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O Primeiro Programa Nacional de Vacinação

por Vasco Mina, em 27.02.21

Neste tempo em o Plano de Vacinação para a Covid-19 se encontra na ordem do dia, importa recordar como e quando teve início o planeamento nacional de imunização da população portuguesa para um conjunto de doenças infectocontagiosas. Um recente artigo, no Expresso, de Bruno Vieira Amaral sobre a vacinação lembrou o primeiro Programa Nacional de Vacinação (PNV). Foi em 1965 e o seu mentor o então Ministro da Saúde e Assistência Francisco Neto de Carvalho. Este Programa contou com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e o próprio reconheceu, numa obra sua (“Do Estado Novo à Democracia” em edição póstuma da sua família) os fracos recursos financeiros que levaram o Estado a recorrer ao subsídio da referida Fundação (atualmente seria com o apoio da União Europeia).

O PNV foi um sucesso e permitiu erradicar a poliomielite e reduzir as taxas de incidência das outras doenças que passaram, igualmente, a ser incluídas no referido Plano: tosse convulsa, difteria, tétano e varíola. A grande mais valia desta medida foi proporcionar a cobertura vacinal à escala de todo o país. A par de tudo isto lançou-se a construção do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge e foi instituído o Boletim Individual de Saúde o qual passaram a ser registadas as vacinas e que (ainda hoje) é um documento fundamental que a todos deve acompanhar.

Vale a pena ouvir a conferência de imprensa para lançar o PNV. O Ministro Francisco Neto de Carvalho destacou, entre outros, os seguintes aspectos: a colaboração da comunicação social na divulgação da importância da vacinação, o envolvimento das populações interessadas, a criação da consciência social para levar os portugueses a vacinarem os seus filhos e a importância de se conseguir a imunização generalizada da população (pelo menos 75%). Igualmente curiosa é a constatação da resistência de muitos aos tratamentos da tuberculose nos sanatórios. Ou seja, então e hoje, a mesma preocupação face aos que resistem às novas abordagens da medicina.

Não, não sou saudosista do Estado Novo (em 1965 tinha eu 3 anos de idade) mas importa ter (boa) memória de quando e como se iniciaram os planos de vacinação. Também a merecida homenagem ao seu autor que teve uma longa carreira se serviço público que terminou em 1991 como Juíz Conselheiro do Tribunal de Contas. Vale a pena ler o livro que citei  (com prefácio de Guilherme D’Oliveira Martins) acima pois é o testemunho de uma vida que acompanhou o Estado Novo e a Democracia.



7 comentários

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De Anónimo a 28.02.2021 às 05:37

Assunto cagalhão,treta cagalhão,site cagalhão esquerdalho xuxalista camuflado sempre com assuntos cagalhão
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De Anónimo a 28.02.2021 às 07:14

Ao menos alguém que não diz que foi o Dr. Arnaldo Sampaio.
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De balio a 28.02.2021 às 10:05

O Boletim Individual de Vacinas foi uma boa ideia nesse tempo, mas não entendo como atualmente se requer às pessoas que o tragam consigo. Eu nem sei onde está o meu. Esse tipo de informação hoje em dia tem que estar toda digitalizada e acessível seja onde for.
No outro dia feri-me e, no Centro de Saúde fora da área de residência a que recorri, souberam-me logo dizer, recorrendo a meios informáticos, que a minha vacina contra o tétano estava em dia.
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De Anónimo a 28.02.2021 às 12:51

Tudo quanto de bom se fez no Estado Novo é apagado, invariavelmente. Convém aos novos tempos diabolizar aqueloutros... para que possam continuar a amaldiçoá-los. Mas o que é facto, é que nem a propaganda nem o anátema que lhe lançaram consegue apagar tudo da memória.
Recordo-me perfeitamente destas primeiras vacinações ainda terem sido nas próprias "Escolas Primárias" e, da 1ª à 4ª classes, se fazerem filas por cada turma, exactamente pela ordem alfabética que vinha no "Livro de Ponto". Assim nenhum aluno ficava esquecido e não havia engano possível.
Os professores estavam directamente envolvidos na campanha de vacinação  estando também presentes, a assistir, junto da respectiva turma, à frente da fila dos seus alunos. Eram eles que iam fazendo a chamada um a um. À medida que cada aluno ia sendo vacinado pelas equipas de enfermeiros e médicos, segundo a ordem alfabética estipulada,  logo saíam ordeiramente. 
Estas campanhas de vacinação que recordo,(Moçambique) decorriam simultaneamente em várias Escolas do país, seguindo um Plano e um calendário pré-definidos e eram bem sucedidas porque tinham uma logística tão simples e "lógica", que era fácil de aplicar de modo quase irrepreensível e sem falhas.  Em pouco tempo a miudagem (de todas as cores) estava toda vacinada como se pode calcular. E ninguém ficava para trás. 
O mesmo aconteceu nas "Missões" (alguém se lembrará que estes locais, entre outras coisas, faziam a cobertura escolar e alfabetizava as populações indígenas que viviam nos lugares mais remotos) ; as vacinações também chegavam às populações que viviam em aldeamentos em lugares recônditos. Recordo também o chamado "Posto Médico", um pouco rudimentar, mas que fazia a cobertura médica e dava o apoio possível, para que não estivessem ao abandono, estas populações distantes das cidades. É histórica a erradicação de certas doenças tropicais endémicas, em territórios ultramarinos. 
Enfim, há toda uma história por conhecer.


