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O jornalismo contra a liberdade e os direitos das pessoas comuns

por henrique pereira dos santos, em 15.07.20

Um comentário num dos meus posts anteriores chamou-me a atenção para uma história inacreditável em Mafra: o senhor Presidente de Câmara, achando pouco eficiente o controlo da epidemia, deu um passo em frente.

A coisa é simples de descrever, e aliás o próprio presidente de Câmara a descreve: a polícia municipal tem competências semelhantes à GNR para fiscalização do cumprimento dos deveres de confinamento dos infectados, consequentemente qualquer membro da polícia municipal - tal como qualquer membro da GNR - tem acesso a informações pessoais de saúde de pessoas que podem nem sequer estar doentes ou serem infecciosas, transmite essa informação ao presidente de Câmara - a mim parece-me uma evidente violação do dever de sigilo profissional dos membros da polícia municipal, mas isso sou eu que não sou jurista e tenho uma visão pouco sofisticada dos direitos individuais e dos deveres funcionais dos funcionários do Estado -, o presidente de Câmara transmite aos seus presidentes de junta essa informação que pensei que era um direito inviolável de cada um de nós e, a partir daí, monta-se um sistema de controlo e discriminação de pessoas sem qualquer culpa formada e sem que esteja estabelecido qualquer perigo concreto para a saúde pública representado por essa pessoa.

Com base na hipótese de que uma pessoa que testa positivo é infecciosa - hipótese perfeitamente admissível, mas longe de estar completamente demonstrada, e muito menos que é sempre assim -, sem qualquer demonstração de que tal se verifica no caso concreto da pessoa em causa, estabelece-se um sistema de detenção domiciliária não controlada judicialmente, em que meros agentes administrativos, como um presidente de câmara, ao arrepio de qualquer legislação e contrariando direitos fundamentais, se orgulham de instaurar sistemas repressivos ilegais e não controláveis judicialmente.

Pois bem, o que verdadeiramente me deixa inquieto é que a comunicação social ache que é mais importante escrever sobre "teorias da conspiração e informações falsas que órgãos de comunicação, como o Observador, têm procurado rebater", com base em histórias da carochinha não verificáveis - a história do homem de trinta anos de morre depois de uma festa covid, dizendo, às portas da morte, que acha que cometeu um erro é exemplar porque é uma história contada por uma médica, não ligada à prática clínica, que ouviu de uma enfermeira, que terá acompanhado o homem às portas da morte por causa de uma festa covid, festas essas que são um mito persistente nunca demonstrado - em vez de escrutinar a actuação do senhor presidente da Câmara de Mafra.

Este alinhamento do jornalismo com a força do Estado, contra os direitos individuais e a liberdade, é arrepiante.



9 comentários

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De Anónimo a 15.07.2020 às 10:53


A 50 metros da minha casa esteve um jovem infectado.
Ao passar próximo da entrada, um seu vizinho chamou-me à parte informando do sucedido e pedindo para ter cuidado.
Passados dias, informei do sucedido um meu vizinho que comentou: agora estou a perceber o espectáculo da GNR no outro dia.
Como pode ver-se, isto é uma aldeia, os infectados são como os leprosos de antigamente, uns mortos-vivos.
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De Carlos Sousa a 15.07.2020 às 11:12

Se não fosse um assunto sério até dava vontade de rir. 
Será que não há ninguém, do governo, da oposição, dos defensores dos direitos, sei lá, alguém que denuncie este acto criminoso?
Onde é que andam os ditos da protecção de dados?
É que se ninguém prende estes badamecos, qualquer dia acordamos e temos uma estrela ou uma cruz pintada na porta da rua.
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De pitosga a 15.07.2020 às 13:28


Henrique Pereira dos Santos,
Desde criança que nunca tropecei em nada que me fizesse pensar em delatores para a DGS/PIDE/PVDE.
Minha Mãe disse-me meia-dúzia de vezes que não conversasse no barbeiro nem nos cafés. Aí estavam os bufos.

Só se desmascariam após o glorioso, falando [podiam estar calados] do que sabiam dos fássistas que tinham conhecido e que, muitas vezes, os tinham ajudado no ganha-pão, no dia-a-dia.



Agora acredito piamente que haveria muitos bufos. Eu é que era 'tapado'. A revelação veio pela covid.

Isto é um país de nados-bufos. Nada me admira nesta área, em Mafra, em Cacilhas ou São Manços.


... if you want to test a man's character, give him power. —Abraham Lincoln


Abraço e pachorra. Não há mal que sempre dure...
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De Esteves a 15.07.2020 às 13:29

O problema nao sao os infectados..... o problema sao os iluminados como o sr. henrique pereira sousa
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De Antonio Maria Lamas a 15.07.2020 às 14:05

Deve ser isto que a "nova" DGS, chama a "nova normalidade".
Também não sou jurista, nem tenho dinheiro para pagar 500 euros à hora a advogados para "mexerem" as coisas, mas se fosse comigo ou com algum familiar meu, nem que fosse preciso ir até ao Constitucional, não seria um "ninguém" de qualquer Câmara ou Junta a violar a minha privacidade.
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De Anónimo a 15.07.2020 às 15:25

Ainda tu não vistes nada. O País soviético está aí.
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De Anónimo a 15.07.2020 às 17:05

HPS,parece-me que ainda a procissão vai no adro. Vamos ver muito mais, pode crer.  É que agora já nem se disfarsa. 
A propósito do museu do Aljube e da sua nova "gerente"  vale a pena uma visita ao Malomil blog. onde hoje se  publica sobre o Gulag. E há dias, no mesmo blog, fotos sobre os traumas da Revolução Cultural da China.
E nós, pobres criaturas inocentes, pensemos apenas que os "protegidos" deste regime encabeçado por Costa, o PCP e o BE, são defensores e admiradores de tais regimes...
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De Ricardo a 16.07.2020 às 10:38

A informação chega às Juntas de Freguesia e rapidamente se espalha a toda a população; eu também vivo numa aldeia e são divulgados pelo passa palavra com origem na Junta os nomes de infectados e respectivos contactos sob vilgilância que, lá está, passam a ser tratados como leprosos. 


O pai de uma infectada cumpriu a quarentena de 15 dias e depois disso estávamos a chegar ao café da terra e ele ia a sair; a minha própria mulher disse logo para nos irmos embora, mas eu insisti para nos sentarmos e ela ainda veio o caminho a dizer que ser calhar ainda nos tínhamos sentado na mesa dele.


Isto está um pandemónio autêntico, uma histeria colectiva.
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De Anónimo a 16.07.2020 às 17:11

E repare que os comentadores também são escolhidos a dedo, quase todos alinhando as mesmas opiniões já previamente alinhavadas em conluio.
Por isso gostei de ler o editorial do Eduardo Dâmaso na Sábado "Lágrimas por Mexia". Uma voz isolada e corajosa.


PS - pode-se ter acesso ao texto integral através do blog Portadaloja


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