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O Inferno são os outros

por henrique pereira dos santos, em 15.11.21

austria e alemanha.jpeg

Estes são os gráficos de incidência covid de hoje, na Alemanha e Áustria, vindos do OurWorldinData. Estão aqui apenas para enquadrar o que se segue.

Em rigor bastaria o gráfico da Alemanha, mas o da Áustria está aqui para ilustrar a enésima coincidência entre uma subida brusca da incidência da doença e a tomada de decisões políticas maximalistas - na Áustria, contra os não vacinados - cuja ligação real com a subida dessa incidência é mais que discutível. É a defesa política padrão dos governos que têm medo das suas opiniões públicas.

Helena Ferro de Gouveia, que não é propriamente uma cidadã média porque é jornalista com uma carreira cosmopolita, desempenha cargos de topo em sítios vários (incluindo a Lusa) e é, de acordo com o seu perfil no Linkedin, especialista em comunicação de crise.

No entanto, sendo tudo isto e com toda a informação e capacidade de análise que daí decorre, terá escrito o seguinte:

"Leio os especialistas alemães e fico gelada. ... Os alemães são pouco dados à histeria logo a situação é muito, muito séria (um bocadinho de história sobre histerias alemãs talvez fizesse aqui falta, diria eu, mas deixemos isso de lado). E isto porquê? Porque um bando egoístas decidiram não se vacinar. ... Espero que a política encontre agora a coragem de austriacos e holandeses: "não se querem vacinar? Muito bem. Não entram em lado nenhum e ficam em lockdown".

É aqui que entram os gráficos que ali estão em cima.

As incidências, quer da Alemanha, quer da Áustria, são hoje bastante superiores aos picos anteriores, portanto, a julgar pela raciocínio brilhante de Helena Ferro de Gouveia, a responsabilidade é da minoria (à volta de 35% da população total do país, que inclui as faixas etárias em que a vacinação não é recomendada) que não está totalmente vacinada e provoca picos maiores que os que existiram quando 100% da população não estava vacinada. Já se fossem como Portugal, que só tem cerca de 13% da população total não totalmente vacinada, teriam, provavelmente, incidências como as de Portugal.

Aliás o corolário lógico deste raciocínio, aplicado a Portugal, é a de que a subida da incidência da doença que se espera para os próximos tempos, resultará, evidentemente, da descida correspondente da percentagem de população totalmente vacinada, como é bom de ver.

É extraordinário como ao fim de quase dois anos disto a conversa continua igual: o que é preciso é culpar os malandros que provocam subidas, sejam os ajuntamentos de jovens nas bombas de gasolina, sejam as festas privadas dos meios universitários, sejam os casamentos e outros convívios familiares, seja o Natal, seja o que seja, a conclusão é sempre a mesma: são vocês e só vocês que matam pessoas e sobrecarregam os serviços de saúde, se todos fizessem como eu, nada disto acontecia.

Mas como não fazem o que eu acho que deviam fazer, só há uma solução: pôr o Estado a impor o que tem de ser feito, com mão de Ferro.

Até porque onde isso tem sido feito tem corrido muito bem, e onde isso não tem sido feito os governos vão ter de ser responsabilizados por dizimarem os seus próprios povos.

Cara Helena Ferro de Gouveia, não acha que prestaria melhor serviço ao país se, como administradora da Global Média, explicasse como se aguenta um grupo de comunicação com perdas anuais de vários milhões de euros (quase oito milhões em 2019, quase 18 milhões em 2020), em vez de andar a promover a ruptura social de onde nascem os populismos e as ditaduras?



18 comentários

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De jose valeriano a 15.11.2021 às 17:45

A sra. em causa talvez receba uns trocos como todos os comentadores espalhados por toda a CS para de alguma forma COAGIR o povo.
Foi assim que este pobre país têm a maior percentagem de vacinados por meio de COAÇÃO dos comentadores CS Politicos e Vice Almirante que esta esteve muito mal para um militar.
O vice Almirante fez declarações que roçava o Estado Tutalitário.
Toda esta gente um dia deveria de ser responsabilizada por aquilo que estão a fazer ao Povo:
A  Áustria, a Nova Zelândia e até a Austrália com o que está a acontecer já se podem considerar Estados Totalitários.
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De Carlos Sousa a 15.11.2021 às 19:07

Quando no início da vacinação era feita a comparação entre os não vacinados e os judeus, caía o Carmo e a Trindade, não podia ser, era conversa de negacionistas. 
Agora, depois de se saber as medidas impostas na Áustria, o que é que podemos chamar à perseguição que os não vacinados estão a sofrer.
O que é que faltará para juntar os não vacinados todos num campo de concentração para os injectar à força?
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De Suasa a 15.11.2021 às 22:57

