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Um dia destes perguntei que limite de idade teriam as crianças que o Hamas (poupem-me aos eufemismos ministério da saúde de Gaza, ou defesa civil de Gaza) anuncia repetidamente como morrendo todos os dias por bombardeamentos israelitas.
A resposta foi a esperada, 12/ 13 anos, é o conceito comum de criança, alguém que ainda não entrou na puberdade.
Mas não, não é esse o conceito estatístico usado nestas coisas, é mesmo 18 anos (nalgumas organizações vai aos 20, mas são poucas), ou seja, as crianças que o Hamas reporta como tendo morrido, incluem uma grande quantidade de adolescentes, provavelmente boa parte deles soldados do Hamas, sendo muito curioso o facto da censura moral se exercer sobre Israel que mata crianças (parte delas, seguramente armadas e fazendo parte do exército do Hamas), em vez de primariamente se dirigir ao Hamas que tem um largo contingente de soldados que são crianças, nesta definição que vai até aos 18 anos.
Como a idade mediana em Gaza é de 18 anos (a do mundo é 28, a de Israel é 30 e a de Portugal é 47) com 43,5% da população com menos de 14 anos, qualquer guerra terá como consequência a morte de crianças (no sentido técnico de pessoas com menos de 18 anos, e não no sentido comum de pessoas que não atingiram a puberdade), o que é especialmente verdade numa das zonas do mundo com maior densidade populacional, sendo opção estratégica do Hamas usar civis como escudos humanos, impedindo o uso da sua extensa rede de túneis como abrigo para a população civil.
Esta dissonância entre os discursos sobre Gaza e a realidade é transversal, havendo dezenas de textos com palavras fortes que, na verdade, servem essencialmente para disfarçar ideias fracas.
Um bom exemplo é a conversa sobre o genocídio (até há, entre pessoas informadas e com obrigações especiais de conhecer a realidade, como jornalistas, pessoas que acreditam que um esquema de ajuda humanitária que pretende retirar o controlo da ajuda humanitária do Hamas, foi desenhado para ser uma armadilha que permite ao exército israelita andar a fazer tiro ao alvo às pessoas que procuram aceder a essa ajuda humanitária), que deve referir-se à diminuição de 6% da população de Gaza em 2024, em relação a 2023, ilustrada neste gráfico, que resulta mais da quantidade de pessoas que foram autorizadas a sair do território que às mortes (a população terá diminuído umas 160 mil pessoas, e mais de cem mil terão deixado Gaza, para genocídio, só com muita incompetência por parte dos genocidas).

O mesmo se diga da constante referência ao massacre de Gaza.
Usando os números do Hamas, as mortes diárias em Gaza (que tem mais ou menos um quarto da população de Portugal, um bocadinho menos) são um terço das mortes diárias em Portugal, para massacre parece haver aqui um problema qualquer de distorção do significado das palavras.
Ou seja, falar de genocídio, massacre, limpeza étnica, carnificina e outros conceitos semelhantes usados para caracterizar a difícil e complexa situação de Gaza, não tem qualquer base na realidade e revela apenas uma necessidade de cobrir com o manto diáfano da fantasia a nudez crua da verdade.
Nudez essa que se sintetiza na ideia, dizem-me que de Golda Meir, de que se o Hamas (o Hamas nem existia, provavelmente no original estaria árabes ou OLP, qualquer coisa desse tipo que não altera a ideia) depuser as armas e soltar os reféns, a paz é estabelecida imediatamente, se Israel depuser as armas, os judeus serão massacrados e apagados da região (como aliás, aconteceu em quase todos os países do Médio Oriente, onde as grandes comunidades judaicas que existiam no princípio do século XX estão hoje praticamente desaparecidas, sendo hoje muito mais fácil encontrar árabes em Israel, em que são 20% da população com todos os direitos cívicos inerentes, que judeus no Iémen, onde eram umas dezenas de milhar, em centenas de comunidades, nos fins do século XIX e princípios do século XX. Já agora, hoje não estão lá porque foram obrigados a fugir para o recentemente criado estado de Israel, em 1949 e 1950).
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