Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Recordo-me que a política passou a ser um tema do quotidiano e que até se debatia mais do que o futebol (ainda que passageira, esta foi uma das consequências da Revolução nas nossas vidas – a “bola” deixou de ser dominante nas conversas). Sempre que acompanhava o meu pai (que, à época, adorava discutir) a casa de amigos ou familiares, lembro um comentário irónico que me fazia no regresso e que ainda hoje retenho na minha memória: “Tanto anti-fascista e não me tinha dado conta antes da Revolução!”. A adesão popular à Revolução de 25 de Abril é um dos temas recorrentes quando celebramos esta data e, de facto, a população saiu, em grande número, às ruas e os festejos do 1º de Maio de 74 são disso um exemplo muito evidente. Mas as mesmas “massas” participaram ativamente nos eventos públicos do Governo de Marcello Caetano. Como referi no post anterior eu estava no 2º ano do ciclo preparatório em 1974 e na Escola Preparatória Manuel da Maia. No ano anterior esta e outras escolas participaram, no Estado Nacional, num festival desportivo e que contou com a presença do então Presidente da República Almirante Américo Thomaz. À época o meu pai tinha uma câmara de filmar (super 8) e recentemente, ao rever a bobine com o filme desse dia, constato que o estádio estava cheio. Perguntei à minha mãe se se recordava de alguma “pressão” por parte da Escola no sentido das famílias estarem presentes e respondeu-me que tal não tinha acontecido; até me referiu que o PR foi fortemente ovacionado pela assistência. Tudo isto em 1973! As “massas” (e em boa das verdades, também, os interesse instalados) estão sempre do lado de onde “sopra o vento” e para quem tenha dúvidas recomendo a leitura (que considero que deveria ser obrigatória na disciplina de História) do Relatório de Machado Santos (o Salgueiro Maia da Revolução de 5 de Outubro) que conta os acontecimentos ocorridos nos dias revolucionários que conduziram à implementação da República. É um documento notável (porque factual) e para os mais esquecidos recordo que este homem foi assassinado, em 1921, na chamada “Noite Sangrenta” e vítima das forças revolucionárias. Salgueiro Maia não foi morto mas sim esquecido pois sempre se assumiu como militar ao serviço e não como político militar. É agora lembrado pois já partiu.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.
Adoro arroz e sei cozinhá-lo bem. Tive várias cozi...
Segundo me contaram, começou-se a comer leitão por...
Também nunca consegui entender a lógica de sacrifi...
A Arroz Carolino de grão curto, é uma bênção que o...
Como não há vontade/coragem política para a implem...