Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




O PAN é intrinsecamente totalitário

por henrique pereira dos santos, em 28.05.19

PAN.jpg

Adenda 2, durante um dia ou dois (os fusos horários trocados baralham-me e portanto não sei) neste post estava escrito meio milhão onde na minha cabeça estava 500 milhões. Apesar de vários dos comentários de amigos meus sobre este número, entrei naquele mecanismo de 2+2=5 que impede de ver o erro na conta, tanto mais que a estimativa que me interessava usar era a mais pequena que encontrasse, porque mesmo para a estimativa mais baixa que existe sobre o assunto, o argumento do consumo destes 500 milhões de gatos e cães é um argumento poderoso, mas que aparentemente ninguém parece interessado em discutir

Adenda, esqueci-me de dizer que a escala de 1 a 8 representa a percentagem de votos no PAN em cada concelho

Pedro Magalhães fez este mapa, de forma totalmente amadora, de acordo com o próprio, mas é um mapa muito interessante para usar como base de uma discussão sobre o PAN, um partido que essencialmente responde a preocupações de urbanos que sonham com o restabelecimento de um paraíso perdido, ao mesmo tempo que ignoram a dura realidade da gestão dos recursos naturais que nos permitem viver confortavelmente, com índices historicamente baixos de mortalidade infantil, com uma esperança de vida longa, com baixíssimos níveis de miséria global como nunca houve na história.

Não tenho nada contra o PAN, tenho várias pessoas no facebook que estão muito ligadas a este partido (incluindo Francisco Guerreiro, agora eleito para o Parlamento Europeu), já colaborei em debates organizados pelo PAN (tendo previamente deixado claro que, não sendo aficionado nem caçador, iria defender a caça e a tourada como instrumentos de gestão da conservação do território, o que não representou qualquer problema para os organizadores do debate), já tive uma reunião com André Silva e respectivos assessores na Assembleia da República, a seu pedido, sobre questões de sustentabilidade (penso que o PAN agrada a minha sistemática defesa de que o dinheiro público para o mundo rural não deve ser usado para apoiar a produção de leite ou de carne mas o pagamento da gestão de serviços de ecossistemas), defendo claramente a diminuição do consumo de carne e de leite, como questões centrais da sustentabilidade e muito mais.

Que me lembre, devo ter sido das primeiras pessoas a admitir que o PAN poderia eleger um deputado nas eleições legislativas anteriores por ter visto a sua campanha, e a diferença, por exemplo, para a campanha do LIVRE. A campanha do PAN era muito focada no enraizamento social, pequenas acções, como pic-nics, com gente diferente, nem toda alinhada com o PAN, olimpicamente ignoradas pela imprensa, ao contrário do LIVRE que tinha uma campanha muito mediatizada, assente na cobertura jornalística do que dizia Rui Tavares, muito mais preocupada em difundir o que o LIVRE defende, que em ouvir o que as pessoas comuns pensam do LIVRE.

Se grande parte do que descrevo acima me poderia aproximar do PAN, há muitos anos que tenho uma posição radical sobre o movimento animalista, considerando que há incompatibilidade profunda entre a defesa dos direitos dos animais, enquanto indivíduos (Peter Singer é a base filosófica de tudo isto, um filósofo utilitarista radical que me parece profundamente desumano), e a defesa da conservação da natureza e a gestão sensata do património natural.

Os exemplos dessa incompatibilidade radical são imensos, uns mais fáceis de explicar, outros mais difíceis de defender.

Qualquer organização que queira discutir sustentabilidade a sério tem de olhar para os mais de 500 milhões (estimativa claramente prudente) de gatos e cães que existem no mundo, alguns ferais, que não levantam problemas estritos de consumo de recursos, mas com efeitos brutais na mortalidade de alguns grupos (por exemplo, os gatos são temiveis predadores, responsáveis por matar milhões de pássaros todos os anos), e muitos outros são animais de estimação com um peso não negligenciável no consumo de recursos, não apenas alimentares. Não tenho muitas dúvidas de que o PAN estará do lado dos indivíduos, contra os sistemas naturais nesta matéria.

