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O País "improvável"

por João-Afonso Machado, em 24.07.14

O não mundialmente famoso sociólogo Adriano Campos terá desgostado da recente visita dos Reis de Espanha à Assembleia da República. Vai daí, abalançou-se ao tratado político escrevendo (sob o título: «Um Rei na Assembleia da República: cenas de um país improvável») preciosidades como esta - «A Monarquia como sistema de governo reside no passado, avesso à democracia e fiel ao fraco ideal do poder por filiação. Não serve aos povos e é inaceitável como meio de subjugação. Mas Portugal é mesmo um país improvável... faltava-nos, pois, um Rei na Assembleia da República».

Impôr-se-ia, face à boutade de Adriano Campos, uma palavra de solidariedade para com os subjugados, e no passado entranhados, povos britânicos, nórdicos, etc, etc, - mais coisa, menos coisa, metade da Europa, pelos vistos avessa à democracia e incapaz de se libertar do poder por filiação. Ou, em alternativa, calcular o escalão etário de Adriano Campos, e situá-lo algures nestas décadas de desensino da República que nos liberta das vantagens do saber.

Mais precisamente - tem-se por hipótese válida - no tempo em que a Sociologia se deapartou da Ciència Política e do Direito Constitucional. Sendo assim desculpável Adriano Campos ignore que a Monarquia não é um sistema de governo; e que assenta na soberania popular, vale dizer na vontade expressa pelas comunidades em escolherem como símbolo representativo (e apaziguante...) da sua nacionalidade a Família reinante. Apenas isso, como bem se constata em Espanha.

Fora este pequeno pormenor, Adriano Campos tem toda a razão - Portugal (demonstra o seu próprio pensamento) é mesmo um país improvável.

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3 comentários

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De Justiniano a 24.07.2014 às 17:38

Mas, caro Machado, quando é que a sociologia esteve ligada à ciência política e ao direito constitucional!? Quanto muito, como a economia, autonomizou-se da filosofia e da moral!! Não será assim!? 
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De João-Afonso Machado a 24.07.2014 às 18:43

Na minha ignorância atrevo-me, caro Justiniano, a sustentar que não. Até como mero índice estatístico, digo eu... Bom, não vamos discutir o interesse da Estatística neste campo, pois não?
Agora a falar a sério: a um sociólogo conviria discernir entre um sistema de governo e um regime político. Dados este adquiridos em...
Digo eu...
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De Mário Brito a 18.08.2014 às 00:04

Pois. Portugal tem para além de muita gente que não se manifesta, tem felizmente gente com uma visão tão moderna e progressista, gente essa que de tão visionária, não carece de se tentar esclarecer antecipadamente para opinar muito assertivamente acerca do que desconhece não conhecer. E pois, de facto a monarquia é uma anedota, sendo obviamente a monarquia de Espanha outra anedota. Aliás o conceito de Espanha unida é outra anedota, assim como foi uma verdadeira anedota a intervenção do rei Juan Carlos a opôr se aquela visita súbita ao Parlamento por Tejero Molina em 1981 que, sem a intervenção pronta daquele anedótico rei, tudo teria acabado numa guerra civil sem importância. Em suma, para muita gente crente no seu esclarecimento nao questionável, tudo o que tenha a ver com reis e rainhas, reinos, é anedótico porque nada tem a ver com progresso, com democracia, com modernidade. Felizmente em Portugal ha muita gente sempre atenta para nos alertar de tão anedóticos acontecimentos e a justificar que até podem existir porque felizmente vivemos em democracia, logo, numa república!

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