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O Grande Irmão está de olho em ti

por José Mendonça da Cruz, em 02.07.20

Começa sempre com a linguagem redonda, abrangente, enrolada em algodão: a ministra de Estado e da Presidência informa que o Governo vai lançar «um projecto» para «monitorizar» o «discurso de ódio» nas redes sociais. Mais explicou a ministra que se pretende fazer o acompanhamento e identificação dos sites e dos autores.

«Um projecto» não será a mesma coisa que uma polícia de vigilância acoitada num observatório povoado de patrulheiros do partido, pois não? «Monitorização» não será a mesma coisa que Vigilância e Defesa do Estado, pois não? A identificação de sites e autores não é a mesma coisa que censura e perseguições, pois não?

É assim que começa, quando uns animais se consideram mais iguais do que os outros. E tendo em conta que o que é ou não é «discurso de ódio» é definido pelos porcos que mandam no «projecto» e na «monitorização», é evidente que este parágrafo me condenaria e a este blog. Bastava que algum tarado, ignorante ou monitorizador nunca tivesse lido Orwell.



21 comentários

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De Francisco Almeida a 05.07.2020 às 13:13


Somos livres ponto final parágrafo.
Embora aceite a possibilidade pessimista de podermos ver-nos privados de parte dessa liberdade, da liberdade de escolha em matéria económica "lato sensu" da liberdade de expressão excepto em meios restritos não imagino a situação em que não seremos livres de pensar como sugere o "por enquanto".
É irrracional a menção a manipular e ser manipulado. Se sou manipulado é porque não sou livre, se manipulo é porque ofendo a liberdade de terceiros ou seja os conceitos de liberdade e manipulação não são compatíveis entre si.
Também as minhas emoções prejudicarem terceiros é despropositado. Em primeiro lugar não há ou haverá residualmente alguma emoção. Haverá algum sentimento mas a muito maior parte do que disse foi do domínio da racionalidade e apoiado por factos.
Claro que se pode negar ou tentar negar esses factos e também se pode negar que desses factos se extraem conclusões que não explicitei mas deixei implícitas. O que já não se pode legitimamente é, sem negar factos nem invalidar conclusões, pretender que se trata de emoções.
Incidentalmente não foi por acaso que citei a DUDH e o artº 19 - que qualquer pessoa pode encontrar pelo Google - e as limitações legais a essa liberdade de expressão, na interpretação que faço, serão causar alarme injustificado (por exemplo gritar "Fogo" numa sala de teatro) ou incitar à violência. A "ideia" que perco a liberdade se prejudicar terceiros não tem cabimento na lei criminal que é a aplicável. Se prejudicar terceiros incorrerei em responsabilidade cível que terá de ser arguida e provada pelos prejudicados.
Dada a excelência deste blog - pelo menos em termos comparativos - arrisquei-me a abordar uma questão melindrosa que entendo que seria útil e prudente discutir num plano elevado e não emocional porque nada de bom pode resultar de ser sistematicamente escamoteada e calada por pessoas  politicamente correctíssimas mas com algum défice lógico.
Apenas para esclarecimento, não sou seguidor nem apoiante nem sequer simpatizante de André Ventura mas concordo com ele quando diz que Portugal tem um problema com a etnia cigana e que esse problema está a ser ignorado. Já não posso saber o que pensa André Ventura das possíveis consequências dessa omissão porque de facto nem o conheço nem o li mas apenas vi os cabeçalhos nos media. Sem extrair conclusões nem fazer previsões catastróficas elenco três factos históricos.
A eficácia da propaganda judaica, levou a maioria das pessoas - não será o caso da maioria dos seguidores deste blog - a apenas se lembrar que Hitler matou 6 milhões de judeus esquecendo que desses 3 a 3,5 eram polacos e que igualmente matou homosexuais e ciganos além do programa de eugenia que eliminou um número que desconheço de portadores de deficiências congénitas.
Durante a guerra civil de Espanha, foram levadas a cabo, creio que por ambos os lados mas, tanto quanto sei, com números desconhecidos, tentativas de limpeza étnica de ciganos.
Ao contrário do que se diz o povo português não é de brandos costumes. Apenas leva muito mais tempo a deixar "saltar a tampa" mas, quando faz iguala os outros em ferocidade e selvajaria. Se duvida procure leitura especializada da guerra civil de 1828-1834.

Por último - e já será demais - a palavra racista, com alguma natureza provocatória, poderá ter sido excessiva ou talvez pudesse ter sido colocada entre aspas, mas com economia de palavras, queria fazer-me entender e, sendo a questão relativa à etnia cigana, não teria cabimento a inexistente "etnista" ou "povista" para o povo Roma e, sendo a enorme maioria dos ciganos tão portugueses como eu, também xenófobo seria inadequado.



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De Ana Branco a 06.07.2020 às 14:19

«...não imagino a situação em que não seremos livres de pensar como sugere o "por enquanto".

É irrracional a menção a manipular e ser manipulado. Se sou manipulado é porque não sou livre, se manipulo é porque ofendo a liberdade de terceiros ou seja os conceitos de liberdade e manipulação não são compatíveis entre si.»





Toda a realização humana decorre da concretização de ideias. A psicologia mostra-nos que as ideias podem ser plantadas directamente no inconsciente humano e, assim, gerar comportamentos que o agente justifica por meio de racionalizações, já que não admite estar a ser controlado pelos outros.





Na maioria das vezes, tenho sérias dúvidas sobre a “liberdade de pensamento”. A educação, experiências vividas, o meio em que nos desenvolvemos, já para não referir a publicidade – constantemente presente – “limitam” e “condicionam” a nossa visão da realidade e do mundo, logo, “limitando” e “condicionando” o nosso pensamento.

Uma “emoção” cria um “sentimento”. O “Ódio” tanto pode surgir como reacção a um “estímulo” – emoção - como em resultado de uma experiência emocional – sentimento.

Resumindo, não tenho qualquer intenção de “julgamento”, sobre o Sr. Francisco ou quem quer que seja. A minha clara, e objectiva, intenção é a do entendimento pelo “discurso de ódio” que não está relacionado com questões políticas, mas sim com preconceito e intolerância.

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