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Os cem anos de um esqueleto, o PCP

por João-Afonso Machado, em 06.03.21

É o mais antigo partido português, festejando-se sempre na sua primordial atitude contra o que apelidam - "a ditadura". E na habitual tontice da Imprensa, faz-se eco da longevidade do PCP e da sua acção revolucionária. Mas convém deixar tudo claro. A saber:

- Em 1921 vivia-se o mais radical período da I República. Ainda assim, não há notícias de que a sua acção fosse levada em boa conta.

- Sobreveio a II República (dita agora, somente, o "Estado Novo", -1926-1974). O desempenho do PCP, sem dúvida, tornou-se mais aventureiro e mais arriscado para os seus militantes.

(A leitura dos quatro volumes biográficos de Pacheco Pereira sobre Cunhal é, nesta matéria, de extrema importância.)

O PCP historia-se, desde logo, em si mesmo. Nas muitas depurações que realizou. Depois, finalmente nos contornos próprios do estalinismo, impôs - ainda impõe - a luta contra a ditadura salazarista, que não pela nossa democracia, como a concebemos, sempre distante da "democracia popular", eufemismo da genuína e leninista "ditadura do proletariado".

Em suma, o PCP foi um opositor do "fascismo", nunca um prosélito da democracia dos países ocidentais. Onde cabemos.

Era a ditadura contra a ditadura. Falemos claro: entre Salazar e Lenine ou Estaline (ou Krutschev e Brejnev), mil vezes antes Salazar.

Poderemos dizer, o PCP ajudou a derrubar a autocracia da II República. E sofreu por isso. Inquestionavelmente. Mas a troco de quê?

Claro, a troco do PREC de triste memória. De uma cavalgada de uma minoria (como se leu nas eleições constituintes) que chegou às portas da guerra civil. Na antevisão de um totalitarismo que faria de Salazar um menino de coro.

A normalidade foi, felizmente, retomada, com alguns disparates ainda hoje não assumidos. O PCP - o derradeiro partido comunista europeu (e isso diz muito), no primarismo português continua a dominar os sindicatos - um instrumento meramente reinvindicativo do impossível - conquanto veleje de vento em popa para os arquivos. Mesmo nas autarquias que foram sendo feudos seus.

Portanto, não é de um dia de festa que falamos. Apenas na História (a que o Futuro pertence também), de um momento indelével do Passado.



6 comentários

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De Anónimo a 06.03.2021 às 20:26

Caro Senhor


Se a efeméride confirma que o P C Português é apenas um país estrangeiro ( só nasceu depois de 1917 por inspiração da Internacional Comunista, criada pela U soviética), a sua actuação na república só confirma o que diz: até 1926 todos eram ( ou seriam) fascistas, ou social fascistas, como os sociais democráticos e socialistas, teve de facto o seu apogeu na narrativa 
da luta contra o estado Novo:
Em 1974 voltou a mostrar o que sempre fora, enviando os arquivos da DGS para Moscovo, seu país de origem e fidelidade, e de novo chamando social fascistas , ou fascistas, a todos que se encontravam à sua esquerda.
O PCP é um patriótico partido soviético, apesar de já não ter pátria.


Cumprimentos


Vasco Silveira
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De Anónimo a 06.03.2021 às 23:56

Julgo que com o PCP o país já não corre perigo. Não devemos estar preocupados.
O mesmo não digo em relação ao BE e às suas agendas progressistas que considero amorais, inumanas, sub-humanas e uma das mais perniciosas influências que nos têm acontecido. Têm pouca expressão eleitoral, mas são "influencers" com mentes insalubres, doentias e como tal com uma capacidade de disrupção tal, que é visível a marcação cerrada que têm feito (de forma incansável) para nos deslassar enquanto sociedade, para desintegrar os nossos valores e para nos desfigurar na nossa identidade.  Apenas vejo neles uma excrescência e um aleijão moral. Devem ser banidos urgentemente.
Falta-lhes absolutamente tudo aquilo que nos faz "ter humanidade" que nos torna "humanos".
Não esqueçamos que foram trazidos pela mão do dr. António Costa. Parece que o termo que hoje se emprega é "normalizou-os". 
ST
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De Anónimo a 07.03.2021 às 12:00

Certamente que se o PCP tivesse tido a hipótese de chegar ao poder, nunca mais teríamos uma Democracia, mas uma Ditadura sem Liberdade, das mais ferozes, das que exercem um controlo implacável sobre os cidadãos. Mas há uma coisa que lhes reconheço e nestes tempos é de valorizar: a sua conduta moral, uma moral proletária é certo, mas preservam os bons usos e costumes e defendem-nos com uma certa coerência.

