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No índice de Percepção de Corrupção mundial divulgado hoje Portugal surge no 31º lugar entre 175 países. Eis agora como o texto (voz off) na notícia da tvi24 relata os factos:
«O escândalo dos vistos dourados abalou o edifício estatal; deu a imagem de um Estado corrupto. Mas a alegada venda de direitos de residência em Portugal ainda não está reflectida no ranking que mede a corrupção no Mundo. Porque se o fizesse Portugal estaria pior colocado.»
Vejamos:
O autor do texto abre a notícia com factos que, como ele próprio logo admite, nada têm a ver com a verdadeira notícia. Se o fez para situar ou localizar a notícia, fez mal, porque a classificação de Portugal num índice mundial é localização e situação bastante. E quando o facto com que se procura situar ou localizar nada tem a ver com o assunto o artifício resulta ainda pior. Se tivesse sido este o motivo do contorcido texto teríamos que concluir que o autor é burro (além de escrever mau português).
Mas talvez o autor não seja burro. Talvez seja distraído. É que, tendo-lhe ocorrido um caso de suspeita de corrupção que nada tem a ver com a notícia, o Índice de 2014, esqueceu-se de outro caso um pouco mais grave que está exactamente no mesmo estádio (indícios, seguidos de prisão preventiva). Ou seja, o facto de a notícia se socorrer de uma inexplicável lembrança (os alhos dos vistos dourados que nada têm a ver com os bugalhos do Índice) torna mais inexplicável o esquecimento em que incorreu do caso de um antigo primeiro-ministro suspeito de corrupção, fraude fiscal e lavagem de dinheiro durante o seu mandato. Ora este estranhíssimo esquecimento poderia fazer supor que o autor do texto se colocou sob as ordens de António Costa para esquecer o elefante na sala, o elefante no país. E, então, teríamos que concluir que não é jornalista, que é só um pau mandado sem brio e faz o que do largo do Rato lhe mandam fazer. Mas talvez não seja isso. Talvez o autor padeça apenas de alguma forma de amnésia selectiva.
E será, então, por amnésia selectiva que o autor do texto se esqueceu de escrever que Portugal melhorou um lugar em 2012, mais um em 2013, e mais um no Índice de Percepção de Corrupção de 2014.
De qualquer forma, é pena não sabermos o nome do autor. Isso nos permitiria, da próxima vez que tivessemos a infelicidade de deparar com um texto noticioso seu, dar-lhe o grande e necessário desconto que justificam as suas insuficiências e limitações.
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