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Perspectivas

por Jose Miguel Roque Martins, em 24.10.21

Captura de ecrã 2021-10-24, às 11.43.25.png

 

É fascinante vermos como cada um interpreta os mesmos factos de forma tão diferente. Um crime brutal de violação, em que uma dezena de pessoas não intervém, nada faz, é visto por uns na perspectiva do fraco valor da vitima, por ser mulher. Por outros, menos preocupado com o género, poderá ser encarado como mais  uma manifestação perversa de Estatismo.

Se tivesse sido uma mulher a espancar cruel e barbaramente um homem, sob o olhar impávido de quem assistia,o episodio teria sido menos repugnante? Penso que não.

A bestialidade humana não tem nada de novo. O que começa a ser cada vez mais frequente é a demissão das responsabilidades mais básicas de cada ser humano.

Assiste-se à brutalidade, mas não se intervém.  Afinal, não é uma obrigação individual. Compete ao Estado a manutenção da ordem publica, para isso é que se pagam impostos. O individuo, cada vez tem menos liberdade, menos responsabilidade e também menos deveres. O resultado não pode ser bom.



15 comentários

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De Anónimo a 24.10.2021 às 14:54


É impressionante e assustador esse relato, mas não é menos chocante  a escalada de indiferença perante crimes hediondos ali mesmo, à nossa vista. A omissão, a falta de empatia pelos outros é um sintoma de uma anomalia, de sociedade muito doente. 
A brutalidade e a violência  estão omnipresentes, praticamente tornou-se a imagem de marca dos tempos atuais. E quem é responsável?


 O problema é: que valores queremos transmitir às gerações mais novas para evitar/travar ou prevenir esta selvajaria. Veja-se há quantos anos temos notícia dos casos de bulling e de agressões físicas, também filmadas em contexto escolar, por alunos adolescentes. Vejam-se os vídeo-jogos que os miúdos consomem em doses de dependência preocupantes. E os comportamentos arruaceiros e desviantes_ para dizer o mínimo_ nas saídas à noite e à porta das discotecas, com menores já consumidores de álcool e drogas. Diria que também aqui há a mesma  omissão, e a mesma indiferença por parte dos pais. Estamos a criar futuros potenciais agressores, porque é este o contexto que os engendra.

Li o artigo na íntegra e concordei com a análise ao caso feita pela jornalista. Senti a mesma indignação e a mesma revolta. mas, quanto a mim, só pecou por traduzir uma perspetiva unidimensional sobre a violência, direcionando-a para um grupo específico: as vítimas de violência de género. É compreensível que seja sensível a esta questão, provavelmente pelo facto de a senhora ter formação no Centro de estudos de Género. Mas, no mundo que eu observo, não são as mulheres as únicas com direito exclusivo ao estatuto de vítimas. Infelizmente vítimas e carrascos extravasam esta visão um pouco redutora da violência. 
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De Elvimonte a 24.10.2021 às 16:44

Mas quem violou a senhora e em que país foi ela violada? 
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De Francisco a 24.10.2021 às 17:36

Neste cenário apresentado, o picanço das perspectivas parece ficar encriptado na residual participação social. Na efervescência virtual, tudo se torna vago, até ao esquecimento. São quase inexistentes as opiniões individuais e, quando surgem, o contágio oferece repetições de factos com uma incapacidade brutal de escutar, pensar… O que importa é remexer, seja o que for, para ainda sentirem que existem. Temos, em primeiro plano, a classe política difundida por acontecimentos concretos, com uma oferta das novelas diárias entregues ao arrasto. Assim, naturalmente, vai surgindo o doentio desinteresse que alimenta e afectará o comportamento de tantos figurantes.

É evidente que também existe o medo do algoritmo que está a padronizar a humanidade em plenos ignorantes. 

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De Anónimo a 25.10.2021 às 10:45

A "besta" que há no ser humano reprime-se com educação. Somos moldados pela educação, pois é ela que nos lima, "civiliza" e nos distancia da bárbarie e da bestialidade.  Chama-se a isso humanização, civilização.  

