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O «jornalismo» mais medíocre do mundo

por José Mendonça da Cruz, em 26.09.22

Todas as televisões portuguesas estão muito preocupadas com a vitória «da extrema-direita» em Itália. Consola-as, é claro, o alto valor da «abstenção recorde» de 36%, embora nunca as tenham preocupado os 45,5% da abstenção nas eleições portuguesas. Para confirmar o perigo, a CNN ouviu longamente uma entendida, muito representativa do eleitorado português: Catarina Martins. Depois, a CNN auscultou «opiniões contraditórias nas ruas», as quais consistiram na opinião de uma senhora de esquerda em Roma.  E deu relevo à capa de um diário, onde Giorgia Meloni foi fotografada com a mão estendida, para que se entenda que está a fazer a saudação fascista --- o jornal é o Il Manifesto, comunista. E, logo a seguir, sem reparar na contradição, insinuou que o novo governo italiano é amigo de Putin (coisa que todas as estações imitam). Por fim, o correspondente em Roma somou abstenção e esquerda para concluir, na sua aritmética tonta, que «a maioria não votou na coligação» vencedora (não ocorre ao homenzinho, evidentemente, fazer idênticas contas para Portugal). Quanto ao DN «noticia» que a direita, prestes a perder Bolsonaro, se alegra por ter Meloni. E todos estes pobres arremedos de jornalistas, ignorantes, desonestos e iletrados, enchem a boca com «a extrema-direita», embora nunca tenham vislumbrado a extrema-esquerda que têm em casa e dentro da cabeça. Depois de cortar o momento solene do enterro de Isabel II e o som pungente do gaiteiro da rainha para falar de lixo e proferir vacuidades, este tipo de «jornalistas» obtusos tem agora, com esta eleição italiana, uma nova oportunidade para se espojar longamente na sua própria mediocridade.

(Resta, ao menos, que desta vez somos poupados a adjetivações sobre o facto de a Itália ter a sua primeira primeira-ministra. Não, desta vez nada de «emblemático», nem «mítico», nem «icónico», nem «histórico».)



22 comentários

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De lucklucky a 26.09.2022 às 18:07

É a profissão mais desonesta. 
Pois quase nenhum foi para a profissão para fazer jornalismo. Foram para pregar a sua moral e opinião. Substituiram-se aos  padres. 
Se virmos bem hoje, é o jornalismo politico que cria a moral já não é a Igreja ou os textos sagrados de qualquer religião..

A ida à Igreja foi substituida pelo Telejornal. É aí que as pessoas recebem a catequese. É nas "noticias" que se define o que é virtude o que é pecado.
Assim a politica substitui a religião nas questões morais.
Canais religiosos são hoje a SIC Notícias, CNN etc...todos eles fazem proselitismo da religião politica. Todos eles acreditam piamente que a Salvação  se faz pela politica.


Qual foi a ultima vez que um jornalista da SIC, TVI, RTP usou num telejornal das 20:00 a expressão Extrema Esquerda?
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De Anónimo a 26.09.2022 às 19:23

Subscrevo. 
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De Luis a 26.09.2022 às 23:31

Não é por acaso que a rapaziada da extrema esquerda (PCP e BE) assim como parte do PS, não vão à bola com a religião. Bom bom é eles serem a nova norma, os decisores da boa moral e dos bons costumes.
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De anónimo a 27.09.2022 às 14:39


É triste, concordo. Há de tudo ali; cabotinos, primas-donas, incultos, bem intencionados...
Detestáveis são os que interropem o raciocínio e a exposição do entrevistado -por vezes alguém de reconhecível mérito- mas que ingenuamente lhes caiu nas malhas. Interruper com uma observação francamente idiota, completamente a leste do que se está a falar. Além de ser uma evidente "falta de chá" para quem está em público.
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De Carlos a 26.09.2022 às 19:23

Tem razão, os nossos jornalistas, os que têm palco, são geralmente de esquerda e políticos militantes. A questão que lhe ponho é esta: como foi isto possível? Os donos dos jornais e das Tv não têm olhos? O povo, na generalidade, não vê isso? Só há um extremo? A extrema esquerda não existe? 
Faz falta gente a denunciar este mundo de interesseiros.
 