Se é verdade que há questões filosóficas relevantes, e difíceis, na existência de touradas (uma sociedade decente não faz espectáculos que possam causar sofrimento), também é verdade que o abandono da tourada (seja por via regulamentar, como defende o PAN, seja por evolução da sensibilidade social, como estava a acontecer até os movimentos radicais anti-tourada terem provocado um movimento de resposta que voltou a fazer aumentar o número de espectadores das touradas) tem um efeito real de diminuição da competividade da gestão de terras marginais, com efeitos negativos na perda de biodiversidade e na gestão do fogo, por exemplo (para não falar dos efeitos de perda de controlo social sobre o território que o abandono do mundo rural tem vindo a provocar). Não tenho muitas dúvidas de que o PAN estará do lado dos indivíduos (paradoxalmente, forçando a extinção das raças de touros bravos por lhes retirarem a utilidade social) contra os sistemas naturais.

Estes dois exemplos (poderia escrever sobre muitos outros, como sejam o abate de espécies invasoras como instrumento de reposição do equilíbrio ecológico) são apenas consequências do problema central de partidos como o PAN, que está muito longe de ser um partido verde: o PAN pretende ser a voz dos que não têm voz.

Há muitos exemplos de como esta pretensão, a de ser a voz dos que não têm voz, que se opõe à pretensão das correntes políticas que pretendem dar voz a quem não tem voz, uma impossibilidade no caso dos animais, tem apenas um desfecho: a progressiva defesa da limitação da liberdade de terceiros, em nome de valores mais altos que ninguém sabe como validar.

Desse ponto de vista é muito elucidativo o facto do PAN aceitar facilmente a detenção de animais domésticos cuja única função é satisfazer as necessidades dos seus donos, mesmo com limitação quase total daquilo que seria o caracter intrínseco de um ser vivo, impedindo a sua reprodução, a busca por alimentação, a socialização entre pares ou com inimigos externos, o mero usofruto da liberdade de movimentos durante longas horas do dia, etc., sem fazer qualquer proposta de restrição à detenção, quer por razões de respeito pela natureza intrínseca dos indivíduos, quer por razões de sustentabilidade, e pelo contrário, aponte todas as baterias a uma actividade, como a tourada, em que os animais gozam de uma quase liberdade durante anos, são criados em grandes espaços ao ar livre, com total respeito pela sua natureza intrínseca, produzindo bens difusos que nos interessam a todos, apenas porque numa tarde participam num espectáculo que levanta questões filosóficas sobre a violência (como se a natureza não fosse, ela mesma, violenta e cruel).

O facto do PAN pretender decidir o que pode ou não fazer-se em cada comunidade, no que diz respeito à caça, à tourada, à produção animal, ao controlo da proliferação de cães e gatos ferais e vadios, não é apenas um pequeno preço a pagar pelo seu compromisso com a sustentabilidade e a natureza, é exactamente o inverso, a necessidade do PAN alterar do seu nome de Partido Animais e Natureza, para partido das Pessoas, dos Animais e da Natureza é a forma encontrada para contrabandear ideias totalitárias de defesa dos animais como se fossem opções "verdes", para usar uma expressão que de maneira geral evito usar para caracterizar o movimento social transversal que entende que a sustentabilidade é uma questão séria que deveria estar no núcleo base de qualquer organização política, ao lado da liberdade e do respeito pela opinião das pessoas comuns.

Autoria e outros dados (tags, etc)



32 comentários

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 28.05.2019 às 22:31

ao respirarem o ar citadino poluido de pó de merda de cão têm elevada probabilidade de contrair quisto hidático (1 M/ ano na Europa)
1kg de carne tem os mesmos custos ambientais para vacas e seres humanos
os vegans produzem mais metano que as vacas
aproveitem os pinheiros dos incêndios para produzir álcool etílico; o eucalipto produz metanol cuja ingestão produz cegueira
regressem à glaciação 
os cagalhões pré-históricos apontam para consumo preferencial de carne 
Perfil Facebook

