cansado e farto. Velho. Também os meus olhos perderam o brilho.

E vejo os novos chegarem, os incapazes e os capazes, e o ciclo interminável recomeçar. Ninguém vê. E os que vêem, fingem que não vêem e não querem saber. Nunca quiseram saber.

Função Pública."


18 comentários

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De Cac a 31.01.2022 às 18:51

A tradução exacta do que se passou ontem através do voto: premiar a mediocridade, a incompetência, o fingir-que-se-faz.
O mérito neste país de que fazemos parte é um conceito abstrato, desvalorizado e com tendência cada vez mais crescente para a teoria.
Medra o "amiguismo", o favor, a cunha, o pouco esforço para muita recompensa imerecida, o toma-lá-que-ninguém-vê-e arranja-me-um-lugar-bom, a maledicência como matriz de sucesso e a preguiça como forma de vida.
Restq-nos, como dizia o outro, o sol, o turismo, o servilismo endémico e a emigração em massa.
Mas está tudo bem: é a democracia. Portanto, somos reféns das escolhas que fazemos. E as que temos feitos pelo menos nas 2 últimas décadas têm nos levado ao traseiro da UE. Queixamo-nos do quê mesmo?
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De Ricardo Abreu a 31.01.2022 às 19:20

É mesmo assim, há uma fase da vida em que já não estão para se chatear, preferem a estabilidade, a remuneração certa, o rigor da pontualidade da hora de saída e onde o maior desafio semanal será preencher o horário com atividade laboral. 
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De Carlos Sousa a 31.01.2022 às 19:41

Então e é só na função pública?
E no privado não é igual?
A cunha, o concurso para inglês ver, o envelope debaixo da mesa só para alguns, a bufaria.
É o mercado de trabalho real incentivado pelos nossos queridos empresários. 
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De Carlos a 31.01.2022 às 22:05

Não, Carlos, nas empresas privadas, por regra, não é assim. Nas instituições públicas a regra é essa, quer o Carlos queira, quer não.
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De Carlos Sousa a 01.02.2022 às 10:22

A diferença que existe é que na função pública o patrão é uma entidade invisível (o estado), e no privado o patrão é visível. Mas quando se trata de subir na carreira, o resultado é o mesmo. Premeia-se a bufaria, dão-se prémios aos engraxadores, e quando há uma promoção é sempre para o amigo ou amiga do patrão, nada de diferente é tudo igual.
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De Anónimo a 31.01.2022 às 23:44

Não, não é.
V. anda últimamente a baralhar as coisas, o que se lamenta porque era uma presença útil nos blogues por onde se passeia.
Talvez isso aconteça aqui e ali em empresas muito grandes mas não acontece decerto nas pequenas empresas que são 95% do emprego no privado e podem lá alguma vez manter 2 inúteis em 8 ou 10 trabalhadores.
Não sei o que é que V, fez na vida mas quase que dá para apostar que não foi grande coisa, quem fez alguma coisa de jeito não precisa de andar com conversas dessas. 
De vez em quando lá sai a verdadeira natureza de cada um com as generalizações primárias como se os nossos "queridos empresários" fossem uma entidade "unida" e não milhares e milhares de pessoas cada uma com as suas idiossincrasias.
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De lucklucky a 01.02.2022 às 10:16

"Então e é só na função pública?
E no privado não é igual?"



Acontece no privado e quanto maior a empresa mais probabilidade, mas a realidade está sempre a bater ao virar da esquina. Se não fazes negócio não existes.
Na função publica a realidade está muito mais distante e tapa-se sempre com mais dívida.
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De alain bick a 31.01.2022 às 21:48


lema do ps e seus votantes
« nem TREPA, nem sai de cima
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De Elvimonte a 31.01.2022 às 21:52

Plágio? Pois que seja.


“O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os carácteres corrompidos. A práctica da vida tem por única direcção a conveniência. Não há principio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias em cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima abaixo! Toda a vida espiritual, intelectual, parada. O tédio invadiu todas as almas. A mocidade arrasta-se envelhecida das mesas das secretárias para as mesas dos cafés.


A ruína económica cresce, cresce, cresce. As quebras sucedem-se. O pequeno comércio definha. A indústria enfraquece. A sorte dos operários é lamentável. O salário diminui. A renda também diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. Neste salve-se quem puder a burguesia proprietária de casas explora o aluguer. A agiotagem explora o lucro. A ignorância pesa sobre o povo como uma fatalidade. O número das escolas só por si é dramático. O professor é um empregado de eleições. A população dos campos, vivendo em casebres ignóbeis, sustentando-se de sardinhas e de vinho, trabalhando para o imposto por meio de uma agricultura decadente, puxa uma vida miserável, sacudida pela penhora; a população ignorante, entorpecida, de toda a vitalidade humana conserva unicamente um egoísmo feroz e uma devoção automática.