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De lucklucky a 26.09.2022 às 22:25

Não me parece que deveria partir do princípio que os donos não são de esquerda.
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De Carlos a 27.09.2022 às 08:57

Os donos, em princípio, não são de esquerda nem de direita. Até dizem que o dinheiro não tem côr. Mas, parece-me, não deviam gostar, todos eles, ou quase todos, de ver o barco inclinado sempre para o mesmo lado, antes deviam procurar o equilíbrio. O mesmo penso da clientela, essa deveria gostar da variedade, do equilíbrio, da seriedade, da verdade. Mas não é isso que se vê..
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De lucklucky a 27.09.2022 às 19:41

O Balsemão tem a Impresa claramente para influenciar politicamente o pais, idem para o Publico que até dá prejuizo financeiro à Sonae, mas existe  logo dá outro tipo de lucro.
Esses dois jornais têm lá a escrever Extremistas. Todos do mesmo lado.
 Defensores do Gulag e do tipo assassinado pelo primeiros, com um picador e que queria outro Gulag.  Da Ideia que mais gente assassinou no século XX e que defende o fim do estado de direito, o fim da separação de poderes e os chamados "checks and balances".  Marxistas-Leninistas.
Um poder primitivo, brutalista.
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De O primata apartidário a 27.09.2022 às 09:06

Exactamente, ou acham que os capitalistas (ironia ou não) são tontinhos por estarem a promover certas agendas politicas e sociais-culturais nos seus jornais e tvs? 
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De O primata apartidário a 27.09.2022 às 14:09

Façam busca/pesquisa com as palavras "capitalistas e esquerdistas juntos a promover a imigraçao em massa" e  vão entender porque o mundo segue o caminho do abismo. 
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De Anónimo a 26.09.2022 às 20:23

Vileza e ignorância bisonha,  em partes equitativas   -    eis o esgoto telivisivo  cá da paróquia...
JSP


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De Jim Pereira a 26.09.2022 às 21:56

Perfeito!
E tomei a liberdade:
https://www.caoquefuma.com/2022/09/o-jornalismo-mais-mediocre-do-mundo.html
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De Luis a 26.09.2022 às 23:29

Hoje em dia ou se concorda a 100% com status quo que no fundo é aquilo que a esquerda quiser que seja, ou se é um pária.
Se um cidadão comum afirmar que "a imigração é necessária mas com regras, não podendo um Estado simplesmente escancarar as portas a todos quantos quiserem vir" é porque é um "racista insensível" que não quer saber dos refugiados nem dos pobrezinhos.
Se afirmar que a "igualdade de género é a igualdade de oportunidades, de salários em profissões equivalentes, de acesso a direitos e de imposição de deveres iguais, etc, etc" mas não disser categoricamente que "biologicamente também somos todos iguais", é porque é um "machista" ou um "ignorante retrógrado".
Se um pobre coitado ousar questionar qual a lógica da descarbonização "à bruta" da UE, com custos para a economia brutais, quando poluidores maiores como a China ou EUA não o fazem ganhando com isso grandes vantagens competitivas, é porque é um miserável "negacionista" ou porque foi "comprado pela industria do petróleo".
Se ousar citar sequer que existem problemas com certas comunidades ou com subúrbios de cidades então é o fim, menos do que "facho" não será certamente apelidado.


No fundo hoje a esquerda atingiu um nível de soberba tal que se acha muito superior moralmente a tudo e todos e no direito de impor a sua visão seja porque meios for, porque a esquerda é a dona da verdade. Num atentado e violação clara da democracia é a esta miséria que a esquerda nos fez chegar, com o cancelamento de opiniões diferentes das suas, com a criação de um número absurdo de preconceitos direcionados a todos quantos não concordem com tudo o que ela defende, anulando o debate sério e difamando sem o menor pudor pessoas e entidades.


Houve "fachos" em Itália a votar na coligação da sra Meloni? Sim! Foram a maioria? Claro que não! A larga maioria das gentes que votou na sra Meloni foram pessoas comuns fartas da lenga lenga da esquerda anti-democrática que, às preocupações das pessoas respondeu vezes sem conta com a sua habitual arrogância e as chamou de "fachos", "racistas", "retrógrados", etc, etc ao invés de permitir o debate sério dos problemas reais das pessoas reais e não das utopias e dos amanhãs que cantam. As pessoas precisam e querem soluções para os seus problemas e não discursos inflamados cheios de nada (na medida em que em nada resolvem os problemas do quotidiano) dos Gugu's, das Greta's, dos Mamadou's, etc, etc desta vida. A sra Meloni é má? Pode até ser mas os italianos preferiram apostar em algo diferente pois já viram o que a esquerda lhes dá e que mais não tem sido do que estagnação, nepotismo desavergonhado, dívida, fratura social crescente (como o meu Portugal é tão igual meu Deus) e, pior ainda, a negação da discussão séria dos problemas com a habitual diabolização de quem o tenta ao menos fazer. 


