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Os debates e os que «porqué no te calas?»

por Corta-fitas, em 12.01.22

debate.jpg

Os debates eleitorais têm sido interessantes, e bastante esclarecedores. Padecem, porém, de dois elementos anexos e nefastos: os «moderadores», e os comentadores.

No domingo, no debate entre António Costa, do PS, e Francisco Rodrigues dos Santos, do CDS, Clara de Sousa mostrou como encara o papel de «moderadora». Depois da primeira intervenção de Costa, e estando Santos a contestar as afirmações feitas com números e gráficos sobre a situação económica e financeira, Clara Costa atropelou-lhe a resposta, porque, nas suas palavras, literalmente, aquilo que Santos dizia «pode ter muito interesse para si, para António Costa, pode ter muito interesse para os portugueses», mas, dizia ela, ela tinha feito uma pergunta qualquer muito clara, e isso é que Santos tinha que versar.

Os «moderadores» laboram todos no mesmo erro de Clara: julgam que alguém assiste aos debates para os ouvir ou tem algum interesse pelo que dizem. A esta ilusão, juntam a de que, após anos de omissão, e de falta de escrutínio e investigação, após anos de preguiça ou propaganda ou as duas coisas, alguém os vai achar mais estimáveis devido a estes ímpetos interventores.

Na segunda, no debate entre CDS e Livre, quando Francisco Rodrigues dos Santos respondia a Tavares e à habitual lengalenga esquerdista de que baixar impostos beneficia «os ricos», o moderador interveio repetidamente (felizmente, em vão) insistindo que Santos, em vez de debater, falasse de uma palermice qualquer em que ele, «moderador», estava muito encrençado.

Este frenesim de fazer figura leva até alguns «moderadores» mais iludidos a tornar-se protagonistas, passando a debater eles próprios (ou elas próprias) com algum candidato de direita que pretenda debater com um candidato de esquerda.  Num debate em que participava André Ventura, Clara de Sousa discutiu tanto e tão intrometidamente com ele, que me esqueci do nome do senhor ou senhora no lado oposto da mesa ou do que quer que tenha dito. Este tipo de intromissão, vêem-na esses «moderadores» como uma espécie de prova de vida. Há noite, no bar, ou à mesa da cantina, com os colegas, podem depois lustrar-se: «Viste como eu o entalei?!» E, assim, a matilha aceita-os.

Terminados os debates, vêm os comentadores. Os comentadores desempenham fundamentalmente um papel: o de tentarem persuadir-nos que não vimos nem ouvimos o que ouvimos e vimos.

Há, evidentemente, casos extremos como Anabela Neves, na Tvi/CNN, ou Mariana Mortágua, na Sic/N, figuras que as duas estações consideraram boas fontes de comentário. Em termos de previsibilidade, são magníficas. A primeira traz da Assembleia o mesmo amor linear e extremado por tudo o que é socialista; no seu comentário, portanto e sem falha nenhuma, António Costa ganha sempre, os adversários de Costa perdem sempre em debate com ele, os adversários de Costa perdem sempre em debate com antigos ou putativos aliados de Costa, e os adversários mais perigosos de Costa perdem sempre em confronto com adversários menos perigosos. Quanto a Mariana Mortágua, dirigente e deputada do Bloco de Esquerda, faz o comentário que faria uma dirigente e deputada do Bloco de Esquerda.

E os comentadores-maioritariamente-de-esquerda dizem ainda mais. Dizem que se um representante de direita não enunciar pelo menos 5 medidas, ele não tem ideias; e que se enunciar as medidas e, ainda por cima, as explicar, então é porque tem um discurso demasiado ideológico.

De maneira que, sendo os debates vivos, proveitosos e esclarecedores, atrevo-me a perguntar sobre moderadores e comentadores: não se pode exterminá-los, ao menos metaforicamente?

José Mendonça da Cruz



10 comentários

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De Anónimo a 12.01.2022 às 10:36

E ainda resta o grande, enorme, gigantesco exemplar da imbecilidade tuga que dá pelo nome de Pedro Marques Lopes.
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De anónimo a 12.01.2022 às 11:32


Muito bom. Dá para perceber no que resulta comunicação social subsidiada.

