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 A título de serviço público, aqui ficam traduzidas as declarações de Jean Claude Juncker, ontem, na 505ª sessão plenária da Comissão Económica e Social:

«Nem tudo aquilo a que se chama política de austeridade é necessariamente política de austeridade. Porque muitas vezes essas políticas de austeridade acabam por ser excessivas, vimos isso nos chamados “países-programa”. Não gosto da expressão porque continuam a ser países, apenas com mais problemas do que outros.

Estamos a assistir a diversas coisas. Antes da campanha eleitoral, critiquei a troika, não por querer necessariamente fazê-lo, pois penso que o BCE, o FMI e a Comissão devem fazer parte da estrutura, mas porque estava a considerar a forma como funciona e a sua legitimidade democrática.

Quando chegar o momento, ela terá que ser revista. Nada direi sobre a Grécia, hoje, porque estou envolvido em conversações e negociações. Falámos muito da Grécia na Comissão, durante horas, mas, na comissão anterior não falámos nada dela, porque confiávamos cegamente na troika.

Eles (a troika) sempre disseram que não foram confrontados por políticos, mas sim por funcionários. Não quero criticá-los, mas não se pode dizer que um ministro seja um funcionário. Temos que os colocar na esfera da Comissão ou sob a autoridade do presidente do Eurogrupo. Pecámos contra a dignidade das pessoas na Grécia, em Portugal e por vezes na Irlanda. Eu era presidente do Eurogrupo, pelo que pode parecer estupidez dizer isto, mas precisamos de tirar lições do passado e não repetir os mesmos erros. Claro que isso significa que se mantém a necessidade de consolidar as finanças públicas. Não podemos viver a depender das gerações futuras – tudo isso depende das nossas acções. Há necessidade de reformas estruturais que aumentem o potencial de crescimento da Europa, mas chamar a algo uma reforma estrutural não significa que ela seja digna desse nome. Mete-se tudo a monte na (expressão) reforma estrutural. Temos que definir exactamente de que reformas estruturais estamos a falar.

George, como disse, «as pessoas da Europa apelam a nós», ora bem, as pessoas apelam a nós, mas não dizem todas a mesma coisa. Esse é o problema.

Sinto-me próximo do povo grego, tão desafortunado. Mas se falar do mesmo assunto na Holanda, na Áustria ou na Alemanha, as pessoas vão dizer coisas muito diferentes… se vou à Eslováquia, a Chipre ou a Malta, onde o salário mínimo é mais baixo do que o da Grécia, então tenho que ouvir uma mensagem diferente. Temos, por isso, que ouvir todos os povos sem distinção, e tentar pôr inteligência no desenvolvimento das políticas adequadas.»


1 comentário

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De Joaquim Amado Lopes a 20.02.2015 às 00:44

"precisamos de tirar lições do passado e não repetir os mesmos erros"
Podemos então esperar que Jean Claude Juncker nunca mais abra a boca para falar sobre esta matéria?

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