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O Pai e o Papá

por João-Afonso Machado, em 03.12.15

Ontem, em sala de espera, folheando uma dessas revistas da tolice, a entrevista a um casal gay, ele cabeleireiro e ele modelo "internacional": agora pais de três filhos adoptivos.

A fotografia no sofá, a indisfarçável pose de quem assim ostentaria os seus caniches de estimação. Ele é tratado por "Pai" (o mais autoritário) e ele por "Papá" (presume-se que o mais dócil). E a pergunta do entrevistador surge inevitavelmente - então e quando tiverem de explicar às crianças a vossa condição de casal homossexual?

O plano delineado para esse efeito resume-se a uma história de início triste e final feliz - a mãe deles era pobrezinha, não dispunha de meios para os sustentar, para lhes oferecer os brinquedos e as roupas que hoje os rodeiam. Iam viver mal e deste modo vivem bem, com todo o conforto. Não se chega a dizer que de outro modo levariam porrada, assim substituída pelo afecto do Pai e do Papá. Estes aliás, manifesta-se a disponibilidade para visitas de e à progenitora, o Pai e o Papá nada têm a opor.

São factos narrados pelos próprios. Falta-me sempre, em casos destes, a paciência para considerações de ordem moral. Entre o caricato e o dramático, daria para muitas páginas o que a consciência de cada um julgará acerca do destino de três crianças crescendo entre a moda e as bonecas e os chocolates, entre o Pai e o Papá.

Há o futuro delas (e de quantas outras nas mesmas condições?), há a manápula da Esquerda sobre o que chamam "causas fracturantes". Compreende-se: para a Esquerda é o caminho possivel e actual (o passo mais recente) da Revolução: o Pai e o Papá.


30 comentários

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De tgy a 04.12.2015 às 02:08

A produção de uma  vida depende de um homem e de uma mulher, por embaraçoso que isso possa ser.
Por isso,  não houve nem há uma infinidade  de modelos de família supostamente possíveis mas apenas os que  mantêm o comprometimento ôntico traduzido em estratégias que permitem a identificação  com os princípios  feminino/ masculino e do ser humanos como resultante deles.
O construtivismo jurídico (que não se confunda com o acolhimento pelo direito de realidades que o "precedem" ou vão para "além" dele) vai da relativamente benigna adopção - que não teve por escopo qualquer motivação altruísta nas suas origens  - ao Lebenborn nazi.
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De Slade a 04.12.2015 às 10:04

Não sei de onde pensa que virá o meu suposto embaraço. É que, certamente reparou, dissemos exactamente o mesmo tentando jogar com palavras que supostamente liquidam o raciocínio do outro. Nada disso é necessário, os modelos não são porque são, são porque são pensados de acordo com as necessidades. Os homossexuais existem e sempre existirão, uns quantos querem ter filhos e recorrem à adopção (que por mal ou por bem também existe, e não distingue homossexuais, desde fora de um casal), outros até podem já ter filhos de relações heterossexuais anteriores e vivem com eles desde tenra idade, todos (crianças incluido) saberão que a vida não adveio de dois cromossomas masculinos ou femininos, e no entanto vivem juntos, e quem sabe se felizes. Cria-se uma lei que torna o processo consistente e coerente - e o mundo prossegue. Daí ao Lebensborn Nazi vai uma distância que se pode medir pelo infinito. Devo dizer, aliás, que a sua simples menção me parece absurda e intelctualmente desonesta.
Quanto ao resto, pois, vai dar ao ponto (questão) anteriormente referido: o que estou disposto a aceitar(?)
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De tgy a 04.12.2015 às 14:57

"Os homossexuais existem e sempre existirão, uns quantos querem ter filhos e recorrem à adopção"
A questão é que não se pode ter tudo. E antes dos apetites dos homossexuais há que pôr os interesses das crianças em terem um pai e uma mãe (e se os seus pais não são capazes de os criarem, a tal ponto que lhes sejam retirados os filhos, o remédio não será a adopção por pares homosexuais mas por um dos milhares de casais que desejam adoptar.
No caso de homossexuais que têm filhos seus biológicos, o essencial será que a as crianças tenham ligação com a mãe, mesmo que o pai  viva com outro homossexual.
A questão não é que as crianças saibam intelectualmente que são produto de um cromossoma masculino e feminino (e cada vez se percebe mais que os meses de gestação têm, também,  uma imensa importância) mas que possam construir a sua identidade  na dinâmica (que é única, desde logo na sua diversidade que gera a capacidade de criar) da relação heterossexual dos seus progenitores.
Infelizmente, nem todas as crianças podem ter isso. Será um caso  de "infelicidade normal" de que falava Freud. Mas o que o acaso provoca não pode ser reproduzido pela lei, que tem de se limitar a reconstituir posições habituais e comuns. Por isso mesmo, desde logo, e no interesse da criança, os casais têm preferência na adopção sobre as pessoas individuais.

Nota: Qualquer construtivismo pode levar ao Lebensborn. É apenas uma questão de grau e oportunidade. Do ponto de vista da  efabulação jurídica é tão absurdo e falso alguém ser filho de um ente colectivo como ter no seu assento a afirmação de que é filho de dois homens ou de duas mulheres - o que seria a consequência lógica da co-adopção.
Felizente, creio estar muito longe do que afirma.

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