De André Folque a 28.05.2019 às 23:41

Excelente. Peter Singer é o utilitarista mais sonso de toda essa corrente que esquece que nem tudo é verde naquilo que o romantismo convencionou chamar natureza.
Sem imagem de perfil

De Miguel Madeira a 02.06.2019 às 15:52

Acho que essa obsessão que muitos anti-animalistas têm pelo Singer é um perca de tempo (mais facilmente se encontrariam influência nalgumas filosofias de raiz indiana, como a deificação das vacas ou o jainismo), até porque ao contrário do Singer suspeito que grande parte dos animalistas são tudo menos utilitaristas (veja-se como eles são contra coisas que provavelmente aumentariam o bem-estar agregado dos animais mas que prejudicam um animal individual). Acho que essa tentativa para associar o animalismo a utilitarismo (contra toda a evidência e lógica) não passa de uma patetice do Roger Scruton, que como não gosta nem de uns nem doutros fez umas piruetas intelectuaos para se convencer a si mesmo (e aos seus discípulos e discípulos de discípulos) que o animalismo deriva do utilitarismo e que o Singer é o ele de ligação).
Imagem de perfil

De henrique pereira dos santos a 02.06.2019 às 16:12

Claro, claro, aliás Peter Singer escreve há anos sobre o assunto, o seu livro mais conhecido até se chama libertação animal, e não tem nada com isto.
Sem imagem de perfil

De Miguel Madeira a 02.06.2019 às 20:15

O facto de A ser a favor de C e de B ser também a favor de C não significa necessariamente que A seja uma grande influência sobre B; de qualquer maneira, mais do que o Singer ter tido menos ou mais influência, o que me parece mais duvidoso é a associação com o utilitarismo - é que o movimento animalista parece-me tudo menos utilitário (no sentido de procurar maximizar o bem-estar total agregado dos seres que habitam a terra); parece-me muito mais um movimento de tipo moralista, que acha errado fazer mal a um animal mesmo que isso tenha consequências benéficas para o conjunto dos animais (o que, aliás, nem é muito longe do que o Henrique escreve no post).

Eu em tempos recebia mails de um site com muitos artigos animalistas, e de vez em quando apareciam-me umas preciosidades no Inbox: um exemplo era um artigo (já não me lembro bem dos pormenores) em que alguém referia que para ter salvo uma colónia de focas de qualquer coisa, tinha capturado uma foca pequenina e depois, atraidas pelos guinchos da foquinha, as outras tinham ido atrás e assim saído da zona de perigo; e o essencial do artigo era o problema de consciência da autora, a interrogar-se se teria sido ético ter capturado (por alguns minutos, ao que me pareceu...) a foquinha para salvar a colónia; isto pode ser Singer ou não, mas o que não é de certeza é utilitarista.
Perfil Facebook

De Jose Amorim a 29.05.2019 às 11:07

Penso que haverá um lapso, que urge corrigir no texto quando refere meio milhão de cães e gatos no mundo! Será o cálculo, muito por defeito, para Portugal?
Quanto ao resto fiquei feliz por ler algo com que me identifico integralmente e não teria capacidade nem disponibilidade para expressar tão bem!
Mesmo quanto ao Peter Singer de quem fui um atento seguidor no domínio da ética, me decepcionou quando enveredou pelo animal ismo radical! Obrigado pela reflexão! 
Perfil Facebook

De Pedro Baptista a 29.05.2019 às 22:06

500 milhões 
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 29.05.2019 às 11:35

Parece-me disparatado apodar o PAN de "totalitário" por ele pretender proibir as touradas. Há muitas outras coisas que são proibidas (por exemplo, lutas de galos, lutas de cães, jogos de fortuna e azar fora do âmbito da SCML, proxenetismo), por boas ou más razões, razões com as quais o Henrique (ou eu) podemos concordar ou discordar, e não é pelo facto de essas coisas serem proibidas que vamos apodar o Estado de "totalitário".
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 29.05.2019 às 11:39

