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O PRAC

por João-Afonso Machado, em 02.11.15

CARRO APOIO.JPG

Quer queiramos, quer não, o convénio à esquerda vai para a frente. É o produto da ambição de Costa, sem dúvida, cada vez mais entalado entre o arauto Catarina e as arrastadas reservas de Jerónimo. Assim culminará o Processo Repugnante do Acordo de Costa (PRAC).

Culminará (repugnantemente) com a queda do Governo de Passos e Portas mais uma mão-cheia de semanas de discussão parlamentar. Os ânimos aquecerão, Costa acatará exigências inauditas, o seu Orçamento será aprovado e obviamente incumprido, ao contrário de grande parte das promessas aos parceiros marxistas-leninistas-trotskistas.

É provável se trate apenas de um acordo de incidência parlamentar: Catarina vai de considerar-se excessivamente ministeriável e a visão de médio prazo de Jerónimo desaconselha-o vivamente a compromissos mais profundos, os sindicatos são dele e o eleitorado do BE sê-lo-á também.

Tanto Marcelo como Maria de Belém não quererão iniciar o seu mandato imiscuindo-se nesta loucura santano-lopista de esquerda. O tempo ainda correrá, esperemos que não até ao segundo resgate. Mas Costa cairá enfim, sem completar a legislatura, vítima das mordeduras de todas as najas que lhe serpenteiam o espírito. Acreditemos, o Congresso do PS haja entretanto preparado a receita de um partido honesto e disponível.

No mais... Tudo vale a pena se já a memória popular não for pequena!



18 comentários

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De João. a 02.11.2015 às 19:55

Processo Repugnante do Acordo de Costa (PRAC)."



hummm...não funciona. A palavra "repugnante" é ela mesma repugnante e traz portanto essa mesma qualidade ao seu jogo aqui. Escolha uma melhor.
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De João-Afonso Machado a 02.11.2015 às 20:33

Não. Vai-me desculpar, a palavra é feia mas o processo ainda mais.
A palavra fica. Como agora muito se diz: «legitimamente».
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De João. a 03.11.2015 às 01:49

Talvez da próxima vez que algum partido ou coligação tiver 38% dos votos ele/ela perceba que não tem a legitimidade da maioria do povo que votou e que, portanto, se outras forças eleitas pelo povo para os representar formarem uma aliança de governo com uma maioria mais ampla o governo passa para as mãos dessa maioria.


Aprendeu-se finalmente que cada voto conta. A maioria dos que votam no PAN, no BE, na CDU, no CDS, no Livre, no PPM não vota para eleger o PM mas para ser representado na assembleia da república por esses partidos. Votam em consciência do funcionamento do sistema. Se os eleitores do pif e até alguns do PS não sabem disso então votaram em ignorância do funcionamento do sistema - e não há razão para que o sistema democrático político ceda perante a ignorância de alguns votantes. Quem pensa que as legislativas são para eleger o chefe do executivo nem sequer prestou atenção no nome da eleições.
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De João-Afonso Machado a 03.11.2015 às 06:01

Como queira, as eleições são para eleger deputados, mas a generalidade das pessoas (essas tais que não votam nos pequenos partidos) votam na mira do 1º ministro.
Se todos fossemos sérios desde o início, aceitávamos que é isso mesmo que transparece dos grandes combates de boxe a que chamam «debates», por exemplo Passos/Costa, aliás repetido, em que houve vencedores e se foi discutindo apenas acções de Governo.


O grande mal é que Costa agiu assim e enganou depois.


O resultado pessoal, meu: fui abstencionista, para a próxima votarei furiosamente contra Costa. Seja lá no que for - sempre contra Costa.
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De João. a 03.11.2015 às 06:40

É isso. Todos os votos contam. 38 não são 51 e 107 não são 116. Todas as forças eleitas são efectivas; estão eleitas para tudo o que compete à Assembleia da República, incluindo dar forma a um executivo. 


Acho que no fim disto ficaremos com uma democracia parlamentar mais complexa, portanto mais representativa da própria complexidade que é as vontades populares que representam, ficaremos com uma democracia parlamentar mais informada sobre o seu próprio alcance.


Já agora, Costa enganou menos do que Passos. Costa nunca afirmou taxativamente que não faria um acordo com a esquerda. Já Passos afirmou taxativamente que não era possível uma coligação com o PS só para depois das eleições convidar o PS para uma coligação. 


