De xico a 16.05.2014 às 22:17
Maria Teixeira Alves,
Gozar com Alexandra Solnado pode ter graça, até porque ela se põe a jeito, falando de coisas que nem ela sabe muito bem do que se trata.
Agora gozar com a terapia de vidas passadas é meter-se pelo caminho da asneira. Saiba que o assunto foi e é tratado por especialistas em neurologia e psiquiatria. Começou com Morris Netherton, doutor em psicologia. Um dos especialistas é Brian L. Weiss, doutorado pela universidade de Columbia e catedrático do Mount Sinai Medical Centre, em Nova Iorque, que como devia saber é um dos centros de ensino mais antigo do mundo e tem um dos melhores hospitais.
De xico a 18.05.2014 às 00:36
Toda a ciência progride formulando teorias. Teorias científicas são hipóteses que se colocam e se estudam. Não são provas de que algo seja verdadeiro, senão não eram teorias mas factos. Não sou especialista e por isso não estou habilitado a dizer se a terapia de vidas passadas que tem sido investigada é conhecida no meio científico como disparate. O que sei é que a Universidade da Columbia é das mais prestigiadas dos EUA e uma das mais antigas deste país. Pôr em causa o valor dos seus catedráticos é que me parece um disparate.
Como diz, nada se sabe se há ou não vidas passadas. Dizer que não há é tão disparate como afirmar que as há sem provas. Platão acreditava que as havia. Espero sinceramente que não se impedisse Platão de participar numa conferência das nossas universidades.
O significado das palavras "teoria" e "facto" não é o mesmo no dia-a-dia e no âmbito da discussão científica. Uma teoria científica é um sistema de ideias que explica uma série de fenómenos ("factos") e não foi, ainda, invalidada. No fundo, uma teoria científica partilhada pela comunidade científica é o nosso melhor conhecimento sobre determinado fenómeno. "Teoria científica" é quase sinónimo de "facto". Quando falamos de "teorias científicas" falamos daquilo que de mais parecido temos com a certeza de que algo é verdadeiro (os cientistas só não apresentam certezas porque esse conceito não existem em ciência). A Teoria da Relatividade, a Teoria da Evolução das Espécies por Selecção Natural, a Teoria Heliocêntrica — tudo são teorias, ou seja, são conhecimento científico sólido e validado por imensas observações e experiências.
No que toca à "teoria das vidas passadas", estamos a falar duma hipótese sem qualquer base científica: a palavra teoria, neste caso, quer dizer apenas "ideia" ou "hipótese". Não é uma teoria científica, pois nunca foi testada ou integrada com o conhecimento científico. A ciência, aliás, explica a existência destas ideias através de fenómenos psicológicos. Para que as "vidas passadas" fossem verdadeiras, era preciso que uma série de teorias na área da biologia fossem falsas e não há qualquer indício que o sejam. Para que as "vidas passadas" fossem verdadeiras, era preciso encontrar a "alma" ou "essência" ou "espírito" que passaria de um corpo para outro, e nada disso foi encontrado ou detectado de forma científica.
Sim, os cientistas não podem provar a não existência deste fenómeno, tal como não podem provar a inexistência das fadas, do Pai Natal ou do Loch Ness. Mas não poder provar seja o que for não quer dizer que devamos aceitar a sua existência sem qualquer prova ou que possamos andar a estudar essa ideia indefinidamente sem encontrar qualquer indício que seja verdadeira. A Ciência funciona procurando teorias que expliquem de forma cada vez mais profunda um cada vez maior número de fenómenos naturais. As memórias de "vidas passadas" já foram explicadas pela Ciência como fenómeno natural: o nosso cérebro consegue criar e imaginar memórias de coisas que nunca aconteceram. Por outro, lado, a existência real de "vidas passadas" não foi detectada e implicaria a falsidade de inúmeras teorias científicas que foram já testadas e comprovadas ao longo de décadas.
Haver académicos que estudam estas questões não prova nada. Só os resultados que pudessem apresentar, que resultassem de experiências cientificamente sólidas e que fossem testadas e reproduzidas por outras equipas em todo o mundo poderiam dar-nos confiança na hipótese apresentada e transformá-la em teoria científica (ou seja, factos científicos). Nesse caso, essa teoria iria invalidar teorias anteriores, mas é isso mesmo que acontece em muitos casos. Foi o que aconteceu com a Relatividade, com a Evolução, etc., que se tornaram teorias (=factos), desalojando do conhecimento científico outras teorias, que passaram a ser apenas e só ideias erradas. Nada disso aconteceu com esta hipótese das "vidas passadas".
Por fim, Platão acreditava em muita coisa que, depois, se veio a comprovar ser um disparate. Na altura em que viveu, tais ideias não eram um disparate, porque o conhecimento científico não estava tão avançado como hoje. Se Platão renascesse hoje e lhe fossem explicadas todas as experiências e tudo o que se descobriu até hoje, também ele chegaria, racionalmente, às conclusões a que chegaram os cientistas. Se, mesmo assim, Platão fosse a uma conferência científica apresentar esta ideia sem qualquer base científica, essa ideia seria recusada. Se uma qualquer pessoa desconhecida chegasse a uma conferência científica com resultados sólidos, esses resultados seriam analisados. O que interessa não são as pessoas particulares que apresentam os resultados, mas a força desses mesmos resultados e a sua capacidade para serem reproduzidos por terceiros e, assim, integrados no conhecimento científico.
De xico a 18.05.2014 às 21:04
Estou plenamente de acordo consigo. O que quis chamara a atenção de MTA é que misturar uma terapia que, bem ou mal, não sei, está a ser investigada pelos meios científicos apropriados, dizia eu, misturar isso com a "esperteza" de Alexandre Solnado parece-me asneira.
Quanto à existência da alma, essência ou espírito, julgo que a ciência não vai bem se põe de lado como hípótese de estudo uma ideia que é transversal a toda a humanidade. Logo não pode ser considerado disparate estudos que pretendam compreender fenómenos que a cultura não científica explica pela existência de uma alma ou espírito (nem sempre significam o mesmo), senão imortal pelo menos separável do corpo físico.