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Noutro lado, fiz um comentário ligeiro sobre esta notícia do Observador (na verdade, da Lusa, eu li no Observador mas pelo menos no Diário de Notícias está igual) em que se fala do facto de uma equipa que mistura arqueólogos, associações políticas neo racistas, a Câmara Municipal e uma associação de defesa do património, ter descoberto a pólvora: vestígios materiais da existência de escravos numa aldeia de Alcácer do Sal, entre o Torrão e a aluvião de Alcácer e Grândola.
Limitei-me a fazer um comentário irónico sobre o contrabando de ideologia a partir das cátedras universitárias, uma prática que sempre existiu.
O que é novo é que esse contrabando era considerado um grave erro académico, e hoje é considerado uma necessidade fundamental da boa ciência, desde que seja a ideologia certa.
Se dúvidas houvesse, bastaria ler um longo ensaio (e chato) do arqueólogo principal do projecto, numa altura em que se preocupava muito com o neo-colonialismo mas, aparentemente, ainda não tinha aderido ao neo racismo que justifica o que agora anda a fazer em Alcácer do Sal (à procura do paralelismo entre o importante porto de comércio de escravos de Cacheu e uma aldeia perdida do vale do Sado onde também foram usados escravos).
O ensaio é longo e chato (a ainda por cima cita Boaventura Sousa Santos mais a conversa do epistemicídio), sempre à volta do mesmo, de maneira que para ficar com uma ideia transcrevo já o parágrafo inicial, que o resto afina pelo mesmo diapasão: "Enquanto disciplina, a arqueologia é um produto da modernidade ocidental e de relações de colonialidade contemporâneas. Neste texto discuto brevemente a arqueologia no contexto da descolonização do saber e da sociedade. De seguida, exponho quatro problemas centrais com que devemos lidar, seguidos de propostas de discussão ou exemplos de experiências descolonizadoras. O projeto descolonial está longe de ser uma mera abstração. Pelo contrário, é uma oportunidade para imaginarmos um mundo com justiça social".
O salto que vai deste ensaio para a notícia, e que me chamou a atenção para o trabalho deste arqueólogo, corresponde ao salto lógico a partir daqui: defender com unhas e dentes o mito de que escravidão e racismo estão intrinsecamente ligados, e a partir daí passar para o mantra do neo racistas: há uma história de escravidão que diferencia grupos sociais pela cor da pele (mesmo que sendo todos iguais, há uns grupos mais iguais que outros, como acontece sempre nestas opções que separam bons de maus a partir de um pecado original) e a cor da pele define a identidade das pessoas, não havendo espaço para os indivíduos serem o que são, sem primeiro discutir a cor da sua pele.
Haver quem ache que há alguma coisa de científico nesta base ideológica não deixa de me surpreender.
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