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Preâmbulo:
Muitos lembrarão as eleições presidenciais de 1985, ganhas na segunda volta por Mário Soares. E não terão esquecido a sua estratégia: inicialmente piscando o olho à Direita (aquele célebre debate com Lurdes Pintassilgo, em lhe disse, se ela vencesse, no dia seguinte seria um fugir de castiçais de prata para o estrangeiro...), depois tirando a gravata, ultra "fixe" (porque Freitas era um "chato", o carrasco de O Primeiro de Janeiro...) namorando com descaro a Esquerda de onde adviriam os votos para si vitais.
Factos presentes:
1 - O programa na RTP Choque Ideológico, em que o moderador Carlos Daniel parece exigir dos intervenientes uma promessa de voto em António José Seguro.
2 - A sobranceria dos ditos intervenientes conjugada com as suas juras de fidelidade à democracia, como se tomados por um medo qualquer, um complexo, uma patologia do foro politico-partidário.
3 - Um representante do Chega calado como rato versus um triunfal papagaio socialista.
4 - Um ouvinte (eu próprio) já meio tentado em votar em Ventura, tal a dureza do referido processo inquisitorial.
O devido e o devir:
- Com que direito se faz uma mesa redonda perguntando a cada participante em quem vai votar a 8 de Fevereiro?
- Isto vai ser assim? Ser democrata obriga a assinar uma declaração contra Ventura?
- Porquê a insistência no apoio institucional do PSD e da IL à candidatura de Seguro? Porque não podem estes partidos proclamar a absoluta liberdade de voto dos seus militantes?
- E se Seguro resolve ir à pesca na Esquerda? Se, porventura, é também um estratega e repete o caminho do seu ídolo Soares?
- Qual a legitimidade dos partidos da Esquerda para, generosamente, aceitarem o democratismo dos da Direita apenas se estes se unirem (e o proclamarem) contra Ventura?
Rebobinem o programa (são 23.30 quando escrevo este apontamento, e ele está no ar) e não percam o interrogatório. O acusado é Montenegro - o alvo a abater é o Governo, claro - e parece o estalinismo, sentado em frente do pobre coitado.
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