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Segundo esta notícia e a propósito dos estragos causados no Convento de Cristo na sequência da rodagem de um filme e noticiadas a 02 de Junho na RTP, considera o Ministério da Cultura (MC), através da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) "as situações descritas no referido programa [emitido a 2 de junho], 'carecem de rigor e revelam desconhecimento científico', levando ao empolamento e à adulteração de factos". Mais, a mesma entidade diz "atestar que as filmagens foram antecedidas de uma avaliação criteriosa”. Infelizmente, temos sido bombardeados, nas últimas semanas (e a propósito do que se passou em Pedrógão Grande) com inquéritos contraditórios. Este, da DGPC, é mais outro que nos deixa algumas dúvidas quer pela informação prestada pela RTP quer por alguns funcionários que não se quiseram identificar. Mas nem tudo deve ter sido feito com o tal rigor pois outra notícia refere que a mesma DGPC revelou que foi já iniciada a revisão do Regulamento de Utilização de Espaços "com o propósito de uniformizar critérios de utilização e reforçar as exigências às empresas que solicitam o aluguer". A nota da DGPC adianta ainda outra medida: a criação de uma "unidade interna permanente nos serviços centrais" da DGPC, "que se pronunciará previamente sobre todos os aspetos de segurança relativos às pretensões de utilização dos espaços, tanto a nível patrimonial, como humano". Se tudo correu bem e com avaliação prévia rigorosa, porque se altera agora o Regulamento de Utilização de Espaços?
Recentemente (em declarações ao Expresso de 10 de Junho), na sequência dos acontecimentos no Convento de Cristo e também a propósito de festas privadas no Mosteiro dos Jerónimos e exposição de carros elétricos no Museu dos Coches, o Ministro da Cultura declarou que “a rentabilização dos monumentos é necessária para a sua manutenção e preservação” e acrescentou que “as festas privadas não me chocam, não são um problema”. Ora acontece que uma parte significativa do Património Cultural foi construído para o culto religioso e tem ainda, apesar dos séculos, um significado que traduz a sua natureza. Por esta razão e também atendendo ao acordado na Concordata o Estado Português deveria ter mais respeito pelas tradições e significados religiosos do povo português.
O que atualmente se passa no Mosteiro de Alcobaça é um bom exemplo do desrespeito pelas pretensões dos paroquianos de Alcobaça que têm no Mosteiro a sede da sua Paróquia. Pretendem apenas que seja colocada, a expensas próprias, a colocação de uma porta interior de vidro na Capela do Senhor dos Passos (também conhecida por Capela do Santíssimo), já que esta porta, sendo transparente e mesmo quando fechada, permitiria o acesso visual e ao culto do Santíssimo Sacramento quer dos paroquianos quer de todos aqueles que visitam este espaço. Acontece que num primeiro momento foi dada autorização, pela Direção do Mosteiro de Alcobaça, para a colocação da referida porta mas quando a mesma foi efetivamente colocada, a DGPC (tão zelosa de regulamentos) exigiu a remoção da referida porta de vidro. Apesar das insistências do Pároco, de uma petição pública lançada pelos paroquianos (que recolheu, localmente, não incluindo as eletrónica, cerca de 1.300 assinaturas) e ainda pelas questões levantadas pelos deputados (curiosamente do PS) do Distrito de Leiria ao Ministro da Cultura, a situação mantém-se inalterada. Saliente-se que o Estado destruiu, no início do Sec. XX, três Igrejas em Alcobaça e por esta razão o Mosteiro é, também, a Igreja da Paróquia de Alcobaça.
Ou seja, para festas e eventos que gerem receitas não há problemas para os atuais responsáveis do MC mas para a uma simples alteração de uma Capela (que até daria mais visibilidade ao património construído) a resposta é negativa (o popular “não porque não”) sem qualquer explicação justificativa.
Exorta o Papa Francisco: “Que a Igreja esta sempre de portas abertas”. No Mosteiro de Alcobaça o Estado entende que a Porta da Capela do Santíssimo esteja fechada!
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