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Pedros Nunos, Johnsons e outros que tal

por João-Afonso Machado, em 08.07.22

Foi talvez um dos mais despenteados primeiro-ministros da História contemporânea. Mas não é por aí... Portugal conheceu um, todo arranjadinho e abrilhantinado, que era louco; o outro, vestindo ao custo de milhares de euros, que se lambuzou todo com uma fortuna ainda não explicada. O traço comum do trio - foram todos borda fora, de um ou outro modo.

E está aí o aspecto que importa e nos distingue pela negativa. No caso de Boris Johnson, o que está na ordem do dia, à parte os protestos da Oposição, quem realmente contrariou a sua teimosia foi o seu próprio partido. Através da demissão em massa de membros do seu Governo ou pela atitude adoptada pelos deputados conservadores. O despenteado Boris não teve como dizer não face à repulsa manifestada pelos seus pares.

Por cá... (Haverá quem nos leve a sério além fronteiras?) Por cá, um ministro aeronauta resolve sozinho construir dois aeroportos de uma assentada, despacha nesse sentido, é desautorizado pelo seu 1º, não se demite que o Poder sabe bem e ainda se vangloria perante os jornalistas, não é «fragilizável»!

É claro, há mais. Enquanto o nosso Marcelo vai senilizando e caindo no absoluto ridículo, no UK Elizabeth II, com os seus 96 anos, mantem a lucidez, não tira selfies, não é desconvidada por um flibusteiro sertanejo nem intervem - não é suposto - nas questões políticas.

É suposto apenas reinar, ser acarinhada pelo seu povo e mantê-lo no seu lugar na História, sempre fiel à bandeira do Reino.

 



31 comentários

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De balio a 08.07.2022 às 16:59


O facto de a rainha não intervir nas questões políticas tem a desvantagem de que, se o primeiro-ministro fôr louco, não há quem o tire de lá - a não ser que o seu próprio partido se revolte.
Em Portugal, havendo um primeiro-ministro louco, há sempre a possibilidade de o Presidente da República dissolver o parlamento.
No UK é o próprio primeiro-ministro quem convoca eleições antecipadas quando lhe convem. Em Portugal é o Presidente da República quem decide convocar eleições antecipadas - quando convem ao país.
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De Anónimo a 09.07.2022 às 14:52

"a não ser que o seu próprio partido se revolte".

Como foi o caso.  Como vê, afinal sempre "há quem o tire de lá".
Mas quer comparar o sentido democrático dos ingleses com o dos portugueses?
Acha possível, em Portugal, que a bancada do partido vencedor de eleições fosse capaz de se revoltar contra os seus "colegas" de governo? Deve estar a sonhar.
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De Anónimo a 09.07.2022 às 16:31

Que interessa isso de quem convoca ou deixa de convocar as eleições num país? Cada país tem suas regras próprias e cumpre-as de acordo com as leis do país. Ponto final. 
Não se desvie do assunto. Está-se aqui a falar da independência e da liberdade dos eleitos sejam eles deputados, sejam eles membros do governo.  A cultura democrática no Reino Unido é muito diferente da de Portugal. No RU têm meios para nos pouparem ao espectáculo penoso a que assistimos recentemente entre um 1ºministro e um seu ajudante de governo. No RU haveria consequências para ambos. Cá passaram incólumes. E os restantes membros do governo? Ora, ora, comeram e calaram! Ninguém levantou a sobrancelha e ninguém se demitiu por "indecente e má figura" do governo.  Eis a grande diferença. 
É assim em Portugal "Tout va très bien Madame la Marquise!". Excepto por um pequeno incidente, "une bêtise" sem importância...
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De Anónimo a 10.07.2022 às 18:55

Balio, nem a rainha nem ninguém intervém no UK.
Têm um verdadeiro sistema parlamentarista puro e duro. Os deputados é que  têm o papel CENTRAL no Parlamento inglês. Inclusive condicionam e controlam o governo e não o contrário.  Lá, os deputados  trabalham a sério no escrutínio do governo.
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De anónimo a 11.07.2022 às 10:46


Exacto. Sequência de atribuição do poder político.


No RU, democracia directa:  Eleitor >> Os candidatos vencedores >> Parlamento >> PM >> Reunião e aprovação com Sua Majestade >> Seleção dos Ministros (selecionados entre deputados vencedores) >> Plano de Governo .... 


