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O verdete autárquico

por Corta-fitas, em 25.12.19

Musgo.jpg

A recente classsificação de Arroios como «bairro mais cool do mundo», ou lá que é, deve ter deixado a Câmara Municipal de Lisboa em tão enlouquecido narcisismo, que se esqueceu em definitivo das suas obrigações quotidianas com a higiene e a boa compostura dos seus bairros. Quem passe de autocarro na Estrada de Benfica pode constatar o abandono a que foi votado o Real Chafariz de Santo António da Convalescença, num vértice do jardim zoológico (o mesmo sucede àquele no largo do Rato e a tantos outros), mas a lista dos pequenos mas flagrantes descasos multiplica-se à medida que se avance cidade afora. Manutenção patrimonial consistente e vigiada simplesmente não existe na autarquia, nem é zelo que se implantasse nas freguesias por si mesmas. E o resultado está à vista, sem que incomode verdadeiramente «as autoridades», a quem é impossível reconhecer um plano de melhoramentos, ao menos nos lugares ditos simbólicos da história antiga de Lisboa (para turista ver).

Quem desça do cemitério do Alto de São João em direcção a Xabregas, ao fim da avenida D. Afonso III encontra um L de muralha que é tudo que resta do forte de Santa Apolónia, hoje entalado entre edifícios residenciais altos que dominam um maravilhoso panorama sobre o rio e a serra da Arrábida lá muito ao fundo. E ao fim da rua que o percorre encontra esta placa toponímica — que há-de parecer bastante pitoresca, very typical indeed, a turista que se aventure por ali, confundida com uma forma absolutamente original de sinalização urbana, quiçá candidata instantânea a qualquer prémio internacional de aparato. Mas só a ele, eventualmente. Um lugar onde por certo há muito tempo não vai ninguém que simplesmente possa ver e mandar fazer o que é tão evidente que tem de ser feito...

Vasco Rosa



2 comentários

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De Isabel a 26.12.2019 às 16:33

Em Lisboa, não haver ninguém que mande fazer o que é evidente que tem de ser feito encontra-se a cada esquina. Basta olhar para o chão e ver os passeios mal calcetados e os muitos buracos espalhadas pelo que quer que seja sítio. Em contrapartida, vi da minha janela fazer e desfazer obras totalmente desnecessárias, outras que só vieram complicar a vida a quem por lá passa. 
De vez em quando passo pela zona da Expo e nunca me foi possível utilizar os túneis sem que num deles houvesse obras, por vezes onde não há ninguém a fazer nada.
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De Anónimo a 27.12.2019 às 09:19


...e o problema é que Portugal sempre que pode ainda exporta o verdete para "fora", como  se exportasse o mármore para Carrara.
Temos por cá verdete para dar e vender.

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