No limite, cada partido é responsável pela interpretação dos mandatos que recebeu dos seus eleitores. É por isso também - embora não só por isso - que é importante existirem eleições periódicas, para que também se faça a aferição dessas interpretações.
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De Nuno a 02.11.2015 às 21:07

Vai ser interessante ver este governo das esquerdas a defender medidas de austeridade. Parece que afinal não era possível aumentar o ordenado mínimo para os 600 euros. O que eles gritaram por isso nos últimos 4 anos...
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De Lufra a 02.11.2015 às 21:44

Eles, PS, BE e até o PCP já disseram tudo e o seu contrário, isto vai dar cá uma açorda!
Não chegam ao verão, sem andarem todos à batatada!
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De Costa a 02.11.2015 às 22:08


"Acreditemos, o Congresso do PS haja entretanto preparado a receita de um partido honesto e disponível."


Gostava de partilhar a sua esperança. Não posso, infelizmente. O PS, essa agremiação que arrogante e impenitentemente se acha dotada de um direito divino (laicos que se afirmem) ao poder e à tutela do regime, que considera os seus acima da lei - não interessa, na verdade, se bons ou maus: acima -, como tão expressivamente declarou o actual presidente da AR, ser fundamentalmente "honesta" e estar "disponível", de facto, para o bem do país e não para o sustento de insaciáveis nepotismos e plutocracias?


Que grande alteração se teria que produzir naquela gente...


Costa
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De João-Afonso Machado a 02.11.2015 às 22:42

Não me revendo minimamente no PS, acredito -  e sei - que há lá uns tantos que, não obstante, sejam coerentes com as suas ideias. Que o mesmo é dizer - tenham ideias políticas e não meros interesses pessoais.
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De João. a 03.11.2015 às 05:01

Alguém aqui do Corta-Fitas que informe o sr. Costa que não há nada de ilegal, antes pelo contrário, na formação de maiorias parlamentares de governo depois das eleições legislativas livres e universais e de acordo com os mandatos recebidos pelo voto. 


O sr. Costa deve ser daqueles que em legislativas pensa que vota para o executivo. A culpa não é das legislativas.
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De João-Afonso Machado a 03.11.2015 às 07:00

Não insista. Costa não fez nada de ilegal, senão iria para a cadeia.
Fez uma jogada política que no entender de muita gente - legitimamente, não podemos esquecer a palavra-chave de agora - acha que vai prejudicar Portugal e pela qual, mais tarde ou mais cedo vai ser julgado politicamente.


É simples, é isto.
E quanto mais depressa for julgado - para nós, com a nossa legitimidade de pensarmos assim - melhor.


Temos, o não legitimidade para pensarmos assim. É que nós reconhecêmos-lhe legitimidade de pensar assado. Nós, os «fascistas», veja lá!
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De Costa a 03.11.2015 às 12:09


Sr. João (ou, talvez - por "sr." ser coisa de um insuportável timbre burguês, e como tal necessariamente pejorativo - camarada João), vamos por partes:


1) presumo que se me dirija, ainda que recorrendo a uma aparente fórmula indirecta, no seu comentário acima. Ou seja, a este Costa (Rui) que por aqui de vez em quando, e com a benévola tolerância dos responsáveis do blogue, deixa uns comentários, e não a um outro Costa (certo António) disposto a tudo e ao seu contrário para salvar a face e a vidinha depois de ter falhado estrondosamente e em toda a linha nos pressupostos com que fez arrogantemente afastar o anterior líder do seu (dele) partido. Assim sendo;


2) o prezado João (doravante dispensar-me-á, por sua gentileza e minha incerteza, de designações formais), fará o favor, peço-lhe, de reler o que eu escrevi. Eu apercebo-me de que você é presentemente tomado de um entusiástico transe prosélito, do qual se percebe menos bem qual a componente dominante - se a honesta crença numa alternativa, cuja legitimidade, talvez por exótica, tanto tem que ser repetidamente demonstrada, se o mal-contido desejo vingativo de correr expeditivamente e custe o que custar com a "direita", venha a seguir o que vier -, mas isso não legitima (ainda, pelo menos, e admito que com bastante pena sua) deturpações tão descaradas do que os outros tenham dito ou escrito.


Onde, diga-me lá, escrevi eu, acima, coisa que fundamente o seu comentário? O que eu manifestei - e mantenho - foi a minha mais funda descrença de que o PS seja construtivamente reformável (salvo talvez uma longa e bem penosa travessia do deserto; que exigirá muita abnegação de quem, se alguém, a decidir encetar, desde logo porque, é de temer e salvo extraordinária perícia, cairá vítima dela) e a minha igualmente funda convicção de que, nessa organização, domina um culto extremosíssimo de nepotismo e plutocracia, bem como uma dogmática presunção de que o país e o seu governo lhe pertencem. Uma coisa, aliás, naturalmente decorrente da outra.