Foi precisamente a comparação com os judeus na Alemanha que me veio à ideia quando li este  post. Sempre me perguntei como foi possivel virar os alemães contra os judeus alemães. Como vemos agora não é nada difícil fazer isto. Basta usar as ferramentas certas de marketing. Somos incrivelmente manpuláveis como povo.  
É arrepiante é ver o que defendem estes tipo de beatos cheios de virtude. 
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De Susana V a 15.11.2021 às 22:59

Foi precisamente a comparação com os judeus na Alemanha que me veio à ideia quando li este  post. Sempre me perguntei como conseguiram os nazis virar os alemães contra os judeus alemães. Como vemos agora não é nada difícil fazer isso. Basta usar as ferramentas certas de marketing. Somos incrivelmente manpuláveis como sociedade.  
É arrepiante é ver o que defendem estes tipo de beatos cheios de virtude. 
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De Carlos Sousa a 16.11.2021 às 10:26

A mim faz-me impressão é as pessoas em todo o mundo aceitarem este tipo de manipulação. Ninguém pensa, ninguém contesta, é uma imensa massa amorfa que se deixa conduzir como gado para o matadouro.
É assustador, vamos na rua e é como se tivéssemos lepra, tudo se afasta. As máscaras deixaram de ser obrigatórias na rua, mas anda tudo de máscara. As máscaras deixaram de ser obrigatórias nas lojas de bairro, mas entram todos de máscara. 
É surreal, está tudo louco.
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De Susana V a 16.11.2021 às 21:17

Sem dúvida, sem dúvida. Não sei se têm medo, ou se sentem a pressão social para usar máscara. Eu e a minha família tb somos praticamente os únicos sem máscara nos cafés e  pequenos supermercados. Ou a ir buscar a criança mais pequena ao infantário, onde as entradas e saídas das crianças se fazem ao ar livre. Se me olham de lado não sei nem quero saber. É para o lado que eu durmo melhor... 
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De Anónimo a 15.11.2021 às 20:10

Henrique, podia, pf, enriquecer esse gráfico com os dados dos Países Baixos? Pelo que vi têm +80% da população vacinada e gostava de ver como fica esse gráfico. 
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De Anónimo a 15.11.2021 às 20:24

Deste assunto nada percebo, mas o que é que fazemos? Tomamos ou não a vacina?, andamos de máscara ou sem máscara?, fazemos ou não fazemos a nossa vida pré-covid?
Na verdade podemos sempre fingir que o problema não existe


Pedro Cunha 
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De Carlos Sousa a 15.11.2021 às 22:58

Depois de quase dois anos deste alarme social, o que é que pode ser comprovado?
As urgências dos hospitais atingem a ruptura nos meses de Dezembro e Janeiro. 
Com vacinas ou sem vacinas o problema mantém-se. 
Em quase dois anos de pandemia morreram 18000 pessoas de covid e quase 400000 de outras doenças. 
O vírus sincicial das crianças aumentou exponencialmente por causa dos confinamentos e das máscaras.
As vacinas já causaram mais de 18000 reacções adversas, não evitam a propagação nem a hospitalização nem a morte.
Não será já altura de pensar pela própria cabeça?
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De Susana V a 16.11.2021 às 00:26


(...)

Por mim, já chega (e já é 18 meses demasiado tarde). É tempo de retomarmos a nossa vida normal e deixarmos o vírus entrar quando tiver de ser.

(…)

A pandemia acaba quando a liberdade corajosa e sem medo que existe em cada um de nós levar ao incumprimento generalizado de todas estas regras inúteis.

(...)

Tiago Tribolet de Abreu


https://observador.pt/opiniao/quando-acaba-a-pandemia/

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De Anónimo a 16.11.2021 às 08:03

A vacina minimiza a gravidade da doença. A máscara diminui a infeção, menos infeção menos mutações, maior a eficácia da vacina. 
Existe uma grande incidência noutros mamíferos pelo que a questão das mutações pode não justificar a máscara.
O coronavirus é como uma super gripe e vai obrigar ao uso da máscara todos os invernos. 
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De henrique pereira dos santos a 16.11.2021 às 10:14

"O coronavirus é como uma super gripe e vai obrigar ao uso da máscara todos os invernos."
Tem corrido bem, tem dado um resultadão, de maneira que faz sentido continuar a fazer o mesmo.
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De Anónimo a 16.11.2021 às 10:05


Fazer o que sempre foi feito antes
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De Susana V a 16.11.2021 às 21:19

Muito bom esse apanhado. Até me ria se não fosse tão sério. 
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De lucklucky a 16.11.2021 às 16:41

"Helena Ferro de Gouveia, que não é propriamente uma cidadã média porque é jornalista com uma carreira cosmopolita"



Isso coloca-a logo em cidadã "abaixo da média" devido à bolha monocultural onde vive.
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De Anónimo a 16.11.2021 às 23:20

