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Estava eu a ouvir a Graça Franco, diretora de informação da RR, que comentava o salário mínimo numa altura em que a CGTP exige uma nova subida para os 650 euros (mais 70 euros face ao valor atual), quando achei que devia ficar registada uma análise verdadeiramente inteligente. É pouco comum um comentário jornalistico tão elucidativo.

Graça Franco começou por dizer que a proposta da CGTP não deve passar na Concertação Social. Mas, acredita Graça Franco, o salário mínimo alguma coisa vai aumentar, lembrando que o Governo pode impor o valor do salário mínimo da economia, legislando, mesmo apesar da Concertação Social. A comentadora acredita que ficará um salário mínimo entre a proposta da CGTP e a da UGT.

Mas quando falou do impacto na economia é que se revelou verdadeiramente elucidativo. "Nesta altura já cerca de 750 mil trabalhadores com o salário mínimo (mais de um quinto da população)", disse a comentadora. Portanto a subida do salário mínimo afecta hoje mais as finanças públicas do que no passado, pois há mais trabalhadores da função pública com o salário mínimo, disse.

Depois recorda que Centeno (no seu livro) defendia que um salário minimo demasiado elevado é desincentivador do emprego. O nosso salário mínimo é baixo. 

"O que existe na economia portuguesa é uma contração dos salários médios", disse Graça Franco. "Estamos a subir o salário mínimo, mas os outros salários não sobem na mesma proporção". Isto é, estamos a descer o salário médio da economia. Isso tem um efeito desincentivador do trabalho do ponto de vista dos quadros médios. Graça Franco diz que temos investigadores, engenheiros, jovens licenciados a ganhar pouco mais do que o salário mínimo, o que leva à emigração dos jovens. 

Do ponto de vista do consumo a subida do salário mínimo até teve um impacto positivo no crescimento económico, admitiu Graça Franco.

"No entanto hoje vieram más notícias da Europa, a primeira proposta de quadro orçamental é de redução de 6% dos fundos de coesão e de 5% da PAC. Portugal é muito beneficiado pelos fundos de coesão", lembrou.

A Comissão Europeia apresentou a proposta de orçamento para 2021/ 2027, que vai obrigar a uma maior contribuição dos Estados devido à saída do Reino Unido da UE e a cortes em políticas que favorecem Portugal, como os Fundos de Coesão e a Política Agrícola Comum.

 



2 comentários

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De Anónimo a 03.05.2018 às 10:07

apesar de só 15% dos chamados trabalhadores estarem sindicalizados
apesar da pinderiquice do 1º de maio
antónio das mortes continuará a ser pm do be e do pcp
Sem imagem de perfil

De Isabel a 03.05.2018 às 17:47

Desde a crise de 2007/8 que no mundo em geral e na Europa, em especial, a maior parcela do crescimento económico vai para os 1% ou 10% ( consoante os estudos ) mais ricos e os 50% mais pobres detêm uma parcela cada vez menor da riqueza criada. Podem ganhar mais em valores absolutos mas, em termos relativos, estão mais longe dos mais ricos. Mais preocupante é o desaparecimento/empobrecimento da classe média. Segundo Piketty é esta que tem estado a financiar o crescimento dos rendimentos das classes mais baixas. 
Estou curiosa para ver como a situação vai acabar: 
- sem classe média próspera é difícil haver mais impostos;
- com mais austeridade é difícil manter a paz social;
- com menos estado social é difícil ganhar eleições;
- sem soberania monetária é difícil crescer;
- com esta mundializacao a mobilidade dos capitais é total e...legalissima.
Agradece-se a colaboração de quem consiga elaborar uma estrategia abrangente e  exequivel para resolver o problema.

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