Não defendo a sra Meloni até porque nem sequer conheço o seu projeto mas que a esquerda precisava de ser colocada no seu lugar precisava... pode ser que aprenda alguma coisa e que finalmente se comecem a discutir os problemas reais e não apenas a fantochada, na medida em que já enjoa e que há muito mais a discutir, da igualdade de género, do racismo, do clima, etc, etc. 
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De Anónimo a 27.09.2022 às 13:00

"racista insensível" que não quer saber dos refugiados nem dos pobrezinhos".



Nem mais. Não vê que estamos na era do discurso lacrimejante e dos apelos à emoção fácil? Nunca que discutem os problemas que verdadeiramente interessam a toda a gente (e não às minorias que eles criaram). A esquerda vive de manipular os sentimentos das pessoas e fá-lo como ninguém.  
Mas o tempo passa, já são muitos anos disto. Depois é a queda e o descrédito absoluto. E como para grandes males, grandes remédios.... dá-se a viragem à direita que está a acontecer um pouco por todo o lado. 
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De Maria J Rodrigues a 27.09.2022 às 08:54

Muito mau, de jornalismo pouco sabem, a maior parte. O que acho estranho é com tantas críticas que fazem às suas actuações, eles continuarem na mesma. E o "patrões" insensiveis, ou talvez queiram mesmo assim
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De O primata apartidário a 27.09.2022 às 09:07

Check https://ionline.sapo.pt/artigo/781762/por-que-razao-cresce-tanto-a-extrema-direita-?seccao=Opiniao_i --- . O que a esquerda e a direita moderada se devem questionar é por que razão a chamada extrema-direita e a extrema-esquerda crescem tanto em tantos países. E talvez percebam, entre outras coisas, que o caminho da migração deve ser controlado, até para conseguirem acolher bem todos aqueles que procuram uma melhor vida – além de controlarem as máfias que estão a aproveitar-se da miséria alheia –, de não permitir que se proíbam as pessoas de chamarem mãe à mãe, e que as opções sexuais não se incutem a crianças com três ou quatro anos – respeitando eu que se perceba desde cedo qual o caminho que cada um quer seguir. E, claro, apostar numa justiça mais célere e justa. Do link acima do jornal I
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De entulho a 27.09.2022 às 09:36

até o socialista Mussolini era de extrema-direita.
como escreveu Serge Halimi do Le Monde:
«os cães de guarda do dono»
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De Anonimo a 27.09.2022 às 09:38


", onde Giorgia Meloni foi fotografada com a mão estendida,"


Concordo que se denuncie. Mão estendida é com Portugal! O seu a seu dono.


Coitados dos que escrevem e relatam as coisas, fazem o que está no teleponto. Jornalistas há cada vez menos, jornais (em papel ou na TV) idem. Cada um faz o que pode e sabe, a "classe" pode e sabe cada vez menos.
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De O primata apartidário a 27.09.2022 às 20:48

E continua a sair gente anestrada das "escolas" de comunicação ou lá como se chamam, todos os anos,para os jornais e tvs. 
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De Anónimo a 27.09.2022 às 10:44

E já reparou que todos eles , à descarada , fazem campanha pró-Lula?
Não há jornal nem canal que não seja altivamente e activamente lulista. 
É- me indiferente o Brasil e quem vai ganhar no Brasil, porque o Brasil continuará sempre um país terceiromundista e corrupto. Mas confesso que,  por pura révanche contra esses jornalistas avençados do stablishment, até me dava um especial gozo  que vencesse o outro. (E não devo ser caso único a pensar assim). 
Tenho consciência de que é um impulso quase primário, sei disso, mas é a única maneira de aliviar a carga de insatisfação que as pessoas sentem. É quase como um antídoto.  Apenas a esquerda, porque vive na sua bolha mediática, não o percebeu. 


Não é, pois, de admirar que surjam, "inesperadamente", umas surpresas. Neste tempo de paz podre, é inevitável que as pessoas exprimam a sua revolta e... dentro da cabine de voto façam a sua «pequena revolução» silenciosa e discreta e ponham a cruzinha onde "outros" não desejavam
J.Vaz

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