Partilho. Viver no eixo das capitais e grandes cidades dos países desenvolvidos é viver numa bolha de cópias e repetições de clichés inventados em L.A. N.Y. ou Londres. Cosmopolitismo, hoje em dia, é ir a Freixo de Espada à Cinta (usei este exemplo só porque gosto do nome, e o nome é suficiente para perceber que é uma localidade diferente) ou Barrancos. E não venham com aquelas pejorativas histórinhas de Portugal profundo. É Portugal e Europa. Ponto.
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De Elvimonte a 17.11.2021 às 18:28


Relativamente ao texto que cita, para o classificar sumariamente fico na dúvida entre o bestial e o reptiliano. Em todo o caso uma peça repugnante, um vómito intelectual violador de princípios elementares consagrados desde o final da 2ª Guerra Mundial, revelador da mais profunda ignorância, cientificamente uma nódoa, uma apologia dos totalitarismos, incentivador da violência, fascizóide, nazi, estalinista, um verdadeiro insulto aos direitos humanos e à Humanidade.


Uma "comunicação de crise" adequada a Auschwitz e a Gulag, lugares onde a albardada e rastejante autora teria enorme sucesso.


«"não se querem vacinar? Muito bem. Não entram em lado nenhum e ficam em lockdown"», escreve a fascizóide em flagrante violação dos tais princípios elementares que ela não subscreve:


"Any preventive, diagnostic and therapeutic medical intervention is only to be carried out with the prior, free and informed consent of the person concerned, based on adequate information. The consent should, where appropriate, be express and may be withdrawn by the person concerned at any time and for any reason without disadvantage or prejudice."
(Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos, nº1 do artº 6º)


E sobre efeitos adversos agudos ocorridos até 31/10/2021 em Portugal?
Clinicamente importante: 3 893 
Incapacidade: 1 607 
Hospitalização: 654 
Risco de vida: 188 
Morte: 96
(Relatório de Farmacovigilância, Monitorização da Segurança das Vacinas contra a COVID-19 em Portugal, Infarmed) 


Se os que não se querem vacinar são um "bando de egoístas", como a fascizóide os classifica, serão os 96 mortos heróis, com direito a condecoração póstuma no próximo 10 de Junho? 


(continua)
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De Elvimonte a 17.11.2021 às 18:31

(continuação)


Dos efeitos adversos a médio e longo termo não se sabe rigorosamente nada - ainda ninguém foi ao futuro e voltou para nos informar. Mas já há alguns estudos que traçam um cenário negro a partir dos efeitos já detectados na reprogramação do sistema imunitário e nas alterações que a proteína S (proveniente da vacina ou da infecção) causa aos mecanismos de reparação do ADN, algo que a nódoa científica que a autora demonstra ser não tem em conta. Refiro-me particularmente aos seguintes:


"The BNT162b2 mRNA vaccine against SARS-CoV-2 reprograms both adaptive and innate immune responses"
"SARS–CoV–2 Spike Impairs DNA Damage Repair and Inhibits V(D)J Recombination In Vitro"


Mais hospitalizações e mais mortes no futuro por doenças infecciosas? Uma futura "epidemia" de cancros? Para já não se sabe, mas vai havendo indícios.


Sobre evidência empírica nem vale a pena escrever. Quando se olha para as estatísticas são geralmente os países/estados com maior vacinação que apresentam maior número de infecções, tendo já alguns começado a administrar a terceira dose em virtude desse facto. Também o padrão de mortalidade não se alterou e continuam a ser as pessoas mais idosas e com mais comorbilidades a perecer, tal como acontecia anteriormente.


Além do mais, os vacinados contraem e propagam a doença tal como os não vacinados, sendo as suas cargas virais idênticas, razão pela qual o CDC americano passou a recomendar máscara também aos vacinados. Muito embora os ensaios clínicos (Pfizer e Moderna) mostrem que o risco dos vacinados contrairem a doença - a redução de risco absoluta - é cerca de 1% menor (um valor ridículo) do que o dos não vacinados, algo que sempre nos foi omitido.


Sobre a ineficácia dos confinamentos a evidência empírica (p.e. Jutlândia do Norte, na Dinamarca e Dakota do Norte vs. Dakota do Sul, nos EUA) e a evidência científica bem o demonstram (vd. p.e. "Impact of lockdown on COVID-19 prevalence and mortality during 2020 pandemic: observational analysis of 27 countries" e "Government mandated lockdowns do not reduce Covid-19 deaths: implications for evaluating the stringent New Zealand response").

Resta uma questão: onde nasceu Hitler? Braunau am Inn, Áustria. 
"Mobs roved the streets inflicting physical abuse and ritual humiliation  on anyone suspected of hostility to the new regime." (Áustria, 1938)

"A maçã nunca cai longe da macieira" e as pulsões totalitárias que a Europa ocidental conseguiu expurgar com a 2ª GM, à custa de milhões de vítimas, estão outra vez aí. Algumas pessoas só irão compreender quando a bota da tirania lhes esmagar o rosto.

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