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Ontem, no blog da Montis, apareceu este post.
Pessoalmente é um grande gosto ler e ver as fotografias do post e passo a explicar porquê, apesar de já várias vezes ter escrito sobre este processo.
Em 2019 fizemos uma campanha de crowdfunding para comprar os terrenos de que trata o post.
Em 2020 voltámos a fazer outra campanha, agora para financiar a estratégia de reconversão dos eucaliptais que tínhamos comprado.
Há bastantes organizações ambientais portuguesas, várias delas que compram terrenos com objectivos de conservação da natureza, mas não conheço outra que tenha a estratégia que tem a Montis: o essencial, para a Montis (cada um faz as opções que entende) não é conservar o que é bom, o essencial é gerir o que não tem interesse nenhum de conservação para produzir biodiversidade, a prazo.
No caso, comprámos um eucaliptal não gerido desde o último corte, sem grande interesse de produção nem de conservação, com o solo completamente exaurido, praticamente como terra mineral à vista, e sem grande regeneração da vegetação natural.
A forma mais eficiente de reconverter esse eucaliptal seria cortar as árvores, matar as toiças com glifosato e investir na gestão subsequente, com objectivos de conservação.
Era a forma mais rápida de obter resultados "comunicáveis", mas para isso seriam precisos recursos que a Montis não tinha e optou-se por um modelo diferente, bastante mais lento e mais caro, de reconversão.
Parece um contrassenso dizer que não há recursos para executar uma opção mais barata e optar por uma solução mais cara, mas não é exactamente assim porque a natureza dos recursos é diferente e porque a solução mais cara pode ser executada mais lentamente.
Acrescem benefícios marginais, o principal dos quais é a demonstração de que qualquer pessoa, em qualquer eucaliptal, de qualquer dimensão, pode facilmente replicar este modelo de reconversão de eucaliptais, se quiser.
Essencialmente o que fizemos foi cortar as árvores (demorou tempo até encontrar um madeireiro interessado, demonstrando o pouco interesse que a madeira em pé tinha como activo económico) e pretendemos ir matando as toiças através da retirada regular de varolas, até à exaustão da raiz original.
Entretanto há um conjunto de acções de gestão que se vão fazendo, procurando aumentar o capital natural disponível, isto é, recuperando o solo completamente depauperado, para aumentar a capacidade de produzir biodiversidade, incluindo, naturalmente, a biodiversidade do solo (tendo, como benefício marginal, a retenção de carbono pelo aumento do teor de matéria orgânica no solo).
Marginal e complementarmente fazem-se umas plantações e, se bem me lembro, o espalhamento de algumas sementes, em particular, bolotas, mas isso é o menos, no processo.
O que me dá particular alegria é ver uma fotografia como esta.

Por vicissitudes várias, decorrentes dos recursos limitados da Montis, passa tempo excessivo entre as operações de corte ou eliminação das varolas, e portanto, como neste caso, as varolas já tinham alguma dimensão, dificultando a tarefa de as partir, mas isso traduz-se no que se vê na fotografia, naquela mancha de um verde mais glauco entre o centro e a esquerda.
Na prática, as toiças ainda vivas estão a funcionar como bombas de nutrientes, quer captando-os da atmosfera, quer mobilizando-os de camadas mais profundas do solo, aumentando a velocidade a que conseguimos trazer matéria orgânica para a camada superficial do solo, quando deixamos pelo chão as varas partidas e respectiva folhagem.
Demorará tempo - ainda só passaram cinco anos - mas o facto é que estamos, ao mesmo tempo, a reduzir a área de eucalipto sem interesse para a produção (que deve ser a maioria da área de eucalipto no país), a regenerar o solo, fixando carbono através do aumento do teor de matéria orgânica do solo e a aumentar a diversidade biológica, primeiro em grupos menos espectaculares (invertebrados, ervas, organismos microbianos do solo, fungos, etc.) e, progressivamente, aumentando a complexidade e diversidade do sistema.
Se acha que isto vale 25 euros por ano, o melhor é fazer-se sócio da Montis aqui.
Mas se não quer gastar dinheiro seu com isto, pode simplesmente dizer ao Estado que dos seus impostos, 1% devem ser entregues à Montis, em vez de se incluírem no imenso bolo do Orçamento de Estado.
Para isso, pode até já ir ao site das finanças indicar o que pretende, está tudo explicadinho aqui, de onde retiro um dos pontos da explicação:
"3). Em qualquer dos casos é necessário indicar:
Tipo de entidade que pretende apoiar: Pessoas coletivas de utilidade publica de fins ambientais
NIF da entidade - MONTIS 510976077
O tipo de consignação: “IRS”"
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