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Como refere o Henrique Raposo neste texto, o animalismo crescente que o ar do tempo nos revela, reflecte uma sociedade cada vez mais atomizada de gente só, magoada e ressentida. Se é afectivamente compensador e salutar o convivio entre pessoas e animais, a frase “Quanto mais conheço a humanidade mais gosto do meu cão”, ao colocar em confronto a relação entre o dono e o seu cão ou entre a pessoa e um seu igual, seja marido, mulher ou amigo, diz mais sobre quem a profere do que a quem se dirige: uma relação entre o dono e o seu animal será de natureza de posse e domínio entre desiguais; pretender obter algo parecido das relações sociais parece-me no mínimo repugnante. As relações humanas são tão complicadas e desafiantes quanto o ser humano consegue ser complexo e fascinante. Prescindir do desafio de amar e ser amado entre iguais é certamente a mais indecorosa admissão da mediocridade e incompetência a que um ser humano se pode rebaixar – colocando cobardemente o ónus desse falhanço no outro que se recusa lamber-lhe a mão e abanar a cauda.
“Prescindir do desafio de amar e ser amado entre iguais é certamente a mais indecorosa admissão da mediocridade e incompetência a que um ser humano se pode rebaixar”
E isso que está escrito é um indecoroso e repugnante ataque a pessoas que, por circunstâncias a que apenas a elas diz respeito, vivem sós, sem ninguém para amar, tenham, ou não, um animal por companhia. É caso para dizer, meta-se no que lhe diz respeito, João Távora.
Mas que grande confusão ;). Zazie, eu só estava a responder ao texto do João Távora que diz que pessoas que vivem sozinhas com animais não ligam aos humanos. A Maria diz que não visitam pessoas nos hospitais. Eu até perguntava à Maria qual a sua actividade assistencial nos hospitais.
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