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O interrogatório

por João-Afonso Machado, em 19.01.26

Preâmbulo:

Muitos lembrarão as eleições presidenciais de 1985, ganhas na segunda volta por Mário Soares.  E não terão esquecido a sua estratégia: inicialmente piscando o olho à Direita (aquele célebre debate com Lurdes Pintassilgo, em lhe disse, se ela vencesse, no dia seguinte seria um fugir de castiçais de prata para o estrangeiro...), depois tirando a gravata, ultra "fixe" (porque Freitas era um "chato", o carrasco de O Primeiro de Janeiro...) namorando com descaro a Esquerda de onde adviriam os votos para si vitais.

Factos presentes:

1 - O programa na RTP Choque Ideológico, em que o moderador Carlos Daniel parece exigir dos intervenientes uma promessa de voto em António José Seguro. 

2 - A sobranceria dos ditos intervenientes conjugada com as suas juras de fidelidade à democracia, como se tomados por um medo qualquer, um complexo, uma patologia do foro politico-partidário.

3 - Um representante do Chega calado como rato versus um triunfal papagaio socialista. 

4 - Um ouvinte (eu próprio) já meio tentado em votar em Ventura,  tal a dureza do referido processo inquisitorial. 

O devido e o devir:

- Com que direito se faz uma mesa redonda perguntando a cada participante em quem vai votar a 8 de Fevereiro?

- Isto vai ser assim? Ser democrata obriga a assinar uma declaração contra Ventura?

- Porquê a insistência no apoio institucional do PSD e da IL à candidatura de Seguro? Porque não podem estes partidos proclamar a absoluta liberdade de voto dos seus militantes?

- E se Seguro resolve ir à pesca na Esquerda? Se, porventura, é também  um estratega e repete o caminho do seu ídolo Soares? 

- Qual a legitimidade dos partidos da Esquerda para, generosamente, aceitarem o democratismo dos da Direita apenas se estes se unirem (e o proclamarem) contra Ventura?

Rebobinem o programa (são 23.30 quando escrevo este apontamento, e ele está no ar) e não percam o interrogatório. O acusado é Montenegro  - o alvo a abater é o Governo, claro - e parece o estalinismo, sentado em frente do pobre coitado.

 


14 comentários

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De Anónimo a 20.01.2026 às 10:40

"O acusado é Montenegro  - o alvo a abater é o Governo", Mas qual é a dúvida?


Após a demissão de Costa houve a esperança de mudança, já agora para melhor.


O que aconteceu? Não só não houve mudança como a situação piorou porque continuou o caminho que vinha seguindo.


Conclusão? Duas palavras para definir Montenegro e o governo atual: NÂO PRESTAM.


Não se tratando do poder legislativo qual é a dúvida em escolher alguém, apesar de não ser o ideal, que não vive a proclamar atoardas com base em mentiras e falsidades.
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De cela.e.sela a 20.01.2026 às 11:26

''ao dar da meia volta ... ó pistratira ...»
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De Manuel a 20.01.2026 às 13:16

O problema é que  tudo se passa na tv pública paga por todos e que tem o dever de ser rigorosamente apartidária, por mim há muito que a RTP devia ter sido privatizada, que vivam à conta daquilo que produzem.


Já agora ...
Com a m...a que  os socialistas deixaram depois de oito anos de desgoverno queria o quê? Milagres? 


Com um parlamento tão dividido e um país quase ingovernável acho é que devia agradecer a quem mantém a serenidade e o bom senso de tentar governar dando um ar de normalidade a uma Nação profundamente dividida
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De Anónimo a 20.01.2026 às 15:42

Concordo que a RTP deveria ser Privatizada.


O Diário da República, a Emissora Nacional e os Editais Públicos publicitados na Comunicação,  cumprem perfeitamente a necessidade de divulgar assuntos de interesse público.


A Televisão Pública é supérflua, desnecessaria e redundante.


É um luxo caríssimo num paízeco onde milhares de famílias subsistem com um ordenado mínimo que é um quase insulto.


A TV pública deveria ser Privatizada e no caso de não haver interessados, encerrada
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De Anónimo a 20.01.2026 às 19:03

Como é que um 1º ministro e governo anormais podem "dar um ar de normalidade a uma Nação"?

