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As áreas ardidas são também oportunidades de gestão.
Na Montis, associação de que sou presidente, usamos mesmo o fogo controlado para abrir oportunidades de gestão em terrenos de penetração difícil e em que a desestruturação foi tão longe que é difícil ter uma actuação consistente com recursos escassos.
O pinhal de Leiria é uma boa base para uma discussão interessante sobre o destino a dar aos territórios que arderam, mesmo sabendo que, na maioria, são privados e a vontade dos seus donos conta. Mas muitos desses donos estão perfeitamente disponíveis para integrar opções de gestão que, não tendo custos para os donos, também não tenham grande proveito privado e possam contribuir para proveitos colectivos.
O fogo deste ano nos pinhais litorais do Centro, maioritariamente geridos pelo Estado, embora invulgar, está longe de ter sido o único fogo que afectou estas áreas.
Até hoje, e desde que nos primórdios da silvicultura portuguesa se decidiu gerir estes pinhais no estrito cumprimento das regras clássicas da silvicultura germânica que estão na base da nossa escola de silvicultura, a opção tem sido reconstruir a situação anterior, com muito poucas alterações.
O mesmo, aliás, se passa com o resto das áreas ardidas do país, a ideia geral e imediata é reproduzir o que existia antes do fogo, embora com alguma evolução decorrente de tendências sociais e económicas gerais (por exemplo, o abandono rural ou as variações de preço relativo das diferentes madeiras) ou das características ecológicas das espécies (o pinheiro dá-se mal com o actual padrão de fogo, o eucalipto e os carvalhos dão-se razoavelmente bem).
No caso do pinhal de Leiria, sendo o Estado o dono, são menos prementes as questões de rentabilidade da exploração, e são menos preocupantes as questões ecológicas que fizeram o pinheiro passar de um milhão e duzentos mil hectares para os actuais setecentos mil, mais coisa menos coisa, visto que o banco de sementes nos pinhais litorais deve estar de boa saúde, porque os intervalos dos fogos são bastante grandes.
Vale por isso a pena equacionar a possibilidade de fazer uma opção diferente de gestão, diminuindo o peso da ortodoxia de gestão da escola alemã, e fazendo aumentar o peso de uma gestão mais orientada para a biodiversidade e os valores naturais, procurando valorizar mais a regeneração natural, os habitats dunares, a flora específica e o uso público.
Esta opção não implica transformar os pinhais numa coisa diferente do que eram antes do fogo, do dia para a noite, implica sim uma maior atenção à biodiversidade, e uma menor centralidade da gestão produtiva do pinheiro.
E nas outras áreas ardidas é tempo, também, de trazer a biodiversidade, os valores naturais, a recuperação do fundo dos vales para o centro da discussão, evitando as estéreis discussões das claques de cada espécie, definindo com clareza modelos de gestão do território que adoptem o caminho da suavidade.
O fogo do “pinhal de Leiria” começou nos arrabaldes da Burinhosa. E ainda que o pinheiro continue a ser dominante, em toda a zona, o eucalipto onde explodiu fogo tem vindo a ganhar mancha em velocidade e proporções que impressionam quem por lá passa todos os dias e que é da geral ignorância de quem a propósito dos incêndios, se vem referindo ao tal "pinhal".
(Dou-lhe notícia de tal facto porque tenho-lhe alguma estima e não ponho gosto em o ver fazer colo com tolos).
O fogo do “pinhal de Leiria” começou nos arrabaldes da Burinhosa. E ainda que o pinheiro continue a ser dominante, em toda a zona, o eucalipto onde explodiu fogo tem vindo a ganhar mancha em velocidade e proporções que impressionam quem por lá passa todos os dias e que é da geral ignorância de quem, a propósito dos incêndios, se vem referindo ao tal "pinhal".
(Dou-lhe notícia de tal facto porque tenho-lhe alguma estima e não ponho gosto em o ver fazer colo com tolos).
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