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Outra vez arroz?

por henrique pereira dos santos, em 11.06.21

Não reproduzo há muito tempo os gráficos da mortalidade do Euromo

euromomo.jpg

Também não tenho reproduzido os gráficos de mortalidade para Portugal.

sico.jpg

Esta deve ser a única epidemia na história que se considera em curso sem haver mortalidade excessiva (não quer dizer que não volte a haver mortalidade excessiva na próxima época de doenças respiratórias, entre a semana 40 deste ano e a semana 19 do ano que vem).

Mas a incidência está a aumentar, os internamentos em Lisboa duplicaram em poucas semanas e por aí fora, é preciso olhar para isso com atenção porque numeros crescentes dão origem a crescimentos exponenciais mais cedo ou mais tarde, dizem-nos pela enésima vez.

Este é um tipo de previsão que permite acertar sempre, eu, por exemplo, se disser que vamos todos morrer, estou absolutamente certo de que vou acertar na previsão. A previsão, embora certa, continua a ser inútil para o que me interessa: saber em que dia, a que horas, onde e como vou morrer.

O Expresso, dando livre curso à sua vocação para fazer fretes aos governos, lá vem avisar, na sua primeira página, que festas familiares são uma coisa muito perigosa e até houve uma festa de aniversário com mais de quinhentas pessoas em que 66 testaram positivo (que festa era esta, já agora? É que mais de 500 convidados já é muito pouco habitual). O facto do Expresso ter esta primeira página não tem nenhuma relação, claro, com o facto do governo ter anunciado que passava a ser obrigatório fazer testes para estar nestas festas.

Há já dias que o governo anunciou isto e, curiosamente, não tenho visto os jornais a fazer as perguntas que eu gostaria de ver respondidas: 1) É preciso autorização para eu fazer uma festa de anos?; 2) Não sendo, como é que se verifica o cumprimento de regras em espaços privados?; 3) Já é permitido, em Portugal, a polícia entrar em espaços privados, em especial em casa das pessoas, sem mandato judicial?; 4) Se os meus convidados me disserem que fizeram um teste em casa, como é que eu verifico?; 5) Se os meus convidados disserem que se esqueceram de fazer o teste, de que autoridade estou revestido para lhes impor sanções, sejam elas quais forem?; 6) Que recursos as polícias vão alocar à verificação do cumprimento de regras em casamentos e baptizados e que acções deixam de fazer para que esses recursos sejam aplicados no controlo da vida privada de pessoas comuns?; 7) Sendo um teste médico um acto directamente relacionado com a minha saúde, qual é a base para a polícia me exigir a divulgação de dados pessoais sobre a minha saúde e, pior, dos meus convidados?

Ainda hoje ouvi parcialmente um programa na Rádio Observador com responsáveis pelos serviços Covid (ou de medicina intensiva, não sei) dos hospitais de Santa Maria, Lisboa, de Coimbra e São João, no Porto.

Do que ouvi, há uma subida paulatina em Lisboa que faz com que existam 25 doentes internados (menos de um décimo dos mais de 300 em Fevereiro), há uma percentagem maior de doentes mais novos (porque os mais velhos ou morreram ou estão vacinados, diria eu), há uma maior percentagem de doentes com mais complicações covid (porque com doentes mais velhos os internamentos prolongam-se não apenas para resolver as complicações covid, mas para resolver os desequilíbrios associados a outras morbilidades que são mais frequentes nos mais velhos) mas a situação é perfeitamente normal.

Aliás, uma das afirmações mais interessantes foi do médico do Porto a explicar de que tinha cinco doentes em cuidados intensivos mas, desses, dois eram politraumatizados que estavam nos cuidados intensivos por razões sem qualquer relação com a covid, só que tinham testado positivo e por isso estavam em serviços covid.

O que ouviram os jornalistas?

Que a doença está a afectar mais o mais jovens, que está a desenvolver quadros clínicos mais graves e que a subida de casos pode vir a ser um problema.

O que ouvi eu?

Que se confirma, mais uma vez, a falta de trabalho jornalístico na distinção entre doentes de covid e doentes que testam positivo e que a situação tem muita margem para progredir, não sendo necessário estar a complicar com medidas e medidinhas.

Alguém está verdadeiramente convencido de que incidência em Lisboa varia alguma coisa relevante por os restaurantes fecharem às dez e meia ou à uma da manhã?

Alguém está verdadeiramente convencido que a incidência varia alguma coisa relevante porque o teletrabalho é obrigatório ou não, sabendo que muitos dos que trabalham em Lisboa nem sequer vivem no concelho e muitos dos que vivem no concelho trabalham fora dele?

Sim, há um ligeiro crescimento da positividade dos testes, ainda em valores muito baixos, que precisa de ser acompanhada, mas de resto já seria tempo dos senhores jornalistas se deixarem de ser preguiçosos e fazer o trabalho essencial de um jornalista: escrutinar a informação que tem origem no poder, seja o poder do governo, seja o poder das empresas, seja o poder das corporações (incluindo a Ordem dos Médicos), seja o poder da academia.

