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Dom Manuel II.jpg

Uma carta de 1928 recentemente chegada às minhas mãos, de Dom Manuel II para o meu bisavô João Ulrich consentindo o casamento de Maria Emília Casal Ribeiro Ulrich com o Marquês de Abrantes (meus avós), insinua num singelo parágrafo uma improvável amizade entre o rei e o meu avô José. Bem sei que tinham praticamente a mesma idade e que o meu avô pagou com o exílio a luta contra a república. Mas acontece que a Casa de Abrantes tinha, desde o início do conflito entre liberais e tradicionalistas, uma ligação fortíssima com a causa legitimista que por muitas décadas apoiou política e monetariamente contra o ramo liberal de que descendia Dom Manuel II. Talvez para um português actual não seja fácil entender até que ponto no século XIX era brutal esta fractura, mas a mim ainda hoje me chegam ecos desta cizânia que resultou numa sangrenta guerra civil. Sendo assim, a frase “Sou muito amigo de há muitos anos do Marquês de Abrantes: estou convencido que a sua filha não poderia fazer melhor escolha.”  vem carregada de significado político e reconforta o meu coração monárquico. Exilado e longe da sua amada Pátria tomada pelo radicalismo revolucionário, Dom Manuel II demonstra uma enorme grandeza de espírito e de que matéria é feito um Príncipe.
Lembrei-me disto a propósito da conflitualidade que se adivinha nos discursos radicais emergentes da nova legislatura e seus protagonistas. Pela minha parte tenho dificuldade em entender que as pessoas não se possam relacionar cortesmente, por maior que sejam as suas diferenças políticas e ideológicas. Nada justifica a perda de compostura, há uns mínimos de urbanidade exigível aos deputados que nos vão representar no parlamento, mesmo que este se chame Assembleia da República. Que não lhes fuja o pé para a chinela e não comprometam os consensos mínimos de uma nação que se quer civilizada.

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6 comentários

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De Nuno Pombo a 10.10.2019 às 20:02

João, impressionam duas coisas, que acho vale a pena salientar: por um lado, a amizade não é perturbada pela adopção de distintas posições políticas e, por outro, estas não são condicionadas por aquelas. Outros tempos.  
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De João Távora a 11.10.2019 às 09:15

É verdade, Nuno. A boa educação está um pouco fora de moda. 
Abraço, 
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De Anónimo a 10.10.2019 às 22:02

parte do legado de D. Manuel II mudou de nome
D. Fernando II não sequer um beco que o lembre.
não sou monárquico
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De Luís Lavoura a 11.10.2019 às 11:27

Pergunto: porque é que o rei tinha que consentir o casamento dos avós do João Távora? Eles não eram livres de se casar sem o assentimento real?
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De João Távora a 11.10.2019 às 11:54

Era uma concepção estética da existência para uma determinada elite, que teimava nas suas lealdades. É bonito. 
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De Anónimo a 11.10.2019 às 12:09

...e, antigamente até, as cartas de recomendação eram um documento sacramentado, selado e de honra. Até para um emprego , por mais humilde ou importante que fosse, uma carta de recomendação era como uma chave de entrada em todo o lado , uma garantia de honra!
Ainda deviam estar em prática...

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