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(...) "A explicação do triângulo de género mostra bem que há ainda todo um debate que está por fazer com o contributo de todos: cientistas das áreas biomédicas, filósofos, investigadores das áreas sociais e políticas, juristas, profissionais da saúde, educadores de infância, professores, famílias e alunos.
Se a decisão do Tribunal Constitucional servir apenas para os deputados verterem em lei as normas que agora foram consideradas inconstitucionais, então não serviu para grande coisa. Se for o toque de alvorada da sociedade civil e partidos políticos para uma questão que é nova, polémica e complexa, então terá valido a pena."
Gostei muito do artigo. No entanto, incorre, às vezes, numa "fraqueza" comum em alguns autores que escrevem sobre estes temas de forma crítica: a forma como utiliza o léxico e o linguajar dos estudos do género. Digo-o em modo crítica construtiva/vamos lá começar a artilhar-nos para o combate e não como bota abaixismo, e vou tentar explicar porquê.
Os estudos de género a teoria queer são o produto de uma academia burocrática decadente, obcecada por títulos e posições académicas, e onde os argumentos do estilo "nem sabe definir género", "vê-se mesmo que não leu o trabalho de X, Y, Z", matam qualquer debate.
Os teóricos do género - na boa senda foucauldiana - têm uma fixação com a linguagem, e a verdade é que a dominam bastante bem. Esta obsessão com a pureza linguística impede qualquer debate, mas debater nunca foi o objectivo. Ou seja, para desmontar as ideias por trás daquele blá blá presunçoso temos de aprender a falar a língua. Aliás, a partir daí torna-se mais fácil desmontar as teses mirambolantes.
Exemplo, retirado do artigo: "Já o “género” diria respeito ao modo como a desigualdade dos dois sexos é representada e construída na sociedade. O sexo seria biológico. O género seria, por assim dizer, o “sexo social”.
A ideia não está errada, mas a definição de género não é bem essa. Se formos buscar a definição que está na Convenção de Istambul, o género são "the socially constructed roles, behaviours, activities and attributes that a given society considers appropriate for women and men;" Nem me atrevo a começar a desmontar as imbecilidades nas quais esta definição assenta. baseia. Uma sofisticação intelectual nunca vista, e que passa por ciência.
Não a escolhi à toa, na medida em que o Estado Português é parte da Convenção de Istambul, ou seja, este disparate vigora na nossa ordem jurídica e pode ser usado como fundamento para as políticas públicas “de género”. Fartinha disto.
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