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Pequenas coisas que passam despercebidas…

por Vasco Lobo Xavier, em 04.06.15

Quando certas pessoas se queixam de que outras pessoas se esquecem de que, actualmente, são as pensões de muitos reformados que pagam a vida de muitos filhos e netos, provavelmente estão a esquecer-se de que são também alguns filhos e netos que, actualmente e sem se queixarem, estão a pagar – e muito! – as ditas pensões que nunca irão ter.



13 comentários

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De Coveiro Idiota a 04.06.2015 às 00:15

Pois é. Se por um lado podemos dizer que os actuais reformados têm todo o direito a receber os benefícios do "acordo" com que iniciaram a sua carreira de trabalho, por outro resta saber se é possível pedir (exigir, na verdade) aos actuais trabalhadores em início de carreira que façam uma contribuição para um fundo que claramente não vai retribuir, muito ou pouco, o esforço financeiro destes jovens.



Toda a gente diz que não se deve mudar as regras a meio do jogo. É verdade na generalidade. Mas não nos queixamos nós dos acordos que foram feitos com a lusoponte e não consideramos todos nós que esses acordos devem ser refeitos (com ou sem o consentimento da lusoponte) de forma a tornarem-se mais juntos? Não nos queixamos nós (por acaso eu não me queixo disto a 100%) de todas as regalias que os políticos da mais alta esfera têm e não consideramos todos nós (mais uma vez, eu excluo-me parcialmente) que essas regalias devem ser alteradas, mesmo para aqueles que já estão a gozar essas regalias?

Enfim, dá que pensar!
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De Joaquim Amado Lopes a 04.06.2015 às 14:35

Acho engraçada a ideia de comparar a revisão para baixo das pensões de reforma já a serem pagas com "mudar as regras a meio do jogo". Nunca ninguém se chateou com o facto de as regras mudarem todos os anos.
E a "mudança de atitude" não será certamente por até agora as regras terem mudado sempre no sentido de "actualizar" as pensões para cima porque isso seria hipócrita.
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De Uma Maria qualquer a 04.06.2015 às 09:58

O Vasco e cada um falem por si e seus progenitores. Os meus pais trabalharam a vida toda e o meu pai até começou a trabalhar ainda não tinha 15 anos. Descontaram muitos anos para as suas reformas. Agora, em vez de gozarem as suas reformas, como merecem, dão uma grande parte das suas pensões aos filhos para estes viverem e criar os netos. 

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De Vasco Lobo Xavier a 04.06.2015 às 11:51

Portanto, algo está mal, não é verdade?
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De Uma Maria qualquer a 04.06.2015 às 12:17

Pois algo está mal, está. O que está mal é essa sua opinião de que os mais novos estão a pagar as pensões dos seus mais velhos. Os mais novos não se queixam, nem têm nada de se queixar. Eu, por exemplo, estou muito agracecida por os meus pais me ajudarem. Nunca pensei que fosse ao contrário ;)

Sobre a pergunta que ali faz em baixo a outro comentador, eu não sei ao certo a partir de que idade o meu pai começou a descontar, mas sei que começou a descontar cedo para a Casa do Povo e trabalhou muitos anos. Se for importante para si saber mais pormenores, posso perguntar ao meu pai, mas tenho a certeza que muitos velhotes, que agora ajudam filhos e netos, também o podem esclarecer. 

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De esse antonio a 04.06.2015 às 10:43

Pois é: todos comentam sobre a 'injustiça' das reformas actuais... No entanto, apesar de haver alguns que têm uma reforma 'grande' comparado com o tempo em que o descontaram; há muitos, como eu, que comecei a trabalhar e a descontar aos 14 anos e parei aos 65, isto é: descontei durante cinquenta e um (51) anos. Será que eu e tantos outros teremos de ser vítima das asneiras que se fizeram e se continuam  a fazer com os valores da Segurança Social?
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De Vasco Lobo Xavier a 04.06.2015 às 11:50

E descontava aos 14 anos? Há 51 anos? Para onde?
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De esse antonio a 04.06.2015 às 21:45