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De Manuel a 21.01.2026 às 23:59

Olhe só os anormais não vêm!
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De Anónimo a 20.01.2026 às 11:11

Continuem assim   -   o "Chega"  agradece...
Juromenha
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De Silva a 20.01.2026 às 11:57

Como não há vontade/coragem política de implementar, rapidamente e em força, reformas estruturais, a começar, repito, a começar pela abolição do salário mínimo, liberalização dos despedimentos e abolição dos descontos seguindo-se outras reformas estruturais só nos resta o aumento da pressão financeira de modo a que o governo "cernelhe" de modo intensamente suave à medida que a pressão financeira aumentar.
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De Francisco Almeida a 20.01.2026 às 12:02

Recordando Karl Marx e o 15 de Brumário de Luís Bonaparte: A história repete-se sempre, primeiro como tragédia, depois como farsa.
Marcelo Caetano, com a crise instalada, tinha duas hipóteses, endurecia o regime pedindo apoio a figuras como Antunes Varela ou Franco Nogueira e militares como Kaúlza de Arriaga ou abria o regime, apoiando-se na ala liberal e em militares como Spínola. Indeciso, incapaz ou cobarde, não escolheu e seguiu-se a tragédia.
Luís Montenegro, com o PSD esfrangalhado e a sua liderança ultrajada(*) tinha duas possibilidades, aproveitava a moderação de Carneiro, apoiava-se no PS e apoiava Seguro, ou escolhia romper com o passado, apoiando-se no Chega e apoiando Ventura. Indeciso, incapaz ou cobarde, decidiu não escolher. Como dizem os brasileiros, fico no aguardo.
(*) Dois terços do eleitorado PSD votaram Gouveia e Melo e Cotrim de Figueiredo, enquanto alguns barões do partido apoiaram Seguro.
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De Anónimo a 20.01.2026 às 18:50

E também, Marques Mendes teve a brilhante ideia 💡 de ser candidato.

Como se não chegasse aquele de Boliqueime não resistiu e botou Palavra 


Estavam á espera de quê ?!!


Em português antigo tudo se resume a ; 


O vento levou o que o Diabo deu.
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De Manuel a 21.01.2026 às 23:54

Muito interessante a teoria das duas hipóteses só não vejo qual a vantagem que as duas personagens(Caetano e Montenegro)poderiam ou poderia(no caso de Montenegro) retirar se seguissem uma dessas variáveis. 


A verdade é que Caetano estava destinado a perder ele já não tinha era hipótese nenhuma os ventos da história não perdoam e o regime não tinha saída 


Quanto a Montenegro vamos ver para já acho que decidiu bem, refugiar-se nos braços de Carneiro ou procurar o abrigo do Chega seria o seu suicídio certo 


Isto de criar hipóteses e classificar as decisões de responsáveis políticos para quem quem não tem a responsabilidade de decidir não passa de um jogo de palavras normalmente muito criticas e duras para quem não gostamos ou de apoio para quem apreciamos


Destas eleições retirar a conclusão que o PSD está esfrangalhado e a liderança de Montenegro foi ultrajada parece-me demasiado dramática e precipitada mas isso veremos no futuro 
Até agora em eleições presidenciais o único  primeiro-ministro que ganhou foi Guterres em 96 com um candidato Sampaio que avançou muito cedo e obrigou o apoio do PS
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De Anónimo a 21.01.2026 às 01:54

Os que gostam do chega estão finalmente, a chegar-se à frente. Saíram do armário. 
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De Anónimo a 21.01.2026 às 11:13

O Chega é um Partido inteiramente Legal.


Tem assento Parlamentar conquistado em Eleições Livres e  merece a aprovação de uma significativa fatia do eleitorado, a quem representa na AR.


Cumpre as regras e procedimentos legais.


As pessoas, manfios disfarçados de democratas, idiotas travestidos de bem pensantes e cretinos em geral, podem não gostar.


Podem achar execrável a convivência com André Ventura, mas enquanto ele e o Chega se mantiverem dentro da Lei, nada a fazer senão engolir Sapos.


Bom Apetite e Bom Proveito 



















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De Anónimo a 22.01.2026 às 03:10

Legal e transparente, como ilustra o discurso acima. A linguagem diz tudo: manfios [sic], idiotas, cretinos, execrável. Nem o Sapo escapou!

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