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Os jornalistas que consideram ser seu dever mentir

por José Mendonça da Cruz, em 02.12.22

Honradamente, profissionalmente, Paulo Garcia, pivô num programa da Sic, mostrou «devidamente legendados» após leitura labial, os desabafos de Cristiano Ronaldo ao ser substituído no Portugal - Coreia do Sul. Eram em português: «Estás com muita pressa de substituir-me, c_ _ _ _ _ o, f _ _ _ - _ e». Imediatamente a seguir, os comentadores da Sic ignoram a evidência, e garantem que a verdadeira versão é a inventada depois, de que CR7 falava com um jogador coreano com o qual só se cruzaria bons momentos depois. Esta versão fantasiosa também foi acolhida na Tvi, na CNN e na RTP -- mas não na CMtv, outra excepção honrosa além da de Paulo Garcia.

Estes comentadores que desmentem as evidências, e mentem com todos os dentes não são, portanto, jornalistas, são falsários, que calam a verdade em nome do que julgam ser valores mais altos -- que seriam no caso, e como os próprios dão a entender entre linhas, «a paz do balneário» e a «coesão da selecção». Não são, portanto, jornalistas, e desprezam, portanto, os ouvintes e espectadores, e querem vender como verdade a aldrabice mais descosida, porque entendem que assim é melhor. 

Em tempos, Jorge Jesus foi mostrando três dedos ao treinador do Manchester United, à medida que o (então) seu Benfica marcava golos aos ingleses. Depois, perante o escândalo do adversário e da imprensa da pérfida Albion, inventou que não, que estava só a dizer que estava a falar de um jogador, e depois outro, e depois outro. Jorge Jesus fazia uma palhaçada, consciente de que ninguém acreditava nela, mas com total descaramento e alguma graça. Estes comentadores que fingem não ver o óbvio não, estes comentadores são apenas palhaços sem graça.



22 comentários

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De Anónimo a 02.12.2022 às 21:39


José Mendonça da Cruz,
como já afirmei isto é tudo uma bosta — segundo o preto mamadu bá.
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De Jorge a 02.12.2022 às 21:48

Os palhaços somos nós que idolatramos um seleccionar que fugiu ao fisco em mais de 5 milhoes com a conivência da federação,  e um jogador que acha que é o dono da selecção e que o objectivo da selecção é ajudá-lo a quebrar recordes pessoais.
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De lucklucky a 02.12.2022 às 22:23

Desde que se começaram a autodenominar jornalistas em vez de repórteres a qualidade veio sempre a descer.
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De Anónimo a 03.12.2022 às 19:12


"portanto, jornalistas, são falsários," e também são censores e esta é a parte mais grave. Censuram às escondidas, uma vergonha.
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De Hugo a 03.12.2022 às 00:37

Escrevo só por descargo de consciência. Você tem toda a razão no que escreveu e o que lhe vou escrever não retira uma vírgula ao mérito do que escreveu. Queria só informar que o jogo do Benfica era com o Everton e não com o Manchester. O Jesus lá ainda disse que o 3 era acerca do Luisão (tinha sido após o golo do Luisão que o Jesus tinha mostrado os dedos já após ter feito outras macacadas antes), ao que os jornalistas responderam que o Luisão era o número 4 (na camisola). O Jesus ainda assim disse que não ligava aos números da camisola e que o Luisão era o 3 devido à posição que ocupava em campo. Verdade seja dita que depois o Jesus disse que não gostava do treinador do Everton e que gostava muito do André Villas Boas (considerando ele que este treinador do Everton tinha feito a cama ao André...) e que de facto o quis provocar. Ainda mais algum tempo depois, em entrevista na SIC, lá confessou que tudo o que fez nesse jogo foi para provocar o treinador do Everton. Enfim, eu como benfiquista adorei, menos a parte de ter empurrado o Shéu...
Bom, acho que enriquece o seu post ter a informação, penso eu, um pouco mais clara.
Voltando novamente ao conteúdo do seu post, estamos perante uma alienação mental em curso já bem implementada e generalizada.
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De O apartidário a 04.12.2022 às 11:23

Há duas maneiras de tornar a sociedade(as pessoas)apática,apolítica e resignada ao statu quo: ou se censuram todas as notícias ou sufocam-se as pessoas ao ponto de impedi-las de se concentrar.Confundir,maçar e distrair as pessoas da política é pior do que uma censura activa das notícias,basta inundar a sociedade com informação para a neutralizar. Um ditador contemporâneo não precisaria de banir as notícias,bastaria que fizesse os média difundir um fluxo de notícias aleatório,em grande quantidade e com pouca explicação de conteúdo,tudo misturado com pormenores mais ou menos coloridos sobre futebol,crimes e suspeitas de crimes,estrelas da música e do cinema etc.Isto seria suficiente para arruinar a capacidade da maioria das pessoas de perceber a realidade.(Alain Botton em entrevista a um semanário português) 
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De O apartidário a 04.12.2022 às 12:13