Quanto aos moderadores. Se acham que têm opiniões com interesse -até poderão ter- têm um bom remédio que aliás é prática corrente nas TVs dos EUA. Aparecem como convidados em programas dos colegas e aí sim, apresentam as suas opiniões.

Quanto aos comentadores a escolha é a dedo. Antes de abrirem a boca já sabemos como vão comentar. Capazes de comentários sem tom clubista são muito poucos, com mérito, mas óbviamente com escassa presença.
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De balio a 12.01.2022 às 11:57

Os jornalistas já deviam saber que os políticos respondem ou não respondem às perguntas que querem ou não querem responder. Qualquer pessoa, em qualquer situação, tem o direito de não responder a uma pergunta - aliás é por causa disso que até se diz que "perguntar não ofende". Portanto, se um jornalista pergunta algo e o visado não responde, então o jornalista não tem nada que insistir - a pessoa tem todo o direito de não responder.
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De Leunam a 12.01.2022 às 12:33


País de anões mentais, que não estimaram, não compreenderam, não deram continuidade e não ficaram gratos àquele que, pela sua nobre estatura guiou, engrandeceu e prestigiou a Nação Portuguesa deixando-a  mais rica e livre de dívidas.



Os debates recentes fazem-me parafrasear Almada Negreiros:


Quando eu nasci, já todas as palavras para salvar Portugal tinham sido ditas; só falta mesmo é salvar Portugal.
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De Vítor Augusto a 12.01.2022 às 14:53

Então aquele mamarracho do canal 1, valha-me Deus! Que mal fiz eu para ter que aturar aquilo num putativo debate?
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De aly kath a 12.01.2022 às 15:21

está tup ao nível da
abominável mulher das neves
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De Flic Flac a 12.01.2022 às 20:11

Há mais de 20 anos que digo que a Anabela Neves (jornalista) era a representante do PS na SIC, tal a devoção; depois, perdi-lhe o rasto, sabendo, mais tarde, que teria uma qualquer serventia na AR; agora, levamos (ou melhor, levam porque eu mudo de canal logo que a cara surge no ecrã) com a senhora na CMTV2 , perdão, mais pomposamente, CNN Portugal. Amanhe-se quem se cala sobre estas "misturas" OCS/PS. Eu arrepio-me com a respectiva falta de liberdade.
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De Marques Aarão a 13.01.2022 às 07:17

Os mordedores de serviço não são capazes de fazer António Costa engolir isto?
https://www.youtube.com/watch?v=SoWK7RGvzJU
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De Anónimo 78 a 13.01.2022 às 11:13

A ideia dos "moderadores" é que não deve existir nenhum debate. O que pretendem é conduzir duas entrevistas alternadamente, sem consentir o contraditório.
Já os comentadores dividem-se em duas categorias. Os que são contratados pelas empresas privadas e que nós ouvimos se quisermos e os que o são pelas empresas públicas e que nós pagamos sem alternativa. Os últimos e quem os contrata, no país em que gostaria de viver, seriam casos de tribunal.
De resto a "vaca sagrada" da Constituição é clara no artº 43 que é diária e publicamente violado nas televisões públicas enquanto a chamada procuradoria da República se entretém a fiscalizar as convocatórias do Chega e a acusar jornalistas, para depois o Estado português os ter de indemnizar por condenação em Estrasburgo.
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De Carlos Guerreiro a 14.01.2022 às 10:01

O exemplo descarado de intervenção de um moderador no debate do Costa e do Ventura, em que o Ventura fica com a última intervenção, e quando vai dizer que o Costa não tem condições para falar do combate à corrupção quando no caso Casa Pia tentou condicionar os juízes e procuradores e o "moderador" diz "André Ventura temos de terminar" ao que o Ventura lhe responde que ainda tem 2 minutos...
https://www.youtube.com/watch?v=zbyOb7S_q-0 (minuto 26)

Faltou dizer que nessas escutas da Casa Pia, o Costa diz ao Pedroso para o irmão dele falar com o (procurador) Guerra. Esse Guerra é o procurador que a ministra da justiça aldrabou o currículo para colocar como procurador europeu, passando por cima da escolha do júri europeu que tinha colocado em primeiro lugar a procuradora que investigou o caso das golas inflamáveis (que por acaso agora está em pousio),

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