Parece-me detetar uma contradição neste post. Por um lado o Henrique critica os donos de cães e gatos por manterem esses animais fechados e prisioneiros, por outro critica os enormes danos causados por cães ou gatos asselvajados. Então, que pretende o Henrique - que os cães e gatos sejam libertados, asselvajando-se, ou prefere que eles continuem presos?
Eu não gosto de cães prisioneiros, mas ainda assim prefiro 1000 vezes vê-los prisioneiros do que ter por aí cães a andar à solta, incluindo uma vez um rottweiler a passear longe do dono por uma praia da linha de Cascais.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 29.05.2019 às 14:20

Não critico nem deixo de criticar coisa nenhuma, tento descrever factos com os quais temos de lidar
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 29.05.2019 às 20:26

O problema é exactamente esse que referiu no seu texto "Eu". Esse "eu" é pouco cientifico. É preciso ver a "big picture" para compreender a dimensão do problema.  "Eu" é insignificante no meio de tantos nós. Penso que há muita coisa do "inhantes" que devemos voltar a estudar. Oiço muito por ai a dizer que história é passado, é verdade... Mas é com a história que se aprende, pois a chance de não o cometer o mesmo erro diminui. Rottweiller é um cão domesticado, aliás cão de campo, e não um cão selvagem.  Rottweiler (em alemão (https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_alem%C3%A3)Rottweiler Metzgerhund ) é uma raça canina desenvolvida na Alemanha (https://pt.wikipedia.org/wiki/Alemanha). Cão criado por açougueiros da região de Rottweil (https://pt.wikipedia.org/wiki/Rottweil) para o trabalho com o gado, logo tornou-se um eficiente animal de guarda e boiadeiro, além de ser útil na tração (https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A3o_de_tra%C3%A7%C3%A3o). Devido à sua utilidade, tornou-se popular em todo o mundo. É uma raça descrita como de exemplares inteligentes, valentes e devotados. Fisicamente é um animal forte, de pelagem preta e curta, com marcações em castanho; é robusto e de estrutura compacta, que transparece força, agilidade e resistência. Com os melhores cumprimentos
Perfil Facebook

De Pedro Baptista a 29.05.2019 às 22:07

E que mal fez o Rottweiler?
Não o incomodem que ele fica na dele
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 30.05.2019 às 15:09

Não o incomodem??? O que quer dizer exactamente não incomodar um Rittweiler? Dar-lhe mais direitos do que tem qualquer humano. Ora vai à M...!
Sem imagem de perfil

De EMS a 30.05.2019 às 18:47


Não me parece que o Rottweiler vá reivindicar o direito á livre opinião, educação ou ao trabalho.

Não incomodar, no sentido de não agredir ou ameaçar, um Rottweiler parece-me fácil, decente e sensato.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 29.05.2019 às 13:26

O PAN não é uma agremiação ecologista é uma agremiação de animalistas: Pessoas que promovem a superioridade os animais face aos humanos!, muita atenção não se iludam com as falinhas mansas!...



A.Vieira
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 30.05.2019 às 15:07

Exactamente. Em face das leis que temos, eu quero um Cartão de Cidadão de cão. Alguem é obrigado a alimentar-me, não interessa quem, não me podem bater nem maltratar e estou isento de pagar impostos. Em cima disso, tenho leis que regem o espaço que têm de me dar nos transportes públicos, não é permitido meterem-me num autocarro da Carris, que é muito apertado para os meus direitos. E se fossem à m...?
Imagem de perfil

De Pedro Oliveira a 30.05.2019 às 22:28

Nesse caso seria um cartão de cidaCÃO
Sem imagem de perfil

De António a 29.05.2019 às 14:00

Os votantes do PAN vivem sobretudo nas cidades, estão habituados a ver a natureza em canteiros geométricos.
Quanto aos amigos dos animais, tenho dois vizinhos que saem às 7 da manhã, voltam às 7 da noite, e deixam os cães sozinhos num apartamento. Os cães ladram todo o dia - não que os donos notem, estão ausentes. Para quem faz turnos de noite, é um suplício querer descansar. Não culpo os bichos, mas não me venham falar nesse tipo de amizade. Se eu fosse cão não lhes abanava a cauda à chegada, mordia-os.
Sem imagem de perfil