Espero que, com as interrogações que fez, não esteja a pôr em dúvida o que escrevi. Na verdade, comecei a descontar em 1955 (14 anos) no primeiro emprego que tive para a Caixa de Previdência como se dizia na época.  Pelos vistos, desconhece que, naqueles tempos e até ao 25 de Abril, se descontava para a Previdência... E descontei sempre até 2006 (65 anos) quando me reformei.  Portanto, 51 anos. Imagine se tudo o que descontei mais o que descontaram os meus patrões ao longo desses anos, tivesse sido aplicado e devidamente capitalizado, quanto valeria hoje...
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De Uma Maria qualquer a 05.06.2015 às 09:33

O Vasco é demasiado novo para saber essas coisas.
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De Joaquim Amado Lopes a 04.06.2015 às 15:25

antonio,
Então o antonio acha que a sua geração não deve pagar qualquer parte dessas asneiras mas os seus filhos e netos devem pagá-las na totalidade.
É isso que entende como "justiça"?

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De esse antonio a 05.06.2015 às 09:30

A minha geração foi, talvez, das mais sacrificadas deste País... guerra colonial entre outras coisas...  Eu não disse que a minha geração não deve pagar... de resto, já andamos todos a pagar... Na verdade, verdadinha, quem devia pagar era os que conduziram as coisas a este ponto... E de justiça, sem comas, nem vale a pena falar... 
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De Uma Maria qualquer a 05.06.2015 às 09:32

Joaquim, eu respondia-lhe que com os meus filhos e netos me entendo eu. O Joaquim, se tiver algum problema de consciência com os seus filhos e netos, explique-se a eles. Por enquanto, visto e alimento o meu filho com a ajuda dos meus pais, que toda a vida trabalharam e descontaram e espero que ele um dia o reconheça. O Joaquim tem um ressentimento geracional, eu não. 
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De Joaquim Amado Lopes a 05.06.2015 às 21:33

Maria,
Se tivesse pensado um bocadinho naquilo que escreveu, não teria tecido considerações pessoais [inserir adjectivo que poderia levar a esta resposta ser recusada pelo autor do post] sobre quem não conhece.


Os seus pais toda a vida trabalharam e descontaram e têm agora direito a uma reforma condigna? Concordo.
Só que o que os seus pais descontaram não ficou numa conta à espera que eles se reformassem. Bem ou mal e justo ou injusto, esse dinheiro foi usado para pagar as reformas de outros e toda uma série de "direitos adquiridos" que foram sendo criados sem a mínima perspectiva de sustentabilidade.
Aliás, pelo que escreve, de certeza que a Maria não aceitaria as consequências de cada contribuinte ter uma conta-corrente na Segurança Social e descontar para a sua própria reforma. É que certamente deseja que os seus pais tenham muitos mais anos de vida e que os possam viver de forma condigna.
Ora isso implicaria uma de duas coisas: terem descontado muito mais do que descontaram ou, chegados a idade não tão avançada quanto isso (sendo generoso, uns 10-12 anos depois de se reformarem), simplesmente deixarem de receber qualquer reforma. Para continuarem a receber reforma depois disso iriam receber o que outros descontaram.
O resultado é que é quem trabalha e desconta agora que está a pagar as reformas dos seus pais. De certeza absoluta que, tendo a Maria que ser ajudada pelos seus pais para vestir e alimentar o seu filho, não desconta o suficiente para pagar as reformas deles. A menos que tenha vários irmãos/irmãs que trabalhem e descontem mas não necessitem da ajuda deles.
Assim, os filhos de outros vão passar a vida toda a trabalhar e descontar para pagar as reformas dos pais da Maria e de outros pais que não os deles, já com a certeza de que, pela evolução da demografia e o aumento da esperança de vida, estão a descontar mais do que os pais da Maria descontaram e irão receber reformas mais baixas. Por muito que o filho da Maria trabalhe e desconte.
Sendo evidente que as reformas de quem trabalha agora vão ser mais baixas do que as reformas actuais, é da mais elementar justiça que as reformas actuais se aproximem dessas reformas futuras.


Não tenho qualquer ressentimento geracional. Mas tenho bastante ressentimento contra quem acha que os seus "direitos" se sobrepõem aos dos demais e recusam ser "vítimas de injustiça" mas estão à vontade com que essa injustiça seja aplicada sobre quem venha a seguir. Como se quem vier a seguir (precisamente quem não pode de forma alguma ser acusado de cumplicidade com o que levou à injustiça) mereça ser alvo dessa injustiça.
 

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