P.S. (Uma amiga da família, senhora já de certa idade, cujo pai tinha sido médico e grande conhecedor de doenças tropicais, gostava muito de acompanhá-lo pelo "mato" adentro quando ele ia auxiliar e dar assistência médica às populações distantes. todos aprenderam o dialecto local. Eram lugares longínquos e a viagem perigosa, mas os riscos não os demoviam e lá ia uma equipa em caravana, acompanhados de vários guias. Isto passava-se ainda nos anos 40 do séc. passado !!!  E era fascinante para a criançada, ouvi-la  mais tarde contar-nos essas experiências,  e peripécias de viagem que  de facto nos pareciam uma aventura.) Desculpe estas divagações.
A.P.
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De Anónimo a 28.02.2021 às 15:31

Enquanto andamos entretidos e distraídos a discutir o Estado Novo, há coisa da Democracia que noa vão passado ao lado...                                                        
" A capa do Jornal de Notícias de hoje deveria suscitar interrogações e preocupações em quem se preocupa com o estado da democracia no nosso país (...) Está em causa um assalto ao poder judicial, condicionado de modo subtil por um Ministério Público amestrado às idiossincrasias da esquerda socialista e partidariamente centrada no PS. Nunca nenhum outro partido, nem mesmo o PS se atreveu a tanto como este de agora.
...é tão evidente que até dói, pela falta de pudor e a exposição flagrante de uma pouca-vergonha só permitida pela indiferença da opinião pública perante este autêntico atentado ao Estado de Direito.

Tem sido comentada ultimamente a circunstância de os nomes escolhidos para dirigir vários departamentos do Estado na área da Justiça serem pessoas afectas ao PS ou que tenham dado garantias de não incomodar o PS em casos sensíveis e conhecidos mediaticamente".

( in portadaloja)
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De Anónimo a 28.02.2021 às 15:33


Daqui:
https://portadaloja.blogspot.com/2021/02/um-ministerio-publico-completamente.html
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De Anónimo a 01.03.2021 às 08:51


Ao longo das últimas décadas, Portugal foi perdendo a capacidade, que teve outrora, de levar a cabo  qualquer projecto, ou tarefa, por mais complexos que fossem. Há muito que entrou num processo de declínio tal que foi desaprendendo, esquecendo  e deixou de saber "fazer bem" e competentemente, como fazia outrora. 
Ou porque não consegue, ou porque não sabe, o que é certo é que Hoje falha sistematicamente. Portugal nunca está preparado para nada. E depois, claro que o resultado é a lamúria embrulhada do costume :  ou "não estavam à espera", são sempre "surpreendidos", "não estavam a contar com..." etc. Uma vergonha!
Este país tem uma pseudo-democracia que (como era de esperar) trouxe uma cultura de laxismo,  da improvisação, da falta de rigor, da moleza e falta de empenho para levar as mínimas tarefas até ao fim sem falhas. "Então, achas que ficou bem? Ficou mais ou menos" ;  "Já chega, acho que assim já dá" _ são frases que se ouvem frequentemente. É a cultura do "mais ou menos" e do "assim-assim".A máquina do Estado funciona bem e está bem oleada,  mas é para outros "fins"; as agulhas estão apontadas para outros "lados" mais rentáveis. Não se pense que o Estado está ao serviço dos cidadãos e do Bem Comum e do Bem-Estar das populações. Não estamos no rol de preocupações de quem nos governa! Nada existe acima dos interesses e da voracidade desta súcia  mais os seus beleguins para nos extorquir o que sobra _ quando sobra!...


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