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Perplexidades

por henrique pereira dos santos, em 13.10.20

"Imaginemos que hoje ocorreram mil infeções e nós, daqui a cinco dias, só detetamos 800. Isso significa que estamos com um défice de 200 casos. Ora, se o R(t) for 1,1, os mil casos de hoje vão infetar 1.100. E se detetarmos menos do que o número de infeções que estão a ocorrer, estamos a perder a corrida e o vírus vai avançando muito mais rapidamente. Por isso é que, a dada altura, consigo identificar as cadeias de transmissão e encontro uma série de infetados em excesso. Foi o que aconteceu e o que justifica o aumento desta semana.

A meta basicamente é quando nós atingimos o pico e quando conseguimos ser mais rápidos do que o vírus, começamos a detetar casos mais rápido do que essa propagação. Aí é que a curva começa a diminuir. A estratégia deve ser tentarmos ser mais eficientes nos inquéritos epidemiológicos, no seguimento dos surtos e das cadeias de transmissão, sermos mais prudentes na nossa proteção, no nosso comportamento social e no distanciamento. Dessa forma, conseguimos reduzir a velocidade do vírus e acelerar a nossa capacidade de teste."

Carlos Antunes, o matemático que está a monitorizar a segunda vaga, segundo o Observador.

Não sei se será das minhas deficiências a matemática, mas confesso que não percebi bem a lógica do que é dito (ou, pelo menos, do que a jornalista diz que é dito).

Se bem entendo, isto é como o jogo das escondidas: quando o vírus é descoberto, morre, mas se não for descoberto a tempo, chega ao coito e salva-se, portanto o objectivo é descobrirmos o vírus que está escondido, antes dele chegar ao coito.

Confesso que nesta estratégia de parar a progressão da epidemia com a quebra das cadeias de contágio há uma coisa que desde o princípio não percebo e de que me lembrei ao ler este segundo parágrafo que citei.

De acordo com os numerosos testes serológicos, os números de casos identificados por laboratório andava por um quinto da real dimensão da infecção (com variações, mas a ordem de grandeza era esta, 80% dos infectados não apareciam nos números oficiais, se não fosse mais).

Vamos admitir que progredimos muito na capacidade e eficácia da testagem, e portanto agora já conseguimos detectar, vá lá, 50% dos infectados. Se se quiser, vamos mesmo inverter os números e vamos admitir que 80% da infecção é detectada pelos testes.

Alguém no seu perfeito juízo acha que quebra cadeias de contágio, de forma relevante ao ponto de condicionar a evolução da epidemia, quando 20% dos infectados, provavelmente também infecciosos, nem sequer são detectados nos testes?

Já nem falo nos infectados que se estão nas tintas para as regras, nos vários dias que decorrem entre ter sintomas, fazer teste e ter o resultado, sabendo que quando aparecem sintomas já se é infeccioso antes e outras deficiências de gestão da parte que os testes detectam.

A questão é mesmo a de saber qual é a eficácia de uma estratégia que se baseia em seguir metade dos infectados sabendo que a outra metade nem sequer é detectada?



12 comentários

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De V.Valente a 14.10.2020 às 00:31

Ó Henrique..... "quando 20% dos infectados, provavelmente também infecciosos" ??   Há quanto tempo nao troca emails com o Galileu da Epidemiologia André Dias ?  
Há muito tempo que ele diz que não há infectados nenhuns... absolutamente nenhuns.  É tudo falsos positivos.  E falsas mortes tambem obviamente.  Têm de alinhar melhor o discurso, senão parece MESMO que não percebem nada do assunto
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De henrique pereira dos santos a 14.10.2020 às 10:42

E sobre os meus argumentos, tem alguma coisa a dizer, ou prefere manter-se nessa conversa de comadres?
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De V.Valente a 14.10.2020 às 10:50

Nao disse já ?  A sumidade ADias diz que é tudo falso positivo. Logo... o HPS está errado
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De henrique pereira dos santos a 14.10.2020 às 11:01

Resumindo, o seu comentário sobre o que escrevo é que há pessoas que escrevem coisas diferentes?
Muito obrigado, é sempre simpático ouvir elogios e para quem escreve, dizer-se que se escrevem coisas diferentes de outras, é sempre um grande elogio.
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De Elvimonte a 14.10.2020 às 15:33


O Prof. Michael Mina, em dois curtos vídeos que muito contribuirão para enriquecer o seu parco  esclarecimento, explica as peculiaridades do teste RT-PCR. Consulte-se também o site do Centre for Evidence-Based Medicine da Universidade de Oxford. Links abaixo.


