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O senhor arranja os pastores?

por henrique pereira dos santos, em 28.01.18

Sim, sem o menor problema, desde que me garantam que se lhes paga o preço justo pelo seu trabalho.

Não consigo entender por que razão, por exemplo, há um conjunto largo de profissionais que recebem subsídio de penosidade, mas aos pastores se pretende pagar apenas o ordenado mínimo apesar da dureza do seu trabalho.

Não consigo entender por que razão, por exemplo, se pagam horas extraordinárias a um valor mais alto a qualquer trabalhador, mas aos pastores se pretende pagar apenas o ordenado mínimo mesmo que façam bem mais de sessenta horas semanais.

Não consigo entender por que razão o trabalho aos Sábados gera o charivari que gera na Autoeuropa, mas aos pastores se pretende pagar apenas o ordenado mínimo, trabalhando sete dias na semana, 365 dias no ano.

Poderia, naturalmente, continuar por aqui fora, mas não vale a pena, penso que já fui suficientemente claro e até já sei a resposta: é que o rebanho não gera rendimentos suficientes para pagar melhor.

Ora aqui é que voltamos ao ponto base da pergunta do título, uma das perguntas que mais ouço quando defendo a revalorização dos animais na gestão das terra marginais que hoje não tem utilidade social e cuja ausência de gestão está na base dos mais de cem milhões de euros que gastamos anualmente com os fogos, com os resultados que temos.

O rebanho gera muito mais riqueza que a que é paga ao dono do rebanho, o problema é que o mercado não a valoriza o suficiente porque o mercado tem dificuldade em remunerar serviços difusos de interesse geral, como é o caso da gestão de fogo.

Pode argumentar-se que é errado usar animais na gestão do fogo em Portugal, eu acho que quem o diz está errado mas não tenho a pretensão de ser dono da verdade, o que não faz sentido é argumentar que isso não é possível por não haver pastores: paguem-lhes o valor do que efectivamente produzem, contabilizando os serviços de ecossistema, tratem esse trabalho com a dignidade que merece, e seguramente existirão pastores para o fazer.

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3 comentários

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De Anónimo a 28.01.2018 às 21:34

Um prazer ler, e aprender, com quem domina os temas.
Cpmts.




JSP
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De Anónimo a 28.01.2018 às 23:01

Cabras, cabritos ... e um pastor que se calhar nem vem cá baixo votar, não dão peso, votos, aos partidos.
Na óptica dos partidos melhor é milhões em bombeiros e respectivos adjuntos, equipamento de toda a cor e feitio,, aviões, helis, votantes, muitos , devidamente enquadrados.
Agora qurem passar a batata quente, a responsabilidade civil (os dinheiros não) para as juntas de freguesia. Terão sorte ?. 
Mais uma vez , parabéns.
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De Anónimo a 30.01.2018 às 00:17

"paguem-lhes o valor do que efectivamente produzem, contabilizando os serviços de ecossistema, tratem esse trabalho com a dignidade que merece, e seguramente existirão pastores para o fazer."
O Sr. H.P.dos Santos fala assim muito bem porque vive na cidade ou perto dela.
Visite o interior do País.
Conheça as serranias inóspitas, vales profundos e terras ermas onde nem as aves cantam e de noite só se ouve a coruja agoireira e depois diga-nos quem é que quer pastorear por lá o gado em dias seguidos de meses e anos  quer de inverneira quer de estio de abrasar, numa  solidão infinita.
Ainda há poucos dias se deu um acidente grave com um pastor na Serra e os Bombeiros viram-se em grandes dificuldades para o resgatar pois estava no fundo de uma ravina.
Ora, sabendo da dureza deste múnus, diga-nos o Sr. onde está disponível a mão de obra que se disponha a tal, mesmo que bem paga.
Os nacionais onde se poderiam recrutar alguns pastores vivem do subsidiozinho e os estrangeiros querem ou comércio ou serviços nas nossas cidades ou vilas. 
Até os refugiados a quem se deu casa, água, luz, comida e escola para os filhos e outros mimos sempre negados aos portugueses mais necessitados, deram às de vila diogo.
O Sr. também já se esqueceu dos brasileiros de Vila de Rei?

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