Em Portugal democracia representativa: Eleitor >> Partido vencedores ou coligação de partidos derrotados! >> Assembleia da República >> PM, (por vezes eleito por os que perderam a eleição) >> Seleção dos Ministros, (selecionados entre não-candidatos, obviamente não vencedores) ....
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De balio a 08.07.2022 às 17:02


Enquanto o nosso Marcelo vai senilizando e caindo no absoluto ridículo, no UK Elizabeth II, com os seus 96 anos, mantem a lucidez



Portugal também já teve muitos reis senis e reis pouco lúcidos.


Dom Sebastião meteu o país na sanita e puxou o autoclismo. Dom Duarte meteu o país na sanita mas felizmente os mouros não puxaram o autoclismo. Dom Pedro 5º e Dom Afonso 6º não fizeram o que deviam na cama. Etc.
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De João-Afonso Machado a 08.07.2022 às 17:47

Balio V. não  consegue deixar de ser de outra maneira e vem spre com argumentos tristes aos quais respondo assim - e no séc 18 Robespierre matou milhares e no séc 21 Trump se calhar provocou nova grande guerra e Bolsonnaro quase um milhão de mortes covid.
Deixe o passado com a rudeza do passado e olhe para os modos do presente
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De Anónimo a 09.07.2022 às 08:19


Trump ?! Amigo, o seu relógio deve estar avariado e parou vai fazer quase dois anos. Ou então não sabe quem é o actiual presidente dos USA.
Ou então é um caso de TDS longo.
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De Antonio Maria Lamas a 09.07.2022 às 07:28

Brilhante. 
Só não vê, os Balios do regime
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De Anónimo a 09.07.2022 às 11:03

Há uma razão para que em Inglaterra seja possível uma tal atitude de liberdade nos deputados. É que lá, os deputados não dependem nem são escolhidos  para as "listas" pelas chefias centrais da hierarquia do partido, , os deputados não são escolhidos entre as pessoas mais bem "conectadas" com a "engrenagem" e os interesses do "aparelho" do partido. Lá, o nome do deputado tem peso, vale por si, não é um verbo de encher que "se apaga" perante a máquina partidária. Em Portugal, quantas vezes nem conhecemos, nem escolhemos, nem sabemos quem são os deputados que nos vão representar no nosso próprio distrito!!! Muitos cidadãos votam de cruz, literalmente, sem saberem ao certo quem os representa.  Há portanto, toda uma diferença abissa!!! Seja na liberdade, seja na autonomia de que gozam os deputados em Inglaterra... 


Em termos gerais, no RU é o deputado que tem a visibilidade e a primazia no acto eleitoral _e não a "máquina" partidária_ pois ele é eleito em nome "pessoal" (integrado num partido, claro está) e pelo círculo eleitoral da sua região. E por isso os seus deveres e obrigações são para com o seu eleitorado "directo" e responde apenas perante o seu círculo eleitoral e daqueles que o elegeram .Ou seja, não depende de nenhum poder central. Os seus compromissos são em 1º lugar, para com os eleitores da  região que o elegeu "a ele" e por "ele mesmo". Assim sendo, a percentagem de votos que o partido arrecadar são os dele, deputado, por mérito próprio e não (como em Portugal) em que os votos servem a "máquina" e a parafernália centralizadora do partido, onde o nome do deputado eleito logo se "esfuma" após cada acto eleitoral e ninguém mais ouve falar dele. 
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De Anónimo a 09.07.2022 às 11:04


(cont.) 
Pelo contrário, em Inglaterra há uma cidadania "activa", pois o eleitorado dos diferentes círculos envolve-se verdadeiramente, vigia e escrutina o "seu" deputado; verifica se os representa bem... e aos interesses da região; pede-lhe respostas aos seus problemas e tem autonomia para lhe  exigir responsabilidades. Caso contrário, não voltará a ser escolhido nem reeleito,  já que essa escolha recai na região, é autónoma e independente da hierarquia "central" e das chefias "centralizadoras", como em Portugal,  donde emanam  todas as ordens "superiores" e escolhas partidárias para todo o país! É a grande diferença...
Daqui se conclui por que razão os deputados gozam dessa autonomia e dessa liberdade de que o João-Afonso Machado fala e agora se domonstrou no Parlamento inglês! Porque lá não têm "dependências"!!!  E isso também explica  porque não são "yes man" do governo. É que lá não temem que o governo (ou o partido) os "corra" das listas nas próximas eleições, como acontece aqui. Entre nós, um qualquer deputado "dissidente" (eleito por qualquer distrito do país) que se atreva a tecer críticas ou a divergir das directrizes do governo, imediatamente sabe o que o espera, se revelar muitos "estados de alma" contrários a esse mesmo governo: nunca mais entrará nas "listas" do partido e será "semi" ostracizado (vide o caso do Francisco Assis, "encostado" pelo Costa e depois "convenientemente" reabilitado pelo mesmo Costa para corrigir o tiro no pé e simular atitude de "condescendência" diante dos críticos). 