"Michael Mina - The problem of PCR sensitivity: False Infectious - False negatives as False positives"
https://www.youtube.com/watch?v=4vvgefwKgSU


"Michael Mina - The neglected CT (Cycle Threshold) levels to determine viral load and infectiousness"
https://www.youtube.com/watch?v=oxoE47qT3fE


https://www.cebm.net/covid-19/infectious-positive-pcr-test-result-covid-19/



Depois disto, a ignorância já não tem desculpa. 
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De Anónimo a 14.10.2020 às 12:22

Henrique, há muito que sigo as suas publicações e análises, tanto no âmbito da epidemia como de outras áreas, nomeadamente dos incêndios. Tenho aprendido muitas coisas consigo, mas a razão pelo qual sigo atentamente as suas crónicas é porque consigo ver escrito e sistematizada muitas das minhas opiniões.
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De Anónimo a 14.10.2020 às 13:06

https://observador.pt/opiniao/e-se-afinal-for-tudo-ao-contrario/



HPS:
E esta heim?! Um pouco arrojada esta teoria, mas...
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De Elvimonte a 14.10.2020 às 16:45

Também eu fico perplexo.


E uma das coisas que me ocorrem é a memória do filme "Planeta dos Macacos", onde um humano afirma que há aparelhos "mais pesados do que o ar" que voam, perante a incredulidade - um eufemismo com ignorância por sinónimo - de todos os macacos.


Bem vindo, por isso, ao novo planeta dos macacos, uma realidade bem demonstrada por valente comentário anterior - valente na ignorância e no nome.


Disto isto, conhecendo a espécie política e a psicologia de massas ("The Madness of Crowds" é um livro de que recomendo a leitura), não me restam dúvidas da grande coragem, apesar de fundamentada na evidência científica, que é preciso ter para se fazer algo radicalmente diferente daquilo que os vizinhos fazem.  Então e as notícias, as análises e as comparações? Ai as manadas de votos que nos vão fugir. Ai a crucificação eleitoral. 


Envereda-se, quase sempre, pelo caminho mais fácil. Pelo caminho que vai ao encontro da percepção que os macacos de imitação e as manadas de votos, todos arregimentados pelas empresas noticiosas, têm da realidade pueril condicionada pela ignorância.


Que ninguém questione como e porquê acabaram todas as viroses epidémicas de que há registo, sem vacinas, sem testes RT-PCR e sem anti-virais. 


Que ninguém questione porque razão os japoneses, com concentrações de vitamina D superiores a 30 ng/ml em 95% da população (muito peixe, muito sushi), apresentam taxas de mortalidade baixíssimas perante esta e outras epidemias. 


Que ninguém questione porque motivo o presidente EUA andava a tomar zinco, melatonina, vitamina D e famotidina.


E que ninguém ouse afirmar que a COVID-19 pode ser prevenida e terá cura em mais de 99,7% dos casos.


No "Planeta dos Macacos" essas questões não se podem colocar e esse conhecimento não existe.
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De EMS a 14.10.2020 às 18:47


«Que ninguém questione como e porquê acabaram todas as viroses epidémicas de que há registo, sem vacinas»


Que me lembre foi exactamente com recurso a vacinas que algumas viroses epidemicas  "acabaram".

Não foi por dissipação espontânea que a varíola, sarampo, poliomielite, rubéola deixaram de nos causar preocupações.

Outras viroses continuam por ai. Com surtos mais ou menos graves atacam tanto os japoneses apreciadores de peixe como as outras pessoas.
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De Elvimonte a 15.10.2020 às 10:18

Viroses epidémicas. E-pi-dé-mi-cas. Percebeu agora?
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De EMS a 15.10.2020 às 14:53


Sim, viroses epidémicas. Todas as que descrevi causaram epidemias.

E foi com vacinas e não com sushi que deixaram de ser E-pi-dé-mi-cas. Percebeu agora?
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De Elvimonte a 16.10.2020 às 00:07

Se não consegue perceber como terminaram sempre os surtos - e não epidemias ou pandemias - de varíola, sarampo, etc. entre as populações afectadas antes do advento das vacinas, esse facto biológico bem conhecido e cujo nome escuso pronunciar, nada posso fazer por si.

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