Dirá você que nepotismo e plutocracia são males dominantes e transversais no tal "arco da governação". Responder-lhe-ei que por isso mesmo me sinto órfão politicamente. É que depositar a minha confiança em outras organizações cujo modelo de sociedade desde logo nos impediria, revolucionariamente e em nome do povo (evidentemente!), de por aqui estar a trocar impressões, e muito provavelmente já me teria terapeuticamente enfiado numa prisão ou impedido de ganhar honestamente a minha vida e a dos meus, é coisa que não faço...


Em todo o caso, sejam ou não males transversais, o PS faz, na matéria e quanto a mim, dos outros partidos do tal arco, verdadeiros meninos de coro...


3) em matéria de direito constitucional, meu caro, algumas memórias me restam dos tempos da academia. Esses tempos são já algo longínquos e a vida, sempre surpreendente nos que nos reserva, afastou-me radicalmente desses temas. Mas os conceitos elementares ainda cá estão. Esses e algum contínuo interesse, ainda que apenas - mas honestamente - amador, pelo assunto e a sua evolução. Sei bem (mas agradeço vivamente a sua comovente preocupação com a minha ilustração na matéria) o que está em causa em eleições legislativas.


O que está em causa em termos de direito positivo e em termos de tradição. A tradição, apercebo-me, valerá para si na estrita medida em que sirva os seus interesses. Olhe, no passado já serviu repetidamente os do PS... na altura era boa e bom dever segui-la...


Costa
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De João. a 03.11.2015 às 15:17

O que o PS está fazer não está acima da lei - está bem dentro da lei.
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De Costa a 03.11.2015 às 23:49

E então onde decorre do que escrevi que sustento ilegalidade, estrita ilegalidade, neste caso concreto, naquilo que o PS anda a fazer? Você é extraordinariamente criativo na interpretação do que os outros escrevem...


Há, coisa talvez ainda mais grave, indecência. Pura e simples indecência. O que, vindo daqueles lados, entristece mais do que surpreende.


Mas para si está muito bem. Fica então assente.


Costa
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De João. a 04.11.2015 às 03:46

O que fica assente é que você acha indecente. Mais nada. Cada um acha o que bem entende. O facto porém permanece. Um acordo de 122 deputados tem mais força democrática do que um acordo de 107 deputados, uma vez que todos foram eleitos pelos portugueses e todos são iguais perante a Constituição da República.. 
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De Costa a 04.11.2015 às 09:04

Um acordo cuja intenção (de o concretizar) nunca foi tema de campanha. E todavia deveria ter sido tema essencial, pelo seu potencial alcance e influência na decisão de voto (e antes mesmo disso, por um módico que fosse de honestidade). Um acordo celebrado entre um partido e outros que desse disseram, repetidamente, das piores coisas. Um acordo de génio, verdadeiramente salvador da Pátria e do povo e do qual, até ver, nem um vestígio foi visto, foi apresentado e fundamentado, com um mínimo de detalhe, de formalidade. De solidez quanto aos objectivos e meios para os atingir.


Para além de tudo o resto que acima ficou apontado (e que para si soberanamente nada interessa) está muito bem assim.


Fico esclarecido.


Costa
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De carneiro a 05.11.2015 às 13:44

http://www.jornaldenegocios.pt/economia/europa/uniao_europeia/zona_euro/detalhe/grecia_mais_desemprego_defice_e_divida_e_de_volta_a_recessao.html



Isto é a única coisa que me preocupa. È sentir que a facção do PS que está a liderar não está a colocar o País à frente dos interesses pessoais, é saber que os objectivos politicos do Bloco, mesmo teoricamente generosos e ingénuos, são praticamente impossíveis e, nesta fase de ressaca financeira, fatais para a saúde financeira do país; e ter a certeza de que para os comunistas a única Pátria que existe é a garantia dos aparelhos autárquico e sindical que lhes dá sustento e razão de existir desde o desaparecimento da união soviética e do projecto planetário.
Houvesse  dinheiro para sustentar uma destas ambições de cada vez e seria basicamente replicar aquilo que temos andado a fazer  nos ultimos 40 anos. Agora tudo ao mesmo tempo, é garantir  um resgate de mais 70 ou 80 mil milhões daqui a 2 anos.
Mas nessa ocasião quero ver gajos enforcados nos candeeiros.
O Teixeira dos Santos da ocasião não vai ser condecorado. Isto depois vai levar uma volta a sério. E é também por isso que a outra facção do PS está preocupada. Porque sabe que depois não vai ficar pedra sobre pedra.  Tudo em sentido figurado, claro.
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De João-Afonso Machado a 05.11.2015 às 15:16

Neste momento Costa só poderá ser travado pelo PCP. A outra facção PS não tem força. A minha esperança é que de tudo isto (afora o 2º resgate) saia um novo e bem lavado PS. À moda de Antero ou O Martins.

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