Civilizar / humanizar não é senão o resultado de um processo de Aprendizagem lento e demorado, feito ao longo dos Tempos. Tem como ponto de partida as Experiências vividas, que se transformam em "Saberes" acumulados durante gerações e depois ensinados, transmitidos às gerações seguintes, como os elos de uma cadeia ininterrupta. Só a inteligência humana teve a capacidade de reunir todo esse manancial de Conhecimento acumulado e transformá-lo  numa "Escala de Valores" e num "Padrão de Conduta"  tidos como bons pelo senso comum, num acordo tácito. E assim nasce essa espécie de "livro de instruções" para ser utilizado como "guia" dentro do núcleo familiar. Esse conjunto de "normas" ou "regras" com origem no senso comum estão na base da organização de todas as sociedades "civilizadas" desde tempos imemoriais. Deram origem ao Direito (jurídico). A sua prática iniciava-se dentro da Família, moldava o comportamento individual estendia-se ao colectivo. Desses comportamentos sistematizados que têm um padrão comum prepararam os alicerces donde nasce uma Civilização que, por sua vez, produz uma Cultura  já tão distante da barbárie.
 
A chegada das novas concepções de sociedade trazidas pelo "progressismo" vieram pôr TUDO em causa,  para abanarem os alicerces da Cultura e Civilização Ocidental na tentativa da sua destruição. Tudo é violentamente questionado, começando por atacar a "núcleo" vital que é a Família, onde tudo começa porque é ela a "fonte" que perpetuará por gerações uma Civilização. Objectivo conseguido: hoje como nunca o modelo familiar está em crise e os laços desfazem-se. Tudo o que vemos e tudo a que assistimos vem daí. Ruptura é a palavra de ordem. Romper barbara e violentamente as regras. Deslassar a sociedade, dissolver os "costumes" é o novo rumo destes primitivos que regressaram às "tribos". 
De resto, está tudo à vista.  
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De marina a 25.10.2021 às 14:43

teria de saber mais pormenores para poder avaliar a situação . não me estou a ver , numa carruagem com mais pessoas , a ficar sentada ao lado de um homem que me importuna. e a senhora , pelos vistos , ficou sentadinha.
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De Anónimo a 26.10.2021 às 03:18

Pois, a gaja estava mesmo a pedi-las. O tipo agarrou-a, rasgou-lhe as roupas e nem assim a tipa saia de perto dele. Nem se entende como há flausinas assim.
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De marina a 26.10.2021 às 09:39


sim , é isso , e aquelas pessoas que viram tudo são uns monstros amaricanos , que até bateram palmas à perfomance do violador e pediram bis. 

posso pedir para saber mais sobre o caso para perceber porque ninguém fez nada ? talvez uma cena entre sem abrigo bêbados  e ninguém se quis meter ?
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De marina a 26.10.2021 às 12:36


e pronto , pouco a pouco vamos sabendo coisas, coisas not true...



https://www.kiro7.com/news/trending/prosecutor-not-true-that-bystanders-stood-by-shot-video-during-rape-pennsylvania-train/SLAITUQJ45CSRDKXCWSNEFSNHA/
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De Anónimo a 27.10.2021 às 00:00

Qual a relevancia disso? Ela "consentiu" a violação. Foi o que li do seu primeiro comentario.
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De marina a 27.10.2021 às 10:32

expressei-me mal , então . o comportamento das pessoas pareceu-me impossível , pensei que a história estaria mal contada. e estava , não há qualquer desumanização de mulher ou outro pois o que dá base ao artigo era uma mentira.
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De Elvimonte a 25.10.2021 às 16:07


Respostas a questões que coloquei anteriormente.


Fiston Ngoy, um negro, foi o autor da violação. O crime ocorreu na Pennsylvania, EUA, o país onde (só) "black lives matter".
"
Desconheço a raça da senhora - se "black lives matter" é porque há raças, não me venham dizer o contrário - e o seu "género", questões que gostava de apurar. Mas o essencial já ficou expresso: negro viola e "black lives matter". Acrescente-se ainda: os cerca de 12% de população negra nos EUA é responsável pela esmagadora maioria dos crimes. Por exemplo, matam-se mais entre eles e brancos, asiáticos e hispânicos do que estes três grupos juntos. 


"Black lives matter", o violador é negro, assumindo-se eventualmente como mulher transgénero - ironia das ironias - e alguém pretende que as testemunhas do crime intervenham? Mas habitam onde, na Lua? Muito provavelmente, para além do receio do criminoso estar armado, de ter cúmplices na carruagem, se alguém tivesse o azar de o conseguir imobilizar ainda era acusado de violência e ódio raciais por uma daquelas "rogue DAs"  dos saltos altos da diversidade, do multicuturalismo e da identidade de género que abundam nos EUA e querem cobrar/pagar o "privilégio branco", esse conceito abjecto.


A vida de saltos altos é mesmo assim e nada disto tem qualquer relação com a desumanização das mulheres, trata-se somente de desumanização pura e simples. Quando se esfrangalha propositadamente a coesão de uma sociedade, o seu capital social, um dos resultados inevitáveis é este e "black lives matter".