No entanto a intriga política alastra-se. O país vive numa sonolência enfastiada. Apenas a devoção insciente perturba o silêncio da opinião com padre-nossos maquinais. Não é uma existência, é uma expiação. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: o país está perdido! Ninguém se ilude. Diz-se nos conselhos de ministros e nas estalagens. E que se faz? Atesta-se, conversando e jogando o voltarete que de norte a sul, no Estado, na economia, no moral, o país está desorganizado - e pede-se conhaque! ”


(in Farpas, por Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão, Junho de 1871).
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De Anónimo a 01.02.2022 às 14:02

Pois se assim é, que assim seja (se o HPS der permissão) :


NEVOEIRO

Nem rei nem lei (...)

Define (...)

Este fulgor baço da terra

Que é Portugal a entristecer —

Brilho sem luz e sem arder

Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.

Ninguém conhece que alma tem,

Nem o que é mal nem o que é bem.

(...)

Tudo é incerto e derradeiro.

Tudo é disperso, nada é inteiro.

Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

(...)

F.Pessoa
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De helena a 31.01.2022 às 22:19

Ah... não foi nada disso! Acagacámo-nos porque o Rio dava todas as indicações de se chegar aos cheganos, caso ele achasse que fosse preciso.Já tinha sido preciso nos Açores, portanto... assim como assim, olha... fica-se como que era.
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De Otis a 01.02.2022 às 00:01

O melhor que já li de si
Revejo-me neste texto
Aos 40-50 acreditava que podia ajudar a mudar o mundo. Deixar uma pegadazinha para os meus filhos. Mas o mundo não mudou mas mudei eu. Cansei-me. Cansei-me dos muros 
Fica a memória das experiências fantásticas que tive
Muito obrigada 
Vou partilhar
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De henrique pereira dos santos a 01.02.2022 às 09:08

O texto não é meu, é de Benedito Antunes, publicado no Observador
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De Anónimo a 01.02.2022 às 10:54

Esse testemunho podia ser a Alegoria da "desistência e estagnação".  É o retrato do abandono triste que tomou conta de nós. 
Não sei porque fiz esta  associação:
Há dias, quando passeava a pé pelo meio de um olival frondoso, reparei de longe que as oliveiras rentes ao muro de xisto, estavam a perder as folhas, coisa inédita. Aproximei-me e vi que as heras do muro tinham alastrado pelos troncos e pelos ramos acima, como que estrangulando lentamente as pobres árvores a definhar. Em breve irão perder o vigor, o viço que ainda resta e secar. 
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De Anónimo a 01.02.2022 às 15:00

mas partilhou portanto concorda
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De henrique pereira dos santos a 02.02.2022 às 09:52

Não se trata de concordar, trata-se de ser um excelente texto.
Apenas fiz notar que não era meu para não ficar com créditos que pertencem a terceiros.
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De Maria Almeida a 01.02.2022 às 05:58

Foram 20 anos a sonhar que ía mudar o Mundo. O meu Mundo era apenas um Gabinete de Apoio à Emigração e Imigração. Apoiava os nossos que partiam e os que voltavam. Dava tudo o que tinha e o que sabia. Ía sempre mais além. Foram tantas histórias de vida em que eu me envolvia também como ser humano e não apenas a “funcionária”. Se ía de férias quando voltava sabia que ía ter uma fila de gente à minha espera. Às vezes comentava que as férias nem serviam para descansar pois quando chegava trabalhava o dobro. Ou o triplo. Devo ter feito algumas coisas bem ou muito bem mesmo. Ainda hoje me contactam pessoas a agradecerem ou que não me esquecem. Mas eu parti. Saí aos 45 anos. Desisti de não me conformar. E estou aliviada! Agora luto de outra forma mas vejo reconhecimento. 
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De Marques Aarão a 01.02.2022 às 10:23

 

 

 

 

            </a>

Não recordo o autor, mas foi lido há muitos anos num jornal regional:

"O POVO QUE TEMOS- 

Quem tiver paciência, e oportunidade, de ler e consultar os jornais de há 60 ou 70 anos, e mais, e se der ao trabalho de comparar o que então se dizia e fazia, com o que actualmente se diz e faz, não pode deixar de se surpreender com o paralelismo flagrante de situações e de oratória política. Com efeito, dando mostras do mesmo congénito sinal de incapacidade entre a manifestação da vontade e a capacidade de traduzir a mesma em actos positivos, o português, cada vez mais aferrado a hábitos de calaceirice e indolência mental, propõe mas não actua, perora e denuncia mas, para tanto prefere sempre o anonimato, projecta mas não realiza, e sem verdadeiro e autêntico sentido de humor, fabrica piadas ou faz anedotas. No capítulo físico , é teso, mas quanto a valentia, que é aceitação racional e calculada dos riscos e do perigo, vai-se contentando com os "brandos costumes", e a crença do que é preciso é sorte e dinheiro para gastos. De modo que, a par das pseudo-soluções em que é fértil, consente, perfeitamente à vontade, o crime, a desonestidade, a violação do Direito, e o "gamanço", a que chama "esperteza". Verborreico e superficial, por atavismo, não possui qualquer sentido dramático da existência - e aqui se diferencia basicamente do espanhol - e é capaz de misturar, facilmente, o heroísmo com a cobardia. Saudavelmente, porém, diante do pior drama, faz pilhéria. É este o Povo que temos".

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