De António a 31.05.2019 às 16:08

o alimento de 60 mil milhões de animais que existem no mundo para "abate" e consumo humano, que são comparativamente com os 500 milhões de gatos e cães? Os 70% de terra arável que se destina a alimentar os 60 mil milhões, quantos humanos alimentaria de forma vegetariana? Qual o impacto ambiental do uso intensivo de pesticidas na agricultura intensiva, e dos OGM, que são consequência da demanda intensiva de cereais, oleaginosas e leguminosas para rações animais?
Matemática: para produzir 1 kg de carne quantos kg de proteína vegetal são necessários? (o google responde) O que entra na boca do animal sai tudo para alimento humano? Se não quais são as percas do processo? 
Já assim, como este blog é moderado, se não publicarem este meu comt ficarei elucidado sobre totalitarismos
Imagem de perfil

De henrique pereira dos santos a 02.06.2019 às 16:21

O seu comentário tem algumas falácias habituais nesse tipo de argumentação.

1) Os 500 milhões foi a estimativa mais baixa que encontrei, a estimativa média está várias vezes acima;
2) O consumo de recursos de um gato alimentado a wiskas ou de uma cabra a rapar tojo no monte é completamente diferente (não apenas na alimentação);
3) Os animais criados para alimentação humana substituem outros tipos de produção, portanto retirá-los o mercado não significa eliminar o seu consumo de recursos, mas diminuir;
4) Em qualquer caso, uma coisa é a produção intensiva de animais estabulados, cujo consumo, com as limitações acima, se aproxima dos animais domésticos, outra coisa é o gado criado extensivamente em terras que não são aptas para a agricultura (como acontece nas pampas argentinas ou com os borregos neo-zelandeses), portanto eliminar a sua produção não significa alimentar mais gente com uma dieta vegetariana, mas sim alimentar menos gente porque não há grande uso alternativo que sirva a alimentação humana;
5) O que tem os pesticidas agrícolas e os OGM com a produção pecuária? Se toda a gente passasse a vegetariano iria aumentar o seu uso, e não diminuir, o único impacto positivo do ponto de vista ambiental é que morreria mais gente, uns de fome, outros de má nutrição, o que eventualmente teria um efeito positivo na sustentabilidade de diminuir a população mundial;
6) Por último, está a esquecer o maior problema de acabar com a produção animal: diminuiria fortemente o fecho de ciclos e a reposição de fertilidade por diminuição da produção de estrumes e, consequentemente, isso implicaria uma menor produção por esgotamento dos solos.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 13.06.2019 às 16:29

"para produzir 1 kg de carne quantos kg de proteína vegetal são necessários?"
Estamos a falar de carne de bovino, caprino, ovino, ou carne de vegetariano ou vegan humano?



Os primeiros são mais eficientes do que o último. Até porque nem toda a proteina que "produzem" provém de proteína vegetal.
E no último caso, há uma certa ineficiência no processo, por várias razões.
(hint: são muitas mesmo, mas as principais são a composição do sistema digestivo, e o microbioma)

As respostas estão nos manuais de base de qualquer estudante que tenha feito cadeiras de bioquímica e microbiologia. Quem não sabe, estudou mal. Ou não tirou nenhum curso ligado às ciências da vida.. e nesse caso, porque manda bitaites?

Já agora, uma diferença entre um PAN e um verdadeiro ambientalista (que gosta e respeita a natureza, e os seus equilíbrios, como é óbvio): ao ver uma presa ser atacada por um predador, o PAN-indivíduo intervém a favor da presa e tenta fazer passar uma lei para proibir o predador de se dar novamente a essas liberdades. Um ambientalista fica a observar, e se puder filmar, ainda tenta qualquer coisa com a National Geographic.
Sem imagem de perfil

De Miguel Madeira a 02.06.2019 às 15:42

"Qualquer organização que queira discutir sustentabilidade a sério tem de olhar para os mais de 500 milhões (estimativa claramente prudente) de gatos e cães que existem no mundo"

(...)

