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Os Limites da Máquina

por Miguel A. Baptista, em 23.01.23

Andei a brincar com o ChatGPT e fiquei relativamente impressionado. É claro que nos próximos tempos a inteligência artificial vai entrar em muitas áreas que julgaríamos exclusivas do humano. Já foi há mais de vinte anos que os computadores ultrapassaram os humanos na capacidade de jogar xadrez. Na altura o computador da IBM, o Deep Blue tinha capacidade para processar duzentos milhões de jogadas por segundo, mas ainda não teinha competências de "machine learnig" que o fizessem aprender enquanto jogava. 

Mas o xadrez é algo limitado, no sentido que mesmo com milhões de possibilidades que se vão desenvolvendo em exponencial, o número de hipóteses é limitado. Em áreas como a escrita, a pintura, a música, a arquitectura, ou a advocacia, as possibilidades são teoricamente infinitas. E já é possível ter, ou pelo menos imaginar, livros, quadros, peças musicais, projetos ou argumentação jurídica desenvolvidos por Inteligência Artificial. 

Um máquina poderá fazer quase tudo. Penso que há apenas uma coisa que uma máquina jamais poderá fazer que é sentir. Ou seja, uma máquina poderá ter todos os sintomas de sentir mas nunca poderá experienciar, efectivamente, um sentimento de si. É isso que coloca os animais sencientes, e especialmente pela sua complexidade, o homem, num terreno à parte. A capacidade de ter alegria, dor, paixão ou encantamento não são possibilidades de maquinas. 

Na minha experiência com o ChatGPT despedi-me da máquina dizendo-lhe "boa noite, apesar de não teres sentimentos, gostei de conversar contigo". Ela respondeu-me "boa noite, apesar de não ter sentimentos, também gostei muito de conversar contigo". 


12 comentários

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De Miguel Alçada Baptista a 24.01.2023 às 14:42

Com certeza que conseguirão simular reações sentimentais à perfeição. Mas sentir é maus que isso.
Como vê  não falou para o beoneco.

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