Com o  Bloc@ teríamos igualmente uma Ditadura e o mais viperino deserto Moral.
 Estes obreiros da nossa decadência, inauguraram um Tempo novo.
Estão a explorar a sociedade fazendo experiências sociológicas cujo desfecho  desconhecemos ainda.  Manipulam e distorcem perigosamente as teorias da Evolução, para darem uma roupagem de "cientificidade" enganadora ao seu Eugenismo Ideológico, i.e.,  às novas formas (artificiais) de "selecção" : eliminam-se os indesejáveis que são aqueles que não aceitam nem se submetem ;  excluem-se os que não acompanham as suas teorias tóxicas a que chamam eles o "progresso" (!). Só se consideram "evoluídos" e "aptos" os que acriticamente aceitam  a submissão total e incondicional a este admirável mundo novo, onde a Liberdade é uma inexistência e uma ideia vaga. (A cultura do cancelamento, a tribalização da sociedade, para não ir mais longe... são apenas alguns exemplos).
 Mas aina temos escolha, por enquanto: ou deixamos a "coisa" correr ou estreámos uma nova Era de Servidão .


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De lucklucky a 08.03.2021 às 01:10


"nestes tempos é de valorizar: a sua conduta moral"


Vá viver para uma câmara Comunista e tente travar pela lei algum dos projectos deles e vai ver a "conduta moral" dos ditos.
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De Anónimo a 08.03.2021 às 05:34

Correcção:

«  ou NÃO deixamos a "coisa" correr...  »


mt
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De Anónimo a 07.03.2021 às 14:11

Apesar de ser hoje apenas um esqueleto, de facto, o PC ainda vai tendo utilidade ao governo.  O mesmo com o Bloco. Sempre que está ameaçado o seu poderio, protegem-se e unem-se todos numa frente comum de esquerda. PS, PC, BE é tudo da mesma condição genética, vêm todos do mesmo "tronco",  i.e., da mesma raiz ideológica  e por isso, quando necessário, aceitam-se mutuamente como uma grande família   Desta feita dificilmente serão apeados do poder, pois esta união torna-os imbatíveis. A direita é que, estupida e cobardemente, se recusa a dar também esse passo e a proceder do mesmo modo. Seria, digamos, um combate em igualdade e por isso mais justo, porque com as mesmas armas.
Sentem-se intimidados pela esquerda (vergonhoso!)) e foram  «intimados»  por ela a colocarem uma "cerca sanitária" àquele partido que, sem complexos, lhes abriu caminho e podia quebrar a espinha a esta maioria de esquerda e contrariar a sua longevidade. A esquerda topou ao longe essa ameaça.  Mas a direita (tão fofa e crédula!) ... parece refém dos ditames da esquerda (?!) Acho isto espantoso.
Para ilustrar, transcrevo parte do texto da Helena Matos:


"Foi bonito ver Catarina Martins e Jerónimo de Sousa saindo pressurosamente do seu torpor para virem defender o Governo via ataques a Cavaco Silva após o antigo PR ter declarado  A democracia em Portugal está amordaçada … É em momentos como estes que se vê como os “queridos comunistas” são hoje indispensáveis à governação socialista, mesmo quando esta lhes dispensa os votos. Afinal, enquanto garantem a paz social ao PS, os comunistas do PCP e do BE reservam os slogans e as fúrias para aqueles que põem em causa o poder do PS. (...)

Enquanto ouve as declarações de Catarina Martins e Jerónimo de Sousa sobre Cavaco Silva, António Costa não deixará de concluir que a compra do silêncio desta gente foi o seu melhor investimento."

mt

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