"Desse ponto de vista é muito elucidativo o facto do PAN aceitar facilmente a detenção de animais domésticos cuja única função é satisfazer as necessidades dos seus donos"

Toda esta conversa deixa de lado um ponto, que os animalistas não referem explicitamente, mas que me parece implícito nos seus programas e posições: olhando para aquilo tudo, só se pode concluir que eles defendem a prazo que deixem de existir animais de estimação; sim, eles não dizem isso e se o dissessem perderiam grande parte dos seus apoiantes, mas é a conclusão lógica - se se é contra a venda e criação comercial de animais de estimação (como muitos animalistas são), se se cultiva o "não compre, adote", e se ao mesmo tempo se defende que todos os animais para adoção devem ser esterilizados, penso que só há um desfecho possível se todas estas ideias se realizarem: a extinção (ou pelo menos a sua redução drástica) das subespécies normalmente mantidas como animais de estimação (não me espantaria que muitos animalistas pensem mesmo algo como "infelizmente criamos essas aberrações, o Canis lupus familiaris e o Felis silvestris catus, que não são capazes de viver no seu ambiente natural e sem o apoio humano; portanto, o melhor que poderemos fazer é extinguir estas subespécies e providenciar aos indivíduos das suas últimas gerações uma vida o mais confortável possível até morrerem").

E, claro, com isso os problemas do consumo de recursos pelos cães e gatos domésticos, ou mesmo o problema filosófico de os manter detidos acaba por desaparecer

Mas suspeito que não interessa muito, nem aos animalistas, nem aos anti-animalistas, chamar a atenção para isto - aos primeiros, porque grande parte da sua clientela são as pessoas que "gostam de animais", não apenas no sentido de "preocuparem-se com o bem-estar dos animais" mas também no sentido "gostarem da companhia e da interação com os animais"; aos segundos, porque com isso perderiam um angulo de ataque aos animalistas.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 02.06.2019 às 16:10


Confesso que não percebi qual é a sua questão: defende que 500 milhões e animais que não servem para nada a não ser para satisfazer os seus donos é um luxo consumista com elevadíssimos custos de sustentabilidade, ou defende que é preciso olhar para o problema do ponto de vista da sustentabilidade não há política séria de sustentabilidade que possa ignorar o problema crescente dos brinquedos animados?
Sem imagem de perfil

De Miguel Madeira a 02.06.2019 às 20:20

O que eu defendo é se os animalistas levassem avante o seu programa completo (só ter animais de estimação adotados e esterilizar todos os animais nas instituição de adoção), aquilo a que chama "brinquedos animados" tornariam-se um problema descrescente e ao fim de uns 20 anos teriam desaparecido (e tenho uma forte suspeita que para alguns animalistas mais radicais isso seria uma feature e não um bug).
Imagem de perfil

De henrique pereira dos santos a 03.06.2019 às 02:54

Pergunto-lhe o que defende e responde que defende que o que os outros defendem vai produzir determinado resultado.
Eu fico na mesma com a resposta
Sem imagem de perfil

De Miguel Madeira a 03.06.2019 às 12:28

Bem, atendendo que o post original é sobre o PAN e os animalistas e não sobre mim, não vejo muito bem qual a relevância de saber o que eu defendo; mas se quer mesmo saber a minha opinião, é que se existir um sistema bem desenhado de impostos pigovianos (ou algo parecido) para combater as externalidades negativas (nomeadamente a nivel ambiental), decisões individuais concretas (ter ou não um animal de estimação, andar ou não a "minerar" bitcoins com o seu computador, andar ou não de automóvel, etc..) tornariam-se pouco relevantes.
Imagem de perfil

De henrique pereira dos santos a 03.06.2019 às 23:56


O que pressupõe que está de acordo com o texto: se alguém quiser levar a sustentabilidade a sério, tem mesmo de olhar para os muitos milhões de animais domésticos não produtivos
Sem imagem de perfil

De Miguel Madeira a 04.06.2019 às 02:53

Não estou nem deixo de estar - parecendo um assunto que não tem nada a ver, aplica-se o mesmo raciocinio que fiz aqui acerca do consumo de energia [http://viasfacto.blogspot.com/2012/03/electricidade-e-os-apoios-as-renovaveis.html]: o que interessa é que haja incentivos genéricos para as pessoas poluirem menos; a forma concreta para reduzirem a sua "pegada ecológica" (terem menos gatos "não produtivos"? Comprarem - e mudarem menos vezes - de televisores "não produtivos"? Fazerem menos passeios "não produtivos" de carro ao fim de semana e/ou menos passeios "produtivos" de carro para o emprego?) é largamente irrelevante.

