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Numa troca de argumentos em que usei, como faço frequentemente, a ideia de que o óbvio é muito subjectivo, responderam-me que não, as evidências eram evidências e nem precisavam de demonstração.
Respondi com uma coisa que é uma evidência para a minha interlocutora ("António Costa é o melhor político da sua geração" e note-se que não se tratava de nenhuma militante do PS, é uma evidência para uma pessoa que realmente vê as coisas assim, sem qualquer interesse ou ligação ao PS) e que não é evidência nenhuma para mim, e dei por mim a tentar perceber que critérios de análise podem ser usados para qualificar um político como melhor ou pior, centrando-me no exemplo de António Costa.
Há o critério habitual: ocupa o poder, dá uns bailes à oposição, portanto, é o melhor. Claro que este critério tem os seus problemas (como qualquer critério) o menor dos quais não será o facto de nos levar a concluir que Estaline era o muito melhor político que Trostky, ou que Trump é muito melhor político de Hillary Clinton.
Portanto, talvez a substância da acção política, ou seja, a capacidade de intervir sobre a realidade de modo a obter os resultados socialmente mais úteis (ou, pelo menos, os desejados), talvez seja de ter também em atenção.
Comecemos pelas contas públicas, uma coisa em que os governos até costumam ter bastantes responsabilidades. Estão mais ou menos equilibradas, no sentido em que a dívida que vai crescendo cresce menos que a riqueza que a pode pagar, mas vinha de antes, Costa, na melhor das hipóteses, usou um mau método para manter mais ou menos resultados anteriores, duvido que permita qualificar qualquer pessoa como o melhor da sua geração.
Continuemos pela situação geral das contas externas, Portugal tem melhorado o seu perfil exportador, mas mais uma vez corresponde a uma tendência anterior ao actual governo, menos mal que não tenha sido estragada, mas mais uma vez não qualifica ninguém como o melhor político da sua geração manter o que vem de trás e depende mais de terceiros.
Desemprego, tem estado com números bastantes favoráveis quanto à taxa de desemprego, continua mauzote no que se refere a remuneração e qualificação dos trabalhadores, ou seja, não parece qualificar ninguém como o melhor da sua geração.
Carga fiscal, altíssima e ao mesmo nível (um bocado acima) de quando se estava numa emergência financeira, portanto, também não há aqui que celebrar.
Administração pública em constante degradação, ao ponto de haver serviços públicos incapazes de responder decentemente às pessoas comuns (é virtualmente impossível contactar o SEF, as finanças só atendem por marcação, a segurança social é o terro habitual, enfim...), escolhas de chefias na margem da lei com recurso sistemática à excepção da lei e não à regra, avaliação dos funcionários miserável por excesso de peso nos processos e ausência de verdadeira relevância nos resultados, responsabilização das chefias praticamente inexistente, funcionamento frequente à margem da lei, mecanismos de defesa dos cidadãos enfraquecidos, enfim, poderia estar aqui mais meia-hora a dedfiar o rosário de "inconseguimentos" da administração pública.
Serviços de saúde no estado miserável que é reconhecido por todos, incluindo pelos seus responsáveis, incluindo em alguns sítios cuja degradação rápida da prestação do serviço se deveu a decisões irresponsáveis dos responsáveis, que contra toda a evidência resolveram dinamitar um modelo de gestão mais barato e com melhores resultados que aquele que o substituiu. Sem surpresa, os serviços privados estão em franco crescimento, tal como o gasto das famílias com a saúde, não me parece que se possa dizer que o responsável por isto se qualifique como o melhor político da sua geração.
Da educação acho que nem consigo dizer nada, a não ser sugerir que leiam o Alexandre Homem Cristo, de tal maneira a situação se foi degradando, que não há hoje caminho que não esteja bloqueado.
Quanto à habitação, nem é o programa "Mais Habitação" (este governo é extraordinário a criar programas e dar nomes a novelos ensarilhados, como "nascer em segurança", "transformação da paisagem" e etc. vários), falo do que foi feito ao longo destes oito anos de governo, que é verdadeiramente um desastre.
Gestão do fogo e outras coisas que tais não vale a pena, seria chover no molhado.
O "melhor político da sua geração" é sobretudo competente a ocupar o poder, o que nos trama é ele não ter a menor ideia do que fazer com isso.
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