Talvez finalmente reparassem que há um conjunto alargado de regiões, no mundo, que não cumprem nada destas regras patetas e a evolução da epidemia continua, no essencial, a ser a mesma, com surtos que não sabemos prever porque ainda não conhecemos bem os mecanismos da sua evolução, sendo já certa uma coisa básica: não há, em lado nenhum do mundo, uma demonstração de que subidas e descidas de incidências desta doença estejam solidamente ligadas à mobilidade e à densidade de contactos.

E talvez, nessa altura, finalmente ganhem consciência da barbaridade que é o governo querer controlar as festas familiares, não tendo mais base mais sólida para o fazer que uns dados manhosos passados ao Expresso para justificar a esquizofrenia em que vive, há meses, a Direcção Geral de Saúde e quem a apoia.



8 comentários

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De Susana V a 11.06.2021 às 16:28

Isto já é obviamente uma doença do foro mental.
Já não há palavras para descrever a insanidade e a vontade de controlar a vida dos outros. Gabo-lhe a paciência. 
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De pitosga a 12.06.2021 às 16:42


Vamos lá ver... e, meu caro HPS, não gaste tanto espaço com idiotas e criminosos, se bem que vale a pena denúnciar crimes e idiotas.

Abraço

Dr. John H May 6, 2021 at 4:33 pm (https://drmalcolmkendrick.org/2021/04/24/covid19-taking-stock/#comment-218274)

In 1976 the rushed to market swine flu vaccine was pulled in the US after 30 reported deaths and about 500 cases of paralysis, and the CDC director was fired. Compare this to 4 months of Covid vax with 3500 reported deaths and 120k injuries in the US.

lingulella May 6, 2021 at 9:06 pm (https://drmalcolmkendrick.org/2021/04/24/covid19-taking-stock/#comment-218285)

Over at TrialSiteNews they report today on the situation in Zimbabwe. It appears that a second wave, much larger than the first, was affecting politicians and senior military and this may have contributed to the medical authorities there going against the WHO and allowing the use of i v e r m e c t I n. This has completely cut the legs off the surge in cases an deaths, but is it making headlines elsewhere? Not that I have seen.

If there was ever a bigger medical scandal than the suppression of this and other off label out of patent “antiviral” treatments, can someone please show it to me.

Even the WHO now acknowledge that between 80% and 85% of the deaths recorded would not have been down to Covid-19 if this drug had been used from the time Monash Uni first reported its in-vitro research.


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De Carlos Sousa a 13.06.2021 às 11:09

Só uma pergunta...
Se os casos aumentam a culpa é das pessoas, então e se os internamentos aumentam depois das pessoas estarem vacinadas, a culpa é de quem?
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De Anónimo a 13.06.2021 às 13:45

Hoje, na TV, o Dr. Filipe Froes fez uma declaração incompreensível. O que pretende com a mesma? Pânico, que as pessoas recusem a vacina? Com que base? 
Catarina Silva
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De balio a 14.06.2021 às 09:32


como é que se verifica o cumprimento de regras em espaços privados?


Bem, os restaurantes também são espaços privados, porém têm regras e elas podem ser verificadas.


Uma festa grande normalmente não ocorre na casa (residência) das pessoas, mas sim num espaço comercial dedicado a esse fim e sujeito a licenciamento e regras.
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De balio a 14.06.2021 às 09:38


a barbaridade que é o governo querer controlar as festas familiares


Parece-me muito enganador designar por "familiares" festas sociais.


Um casamento ou batizado pode de facto ser uma festa meramente familiar, mas em muitos casos é uma festa social, com dezenas ou centenas de pessoas que não se conhecem entre si e que não são, nem de longe, da mesma família.


Estas festas "familiares" não ocorrem na casa de uma qualquer família, mas sim em espaços especificamente dedicados a essas festas, como sejam restaurantes ou antigos solares.
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De raul raul a 14.06.2021 às 18:09

olha la palermita, tu ja paraste UM SEGUNDO apenas para chegares }a conclusao que nao percebes UM CARALHO do tema ?
Isso e que e uma doenca que para ai vai ah ?
Se nao percebes CALA.TE !!!! Ja metes nojo.   Era o que faltava agora qualquer palermoide sentado no sofa a mandar bitaites sobre saude publica.
Ja reparaste na quantidade de paises que fizeram lockdown e que CONTINUAM a ter medidas agora no verao ? Porque sera ? Onde andam la os palermas HPS  ???   Tristeza do caralho, qualquer papalvo acha que pode opinar so pq ve uns numeros no computador
nao te trates nao.    Achei/te uma graca no outro dia a dizer que o Carmo nao acerta uma.  Quantas acertaste tu palhaco ?   O ronaldo em 10 acerta 2....  o carmo em 10 acerta 1 ou 2, mas para ti o que interessa e as que ele falhou.  E tu ?  onde esta o teu vasto CV em epidemiologia ?  Es um andre dias mais disfarcado. Tu e a tua turma de criminosos liberais.  Um mar tao grande e  voces aqui ocupar espao
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De raul raul a 14.06.2021 às 18:12

@o trabalho essencial de um jornalista: escrutinar a informação que tem origem no poder, seja o poder do governo, seja o poder das empresas, seja o poder das corporações (incluindo a Ordem dos Médicos), seja o poder da academia.@


Paranoico psicopata
LOLOL... estas logo a dizer que a terra e plana.  Isso so la vai mesmo com uma bota da tropa 

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