Mais sobre tal assunto no blog Novomundo111 no blogspot. 
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De Zé Manel Tonto a 04.12.2022 às 22:03

Não foi o Everton, foi o Tottenham 
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De Marques Aarão a 03.12.2022 às 06:15

Jornalismo caseiro, o motor amestrado de um país que mais que bater no fundo se afunda nas profundezas inquinadas do lamaçal.
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De JM a 03.12.2022 às 09:37

São os jornalistas ? E o Marcelo? e o Costa? é só todos os dias a toda a hora!
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De O apartidário a 03.12.2022 às 19:18

Primeiro comentador ao jogo contra a Coreia (ao intervalo e no fim) na rtp3? O inquilino de Belém. 
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De Marques Aarão a 04.12.2022 às 04:11

Esses são o produto podre.
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De Anonimo a 03.12.2022 às 13:10

O jornalismo e a política são vítimas da indigência intelectual.
Universidades de vão de escada, cursos à moda de Bolonha, e um ambiente de facilitismo (basta ver as calinadas orais e escritas em jornais, tv e publicações digitais,  bem como "artigos" que não passam de cópia e cola de outros).
Na política a carreira é ser jota, tirar uma licenciatura (qualquer uma serve), e seguir para uma assessoria. Para que se quer meritocracia quando a vida é fácil?
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De O apartidário a 04.12.2022 às 09:00

O Rectângulo está entregue a sacanas e bananas (sendo o grupo dos sacanas uma minoria, ou um conjunto alargado de minorias,mas claro está, sempre activos,ao contrário dos bananas que se submetem ao pagamento de taxas e imposto,olham para a bola(e tele-coisos etc.) na tv e tiram selfies com o presi-dente de todos os portuganos(o qual é sempre, ou quase sempre, o 1. Comentador na rtp3 e afins a respeito da selecção e de tudo o resto que esteja na "ementa" do dia).
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De O apartidário a 04.12.2022 às 09:56

E não sejam chonéfobos se faz favor, ou não tiram mais selfies com o inquilino de Belém-cascais. 
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De Francisco Almeida a 03.12.2022 às 16:06

E num jornal não há editores? Não há chefes de redacção? Não há directores? Não há ninguém que fiscalize os jornalistas?
Se calhar há alguém que lhes dá instruções.
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De O apartidário a 04.12.2022 às 12:08

Os "jonalistas" já vão formatados das "escolas do ramo" ,quem recebe as instruções importantes são os editors, os chefes e directores(agora vem a pergunta; e quem lhes dá as instruções? E eu digo o seguinte; não sejam ingénuos e façam aquela simples conta de 2+2) . 
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De Silvino Oliveira a 03.12.2022 às 17:14

E o que é que interessa aos comentadores, à SIC e aos que a ouvem e veem o que o Ronaldo disse, ou não disse, se foi leitura labial ou outra leitura qualquer, ou se não foi nada disso!? E mesmo que tenha dito o que os comentadores dizem que ele disse, qual é o problema? Que importância é que essa "mexeriquice" poderá ter  para ser assunto de televisão? 
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De O apartidário a 04.12.2022 às 11:59

É praticamente unânime o fato de que a mídia/os média  utiliza vários mecanismos a fim de manipular a opinião pública. Em razão disso, o francês Sylvain Timsit elaborou uma lista com as 10 principais estratégias de manipulação das massas, inspiradas no célebre linguista Noam Chomsky. Tais estratégias são usadas para criar um senso comum (acrítico em relação às origens dos problemas sociais) e fazer a população agir conforme os interesses de uma classe dominante. 1) A Estratégia da Distração Um dos principais instrumentos de controle social é a distração. O objetivo é desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas. Tudo isso através de uma avalanche de distrações contínuas e informações desnecessárias. Esta estratégia é essencial para fazer com que o público não se interesse por conhecimento em áreas como ciência, economia, psicologia, neurobiologia e cibernética. O conhecimento e aprofundamento poderia acarretar a insubordinação das massas e ameaça ao sistema. Então é primordial manter a população ocupada e sem tempo para a reflexão (assim a mentalidade de “manada” estará garantida).
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De O apartidário a 04.12.2022 às 12:11

Mais sobre tal assunto no blog Novomundo111  no blogspot.  
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De s o s a 03.12.2022 às 21:30

o Autor dá-lhe forte e feio.
Nao sei se o "interesse maior" tambem  desculpa a cena.


Mas ao referir os "palhaços sem graça" corta todas as jogadas que leitores pudessem criar. 

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