Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Os ausentes

por henrique pereira dos santos, em 23.03.20

Luis Aguiar-Conraria, entre outros, tentar chamar os epidemiologistas ao debate público da gestão da Covid (e, já agora, de qualquer epidemia, em qualquer altura pode surgir outra, é da natureza das coisas).

Tem toda a razão, fazem muita falta no debate, como demonstra o bom artigo de hoje no Público, escrito por Manuel Carmo Gomes.

Só que é compreensível o relativo recato e prudência na intervenção pública por parte de quem tem a sua reputação profissional em jogo, numa matéria tão sensível.

Um ignorante como eu, mas com consciência da sua ignorância sobre o assunto, pode dizer os disparates que quiser que isso não altera muito o seu contexto social, mas isso não é verdade para quem vive do seu trabalho nestas matérias.

A forma como Jorge Torgal foi tratado pela imprensa, comentadores e pessoas comuns, quando disse o que pensava, e que hoje se pode demonstrar que, podendo não ser totalmente rigoroso, não era nenhum absurdo, a forma como o Conselho Nacional de Saúde Pública foi tratado na imprensa, pelos comentadores, pelo público e, por pressão pública, desqualificado pelo Governo, a forma como qualquer sugestão, por mínima que fosse, de que ser prudente na abordagem da gestão da epidemia nunca poderia esquecer os mais expostos, mas também o dia seguinte para os outros, foi desqualificada no espaço público, é natural que tenha empurrado quem sabe do assunto para uma posição recuada.

E a forma como todas estas pessoas que toda a vida trabalharam no assunto foram reduzidas a pó pela forma irresponsável como a imprensa deu eco às trombetas do medo sopradas a partir de cenários catastrofistas feitos por matemáticos, como Jorge Buescu, com escasso conhecimento dos processos que estavam a modelar, também não contribui para que alguém se queira expôr e correr o risco de ser cilindrado por esta imprensa prenhe de drama e emoção.

Talvez nos sirva de lição para ver se na próxima epidemia ouvimos mais quem sabe, e ouvimos menos quem diz que sabe.



5 comentários

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 23.03.2020 às 21:09

Boa noite Henrique Pereira dos Santos.
Leio sempre com atenção o que escreve tal como com atenção escuto o que diz publicamente e, normalmente, estou muitas vezes de acordo com grande parte das coisas que refere e defende.
Isto dito, e respeitando como sempre as opiniões de outrem concordando ou não com elas, veremos quão catastrofistas são as projeções de Jorge Buescu.
A missa ainda nem começou, quando mais sair a procissão da igreja.
Quanto aos silêncios que refere tenho muitas dúvidas que se devam apenas ao que argumenta embora faça sentido. Creio que o que a ordem dos médicos hoje reclamou quanto a dados é elucidativo do que pode estar a acontecer.
Aguardemos.
António Cabral
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 24.03.2020 às 09:51

O Covid-19 é perigoso?

Jorge Torgal: É menos perigoso que o vírus da gripe! Existe um pânico completamente desproporcional à realidade. As vítimas mortais de que se conhece o historial clínico tinham processos clínicos complicados. As outras infetadas estão a ser medicadas para a gripe, muitas delas com paracetamol. E é claro que haverá casos em Portugal, mas isso não é problema nenhum. Vivemos em sociedade, com deslocações, com convívio entre as pessoas. É uma doença que tem tratamento.

Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 24.03.2020 às 11:30

cenários catastrofistas feitos por matemáticos, como Jorge Buescu, com escasso conhecimento dos processos que estavam a modelar

Não creio que Jorge Buescu tenha escasso conhecimento do assunto.

Aquilo que Jorge Buescu disse, que uma epidemia ao princípio cresce de forma exponencial, faz todo o sentido, e não é preciso ser-se matemático para se ver que só pode ser verdade.

Ademais, aquilo que Jorge Buescu disse não contradiz o que o Henrique P.S. diz. Henrique P.S. defende uma abordagem mais moderada ao vírus, possibilitando que ele infete pessoas de idades moderadas e protegendo somente os idosos. Isso em nada infirma que o vírus vá sempre ter um crescimento exponencial, no início.
Imagem de perfil

De henrique pereira dos santos a 24.03.2020 às 17:51


Jorge Buescu foi muito mais longe que isso: projectou a exponencial uma data de tempo, com velocidades de crescimento absurdas, chegou a conclusões absurdas que só podiam estar erradas e, com base nisso, com o argumento de que era a matemática que dizia, e não ele, andou a assustar meio mundo e a fazer campanha para fechar o país à chave sob pena de uma catástrofe como nunca se tinha visto na vida.
Só não digo que devia estar preso porque acho que o direito à asneira é sagrado.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 24.03.2020 às 19:44


Henrique Pereira dos Santos,
como é seu timbre, sabe, sente, vive a asneira. A conclusão acerca de Jorge Buescu é límpida, além de bem humorada.
Que o Senhor o proteja. Querendo eu que a protecção seja a da sua cabecinha.
Abraço,
ao

Comentar post



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Zé dos Grelos

    Não existe nenhuma pandemia, trata-se apenas de sa...

  • Anónimo

    os enormes holofotes sobre uma infeção que pode vi...

  • Anónimo

    A OMS não aconselhou o fecho de fronteiras no iníc...

  • Anónimo

    O autor do texto enxerga fora da caixinha. Parabén...

  • Anónimo

    para escapar ao golpe militar do familiardesfrizou...


Links

Muito nossos

  •  
  •  
  • Outros blogs

  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2008
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2007
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D
    183. 2006
    184. J
    185. F
    186. M
    187. A
    188. M
    189. J
    190. J
    191. A
    192. S
    193. O
    194. N
    195. D