Já agora, diga-se que também duvido muito da teoria de que as animais domésticos "produtivos", como as vacas ,são altamente poluentes, que me parece basear-se numa contabilidade manhosa, em que os gases da respiração das vacas contam como custo, mas o CO2 absorvido pelas plantas que elas comem não conta como proveito.
Sem imagem de perfil

De Miguel Madeira a 03.06.2019 às 00:32

Já agora, vejo que a PETA defende de forma praticamente explícita que o ideal era não existirem animais de estimação; muito me espantaria se pelo menos parte do núcleo duro do PAN não pense também assim.

https://www.peta.org/about-peta/why-peta/pets/
Imagem de perfil

De henrique pereira dos santos a 03.06.2019 às 02:56


Sim, sim, e fazem manifestações à porta de quem tem animais de estimação para garantir que toda a gente sabe que é isso que defendem (sendo aliás muito frequentes a apresentação pública dos dirigentes do PAN a desfazer-se dos seus animais de estimação para darem o exemplo).
Sem imagem de perfil

De Miguel Madeira a 03.06.2019 às 12:41

"a apresentação pública dos dirigentes do PAN a desfazer-se dos seus animais de estimação para darem o exemplo"

O que escreve não faz sentido nenhum - se a ideia é algo como "nunca deveríamos ter domesticado animais, mas já que os domesticamos devemos tratá-los bem e esteriliza-los para reduzir progressivamente a sua população", como é que entrava aí o "desfazer-se dos seus animais de estimação"? Seria completamente contraditório; o que faz sentido seria apresentações públicas dos dirigentes do PAN a levarem os seus animais ao veterinário para os esterilizarem (não sei se algum dirigente do PAN fez uma apresentação pública dessas, mas não ficaria nada surpreendido).

Da mesma maneira, "manifestações à porta de quem tem animais de estimação" não faria sentido nenhum - o que faria sentido era manifestações à porta de quem cria animais de estimação.

Uma sugestão - crie um perfil falso no Facebook; depois adira a grupos de "defensores dos direitos dos animais"; ao fim de algum tempo publique um post com imagens de gatinhos dizendo algo como "a minha gata, que resgatei há 3 anos, teve mais uma ninhada - alguém os quer adotar? Resposta por mensagem privada"; e depois observe o linchamento público virtual, com todos a cairem em cima de si por não ter esterilizado a sua gata.
Imagem de perfil

De henrique pereira dos santos a 04.06.2019 às 00:03

Concluo que só pode estar a brincar.
A sério que consegue ver na actuação política do PAN alguma medida nesse sentido?
Como sabe o que aconteceu de concreto foi que o PAN influenciou fortemente o fim dos abates nos canis, mas quanto à esterilização, estão as associações (algumas) a tratar do assunto por sua conta, tendo como resultado final um crescente problema (ao que ouço, mas tenho sempre distância de informação não suportada em evidência sólida) de animais vadios.

E porque fez isto?
Porque ser contra a morte dos animais é politicamente fofinho, ser contra a detenção e animais domésticos é um suicídio político.
Para pessoas como o Miguel, que querem muito, muito, acreditar, escrevem umas frases dúbias como as que cita em partes dos sites que têm a que ninguém vai.

Comentar post



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Anónimo

    Salva qualquer um com magros resultados no balanço...

  • Anónimo

    o pescador é um predadoranualmente são lançadas no...

  • Anónimo

    os seres humanos anteriores à agricultura morriam ...

  • António

    A I.L. pode não ter amarras, mas tem tiques. Não f...

  • Anónimo

    Não havendo escrúpulos,sem atenção à diversidade d...


Links

Muito nossos

  •  
  •  
  • Outros blogs

  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2008
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2007
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2006
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D