E vamos aguardar para ver até onde vai (ou deixam ir...) o único deputado  verdadeiramente livre do PS: Sérgio Sousa Pinto. 
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De Anónimo a 09.07.2022 às 12:49

A diferença é que em Portugal, com o nosso sistema eleitoral obsoleto, nenhum 1º ministro pode ser apeado antes de eleições (ou muito excepcionalmente) e muito menos, por moto próprio da sua própria bancada parlamentar, como aconteceu em Inglaterra. Que lição de democacia ! Aqui, faz-se uma muralha de aço e cerram-se fileiras de protecção à volta de ministro(s) visado(s) pelos maiores escândalos.
E depois, é só esperar que tudo esqueça e tudo passe... como o vento! (E na verdade é uma questão de paciência no esperar,  porque inalteravelmente tudo volta à "normalidade" imutável de sempre. Porque a memória é curta e o círculo vicioso é invariavelmente... circular!)
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De Anónimo a 09.07.2022 às 14:34

"Em Portugal, quantas vezes nem conhecemos, nem escolhemos, nem sabemos quem são os deputados que nos vão representar no nosso próprio distrito".

Quando mostram imagens da AR, muitas vezes não descubro na bancada do partido em que votei, que deputado(s) me representa(m). Há quem entre mudo e saia calado durante um mandato inteiro. Só tem de se levantar e sentar para votar cumprindo as ordens do partido, porque apenas representam os interesses do partido e os jogos de poder. Não pugnam pelos interesses do distrito que representam e que os elegeu para esse fim. É por isso que dificilmente acabam as assimetrias do país e há regiões desfavorecidas, votadas ao abandono, sem uma voz por elas.
Em Inglaterra, os eleitores são capazes de apontar e de identificar nas bancadas os seus próprios deputados. E estão atentos à sua atuação para verificarem se se batem pelo interesse da sua região. 
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De Anónimo a 09.07.2022 às 11:33


Pedros Nunos, Johnsons e outros que tal, como alguns bloggers e os que escolhem o que devemos ler.


Qual o interesse para nós de assuntos políticos de outros países?
Não tem assuntos nossos para falar?

The show must go on!
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De Anónimo a 09.07.2022 às 12:20

Quando um dia (oxalá que em breve) se fizer a revisão do nosso sistema eleitoral e os nossos deputados responderem somente perante aqueles que os elegeram  diretamente e gozarem da mesma autonomia e liberdade que têm os deputados ingleses, ENTÃO sim, acredito que haverá em Portugal uns quantos capazes de atirar com a toalha ao chão (sem se sentirem ameaçados nas suas carreiras políticas)  porque finalmente sentem que podem expressar "livremente"  a sua vergonha ou o incómodo de fazerem parte dum governo que se expôs ao país com uma das cenas mais aviltantes a que assistimos em democracia, protagonizada por um tal Pedro Santos. 
Enquanto houver coação ou ameaça sub - reptícia dos governos, nunca haverá auto-demissões em massa à semelhança de Inglaterra,  pois em Portugal isso não passa sem retaliações com consequências políticas...
(Coisa diferente é a disciplina de voto, com que concordo, e necessária para os consensos, nas questões estruturantes e sempre no interesse do país! Não no interesse do partido do governo, para salvar a pele e se manter a qualquer preço no poder!)
 
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De Fernando Santos a 09.07.2022 às 13:40

Muito educativo este post! Cheio de conteúdo e ensinamentos históricos! Segue, no geral, o que os k@g@-lérias têm para nos dizer e informar! De tempos a tempos leio um ou outro post aqui publicados, e de facto, geralmente, trata-se de "notícias" balofas para entreter o pagode e para estimular o ego dos cartilheiros. Passem bem e até à próxima.
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De Kruzes Kanhoto a 09.07.2022 às 18:21

Mas, afinal, é disto que o povinho gosta...
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De João-Afonso Machado a 09.07.2022 às 21:42

Desta procissão desastrosa?
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De Anónimo a 09.07.2022 às 18:33

Só para lembrar:  


https://rr.sapo.pt/noticia/politica/2019/11/18/assis-diz-que-foi-silenciado-por-criticar-geringonca-e-ve-no-governo-o-eco-da-voz-do-chefe/168728/


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