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Os resultados esperados

por henrique pereira dos santos, em 20.02.21

Estamos a obter os resultados esperados do confinamento, tenho lido por aí, vindo dos modeladores da epidemia e afins.

Há conjunto pequeno de matemáticos - serem matemáticos de formação ou não, é irrelevante - que falam muito entre si, dão-se palmadinhas nas costas uns dos outros e confirmam-se todos os respectivos modelos, agradecendo-se mutuamente o trabalho que cada um retira aos outros com as suas sofisticadas análises.

Pelo que percebi, a Assembleia da República vai ouvir o núcleo duro desses matemáticos no dia 24 de Fevereiro, para saber mais sobre a epidemia, a sua evolução e, presumo, para ter melhores bases para decidir o que fazer daqui para a frente.

São dos maiores influenciadores da gestão da epidemia embora não haja, neste grupo, um único que trabalhasse sobre epidemias antes da covid (e, já agora, um único que veja a sua vida e rendimentos afectados, de forma séria, pelos confinamentos que defendem).

E todos eles partilham entre si uma fé inabalável nos confinamentos, que defendem que sejam radicais, porque essa é a melhor maneira de salvar vidas.

Contribuem para a tal ideia de que a situação actual corresponde a estarmos a recolher os resultados esperados do confinamento e do fecho da escolas (um encantamento que cultivam com especial desvelo).

É preciso dizer, com todas as letras, que até talvez se possa dizer que a situação actual é o resultado do confinamento com fecho de escolas - eu acho que não, mas adiante - mas dizer-se que é o resultado "esperado" é mentira.

Os resultados esperados pelos modelos de todos estes senhores eram outros completamente diferentes, estes senhores todos esperavam outros resultados que abundantemente difundiram e que, sem dúvidas ou cambiantes, trouxeram para o debate público para forçar os confinamentos e o fecho de escolas, porque acreditavam piamente que eram a única maneira de melhorar os resultados, ainda mais catastróficos, que esperavam que existissem sem confinamento.

Não há o menor problema científico ou académico em desenhar modelos que falham estrondosamente, isso é o mais normal, é por isso que os modelos são, de maneira geral, trabalhos em desenvolvimento e onde se vão introduzindo melhorias que os façam aproximar-se da realidade verificada.

A forma de validar um modelo é aplicá-lo a uma realidade conhecida, verificar a sua aderência aos dados conhecidos e, partindo do pressuposto de que os mecanismos que fizeram evoluir a realidade da forma conhecida se prolongam no tempo, projectar para o futuro os resultados conhecidos.

Quando, como é normal, os resultados projectados vão ficando mais longe da realidade que se vai observando, o normal é olhar para o modelo e tentar perceber quais os mecanismos condutores da evolução que o modelo está a integrar mal, refazer o modelo para os integrar melhor, e esperar de novo pelo futuro para verificar se a aderência à realidade aumentou.

Ora o que estes senhores, do alto da sua torre de marfim - quando perguntados as evidente falhas de previsão dos modelos, ou não respondem, ou respondem que os perguntadores não têm conhecimento suficiente para compreender a sofisticação matemática que está a ser usada -, têm feito é ignorar os erros do modelo, limitando-se a rever em baixa as previsões ou na melhor das hipóteses, considerar que o nível de imunização está acima do previsto nos modelos e é preciso melhorar esse aspecto.

Em relação à primeira hipótese é preciso dizer, com clareza, que não existe o conceito matemático de revisão em baixa de previsões, os modelos ou estão certos, ou estão errados, não se revêem previsões em baixa, mantendo o modelo.

Quanto aos segundos, os que admitem que os modelos falharam na integração do factor imunização, é talvez útil dizer que essa explicação é incompatível com a defesa dos confinamentos, em particular com o fecho das escolas, como método preventivo para evitar um novo Janeiro na Páscoa, já que essa imunização impede uma repetição do que se passou em Janeiro.

Resumindo, deixem-se de parvoíces e abram as escolas já, no mínimo dos mínimos, para os alunos com menos de 12 anos.

Ao contrário do que disse Roberto Roncón, há problema sim, se se tiver de se fazer um novo confinamento, mais, há problemas sim, e enormes, em manter o actual confinamento, quando a média de casos está abaixo dos dois mil e o R(t), ou seja, o factor de contágio, está em 0,66, que é um valor baixíssmo e a positividade dos testes, que tem algum atraso de reporte, está já bem abaixo dos 10% referidos por Manuel Carmo Gomes como sendo o máximo admissível sem confinamento.

Os vossos modelos estão errados e pressupor que há uma grande probabilidade de ter, em Abril, níveis de incidência de uma doença infecciosa respiratória semelhantes a Janeiro é absurdo e contraria tudo o que se sabe sobre esse tipo de doenças.

Ficai com as vossas elocubrações matemáticas completamente desligadas da realidade, mas deixem de atazanar a vida quotidiana da milhares de pessoas, que ninguém vos elegeu para governar a sociedade.



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