A  Paula C. Pinto devia era pagar o seu "privilégio branco" oferecendo o seu corpo como tributo. Talvez assim a senhora que foi violada não o tivesse sido.
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De Anónimo a 26.10.2021 às 07:46

https://www.unz.com/aanglin/black-man-rapes-woman-on-public-train-media-complains-people-stood-by-and-watched/
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De Anónimo a 26.10.2021 às 11:11

O que está a acontecer, nestes novos tempos, à Civilização ocidental não devia causar surpresa, pois tem uma explicação e tem um nome:
Descristianização.
Provavelmente a maioria das pessoas verá aqui o mero sentido religioso do termo e a reacção imediata de muitos será o de rejeição (cheira a beatice e a sacristia).


E é pena, porque esse é apenas o entendimento simplista e superficial do termo e do conceito de "cristianização". Quando é muito mais do que isso _  procura limar arestas, tirar a rudeza, arrancar-nos do estado de "brutos", ensinar a não violência, afastar da barbárie: numa palavra, «civilizar».
Lamentável que muitos tenham chegado à idade adulta sem terem percebido _ porque não é ensinado?_  o elemento civilizador que tanto a Cultura Clássica (Greco-latina) como o Cristianismo legaram ao Pensamento europeu e são ambos responsáveis pelo grau de sofisticação civilizacional  que a Cultura ocidental atingiu. Para não ir mais longe, basta pensar-se que foi o Cristianismo que lançou os fundamentos que inspiraram os Direitos do Homem ; o conceito do livre arbítrio e de liberdade com sentido de responsabilidade, o respeito pelo próximo, a fraternidade, o sentimento de "caridade" que faz desencadear gestos que se transformam em "generosidade" e "solidariedade" que por sua vez conduziram aos primórdios do Estado Social ; o saber responder à violência com a não-violência (dar a outra face);  a capacidade de reprimir a bestialidade, etc. Todos estes (e tantos outros) são traços "civilizacionais" presentes nas sociedades ocidentais e todas têm a mesma matriz cultural que advém da sua cristianização_ depurada do sentido primitivo apenas religioso. 
Deparamo-nos com situações à nossa volta no Mundo que nos indignam, revoltam e chocam. Ficamos terrivelmente perturbados a ponto de agirmos, porque não somos capazes de ficar indiferentes ao sofrimento do outro. Somos assim. Esse é um sentimento que nos distingue (raro) e é "muito europeu". Sabemos agora o que lhe está na origem. E porque somos assim, únicos. 
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De Anónimo a 26.10.2021 às 11:23


(cont.)
Evidentemente que há fenómenos que estão a interferir e a  alterar o "nosso modo de Ser e de Pensar". E até de Agir. Todos vemos essa desfiguração na sociedade actual. Veja-se o exemplo referido no texto do post. Presenciamos diariamente o aniquilamento da nossa matriz originária,  tal como  assistimos hoje ao "quebrar" dos elos geracionais que nos "ligam" uns aos outros, nos dão continuidade, um contexto comum  no mesmo "chão" antigo. 


E é esse "corte" com o nosso Passado e com a nossa identidade antiga que permitiu  a   a-d-u-l-t-e-r-a-ç-ã-o  do nosso património cultural e nos fez  perder a firmeza que nos levou às cedências da mais abjecta alteração dos valores, à amoralidade que assenta no Relativismo e na Pós-Verdade. Dois palavrões que se consumam nesse Nihilismo destrutivo de que a cultura ocidental  e nós estamos a ser alvos preferenciais, fruto dum "programa" delineado metodicamente pelos novos bárbaros e as suas hordas incultas, destruidoras de civilizações. Ei-los! que vieram para arrasar, desunir, dividir e "tribalizar" de novo. Bem-vindos de regresso à barbárie! Bem-vindos a esta selva dos primitivos actuais.
«Descristianizar» _ fixemos esta palavra. 
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De Anónimo a 26.10.2021 às 17:30

Compete ao Estado zelar por nós, dizem. Mas, e se o Estado não está presente nestas cenas de violação? Como se vai provar ao Estado? Alguém tira fotos, ao menos, para fazer prova? Não. Nem dará tempo... Pois nestes casos será mesmo de tentar ajudar de impulso, na hora. Desgraçados de nós todos se não encontramos solidariedade entre nós mesmos. A solidariedade é o minimo que podemos ter à mão, de uns para os outros. E não custa dinheiro. Até pelos animais agora há imensa solidariedade . Somos obrigados a exprimir um gesto de ajuda a quem necessitar, seja quem for!
Ou então estamos num mundo cão..., sem rei nem rock-uma selva...degredo... 

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